O que falar em um primeiro encontro com uma garota

Palavras Somente.

2020.10.29 10:18 nofimnaime Palavras Somente.

Eu não aguento mais conversar comigo mesmo, e como não tenho mais pessoas para isso, essa é a melhor solução. Minha vida só desanda, e desde 2017 eu não consigo segurar as pontas, tive perdas que até hoje me doem, e escolhas nas quais eu me arrependo toda a noite antes de dormir. Consegui afastar esses pesos algumas vezes durante esse tempo, mas ele volta com mais carga, cargas atuais, e isso sempre vem a calhar na semana do meu aniversário. Mas esse peso não é a dor que quase me fez ser atropelado no meu aniversário ou a entrar em pânico na frente de um mercado. Uns meses atrás conheci uma pessoa, e eu naquele momento só queria sair com alguém, aproveitar uma nova amizade e ter aquele lance casual, era só isso, eu estava no meu canto escuro do quarto, já acostumado com esse peso no meu peito, e não queria mais dor de cabeça. E infelizmente eu conheci ela, eu não dava nada pra aquela desgraçada, as mensagens trocadas porém, me fez sentir algo por ela, aquele tipo de sensação "Ok, quero ser seu amigo", e desse jeito eu descobri que ela também não estava bem, tinha acabado de sair de um relacionamento complicado de 5 anos (3 anos de namoro, mas já sofria por 5 anos), e eu botei aquilo na minha cabeça, só queria ter uma pessoa pra conversar, conviver e aproveitar tudo que dava, e depois de uma longa espera de dois dias de conversa, resolvemos se encontrar, morávamos perto do outro, na qual no meio do caminho tinha um parque, perfeito meio termo para ambos, e quando eu vi ela, tudo que eu tinha montado sobre ela mudou. Aquele mesmo sentimento que você olha e admira aquela pessoa no trem, acha tudo incrível e pensa "e se...", o diferencial mesmo foi já conhecer ela, e a cada detalhe, conversa e risadas daquele dia, eu tive a infelicidade de nutrir um sentimento por ela... Não demorou muito para as coisas rolar entre a gente, tínhamos um entrosamento perfeito, e estávamos lá, indo pra minha casa no nosso primeiro encontro, e o que eu achei disso? Eu realmente tinha me apaixonado pelo brilho do olhar dela, o sorriso dela me trazia pás e a voz dela me acalmava, era tudo que eu queria até o momento, chegando lá ela me explicou que o ex relacionamento dela ainda pesava naquele momento, lógico que eu me desapontei um pouco, mas era apenas uma apaixonisse de momento, dava para reverter, e fiz o que tinha que fazer, falei que não iria servir de ponte para ninguém superar ninguém, acabou que ela dormiu na minha casa... Foi uma das melhores noites da minha vida? CLARO PORRA, E AINDA ELA FOI A PROTAGONISTA DE UMA DAS CENAS MAIS MEMORÁVEIS DA MINHA VIDA. No outro dia, conversamos ainda mais, e na dúvida que eu estava, esperei pelo movimento dela, pra mim tudo é um jogo, cada detalhe e ação conta, e o turno dela foi pedir um Uber pra minha casa, pra passar outra noite comigo, e ela estava incrivelmente linda... maquiada com uma delicadeza... vestido que abraçava a arte corporal dela... e a boca que porta o melhor dos sorrisos...
Foi nesse momento que eu cometi o maior erro de todos, depois de uma noite incrível (outra), eu falei que queria ela pro resto da minha vida, ela ainda estava afetada pela outra, mas o coração dela já sentia alguma coisa por mim, além do relacionamento passado dela, tinha a minha ex...
E então eu entro no meu primeiro inferno.
Sim, é isso mesmo que você está pensando, 4 dias de conversa e eu já estava pedindo ela em namoro, eu não conhecia ela direito, e muito menos ela me conhecia, só que aqueles momentos foram ótimos, e foram por bastante tempos, mesmo com autos e baixos, só que cada vez que ela deitava no meu peito, e a gente conversava fica mais nítido que os dois se amava, e saiu dela, o primeiro "te amo", na qual terei a dor de nunca esquecer, e foi assim que depois de 6 dias de conhecer ela, resolvemos entrar em um relacionamento, depois dela ter completado um mês de sair do dela, e eu de ter tentado incontáveis vezes de retorna com minha ex. Aliás, minha ex... todos nós temos problemas, e o problema dela sempre foi se depender demais de mim, morávamos juntos, e depois de perceber que a gente não daria certo, terminei e voltei pra casa, porém ela era destruída psicologicamente, uma vontade de suicídio constante, e eu tinha medo de isso se torna uma realidade, mesmo terminando com ela, a moça nunca deixou de ter minha importância, antes de sermos namorados, eramos amigos, e isso não acabou, sempre vou me importar com ela, como a grande amiga que ela é. E nossa protagonista não entendia isso, até tentou compreender a gente guardar por um tempo, mas ela queria nos anunciar para o mundo... E no começo eu não entendia o "pra que?" só tentava explica que isso poderia acabar com a vida de uma pessoa, e depois de uma semana nisso, se encontrando todos os dias com ela, resolvi conversar com minha ex. Expliquei pra ela o que estava acontecendo, e que eu tinha encontrado outra pessoa, que não queria perder o contato dela, sendo ela uma das pessoas mais importantes da minha vida, acabou que minha ex entendeu, e ficou ressentida, ela sentia muita coisa, e queria voltar... mas ela seguiu o caminho dela e me deu apoio, ela simplesmente me queria feliz, era só eu correr pro abraço da minha então amada e vocês teriam lido o começo de uma linda história de amor...
E então eu senti pela primeira vez a chama silenciosa do primeiro inferno.
A pessoa cujo eu já chamava de "Vida", não achou isso o bastante, mesmo já declarando nosso namoro, ela queria mais, pediu pra eu cortar contato com minha ex, vulgo melhor amiga, dizia que não daria certo e me pressionou a prometer isso pra ela, e nesse meio termo, eu tive que ver ela tentando reconstruir uma amizade com a ex dela e falhando miseravelmente no mínimo, mas BELEZA, segui deixando a minha ex de lado e fui construir o que eu queria com a pessoa que eu desejava, e nas primeiras semanas, foi maravilhoso, eramos a melhor combinação do mundo, dava pra sentir os outros casais invejando, a gente era mais entrosado que Romário e Bebeto, mais bonito que o sol se pondo em um céu laranjado, muito mais divertido que o todo o elenco dos Barbixas fundido com o Hermes e Renato, se você não entendeu que éramos incríveis, coloca todas as referências ao seu gosto que você vai entender. Só que eu descia mais para o inferno e não sabia.
Os outros níveis do inferno.
Todo mundo briga, não é nenhum erro discordar com alguém, e os lados se alterarem, mas o meu pavio estava curtíssimo... Eu não me aguentava, imagina então os erros das outras pessoas? E eu falava com ela o que me incomodava, e não era coisa básica do tipo "aí não gosto do seu sotaque" tava mais pra "você poderia falar menos putaria no meio da rua entre as pessoas?". E isso foi piorando, e eu não sou nenhum santo, muito pelo contrário, sei que errei de ter falado com ela daquele jeito, e então foi aí que o MEU jogo começou a trocar de estilo, eu percebi que tinha que mudar meu jeito, meu comportamento e minha forma de tratar algumas coisas. Sou explosivo, se tem que brigar, eu brigo, mas cara, eu não queria perder ela, e nessas foi me tocando que poderia ser melhor eu me trancar na fúria e dialogar na calma, e sim, eu me moldei a ela. Não, não errei só nisso, fiz coisas na qual eu não me orgulho e nem sei como aconteceu, porém, eu estava lá, ouvi o dela, e mudei, é um mérito meu, eu quero que você que está lendo tenha sua própria resposta para isso, pois a minha resposta é, não, isso não é um mérito, se você percebe que está errado, você muda, ok! Ok? E eu infelizmente não vou te dar um Plot Twist e falar que estamos vivendo lindamente, pois a gente desceu mais os degraus... No nível de começar a culpar o jeito no qual a gente conversava no whats para poder brigar, ela falava que eu era outra pessoa no whats, que respondia seco e era monossilábico, eu nunca vi isso, para começo de conversar, e ninguém nunca reclamou isso de mim, o que eu achei mais estranho, porém ela falou que outras pessoas que ela mostrava minha conversava concordava com ela, e tentei mudar isso, mandava mas áudio no intuito de ser mais confortável pra ela, e então chegou nosso primeiro mês de namoro...
Eeeeeh laiá, se quiserem numerar os infernos, fiquem à vontade, pois eu não tenho saco.
Eu sempre odiei isso, de mêsversario, maluco, ninguém quer saber que seu bebê feio está fazendo 8 meses, ou então seu relacionamento que ninguém liga está no terceiro mês, sabe quem se importa pro seu relacionamento, você e sua companheira, e... era importante para nós dois... pra mim pelo menos...
Chegou o cujo dia, e eu tinha planejado uma coisa simples, porém de coração. Vinho, uma pizza, janela aberta com iluminação da lua, era um momento especial na qual queria deixar ainda mais especial. Não falei nada, só deixei as coisas acontecer, e eu não sei por qual motivo, mas ela não estava me ajudando para isso (descobri depois o porquê) e meio que ficava "aí vc quer me ver ou não", meio que se não fosse óbvio que SIM, não só pela vontade de ver ela todo o dia, como pela data, e eu falava que queria, porém ela achou que faltou "vontade" nas minhas palavras, e resolveu ir em uma festa no dia que marcava um mês no nosso relacionamento, eu não acreditei, fiquei encabulado, cara, era nossa noite, noite na qual você optou por passar com pessoas que eu nem sabia quem era, e sem mais nem menos, e vamos discutir de novo... Mas dessa vez foi diferente. Fui na casa dela, já tínhamos conversado sobre o que aconteceu pelo telefone, ela falando que eu não fui direto e parecia sem vontade de ver ela, e eu explicando que não, e que ela cagou pra mim e foi pra uma festa como se fosse nada de mais... Acabou que ela me falou que estava muito cansada pra um relacionamento sério, e que achava melhor a gente dar um tempo, até ela se sentir confortável para estar em outro relacionamento... Tudo que eu queria, era não perder ela, concordei como um desesperado, porém falei que não iria aceitar algumas coisas, entramos em um consenso, e agora sim estamos felizes até agora, claro que não...
Depois desse episódio, resolvi me dedicar ainda mais, fazia tudo que dava pra ela, andava pra qualquer canto com ela, ia buscar, levava ela, talvez vocês nem acredita, mas eu mudei a direção do vento só pra ver o vento tirar o lindo cabelo dela da frente do mais belo rosto, e isso não foi o bastante. Ela buscava mais coisas para a gente discutir, com coisas do tipo "não se mexe no celular na companhia de alguém" é até verdade, mas dá pra você abrir uma excessões quando você passa o dia inteiro com a pessoa, mas eu aderi, e continuei me mudando por ela, era meu foco a melhora dela, e ter nossas alianças de volta "sim, eu comprei alianças, e ela tirou quando pediu o tempo". Mas foi aí que as coisas começaram a mudar pra mim, não vou esquecer que a gente passou mais um tempo de boas, mesmo depois dela ter pedido o tempo dela, a gente brigou muito, e nisso eu estava pensando "será que é bom pra nós dois?" só que quando a gente passava a tarde juntos, eu perdia esse pensamento, pois eu amava ela de verdade, cogitei terminar sim com ela, mas a gente conversava e se resolvia, porém foi nessa que eu percebi que só uma pessoa mudava, eu...
E então, chegamos no último inferno.
Essa epopéia estava no fim, e eu nem percebi, mas vamos logo para o último capítulo. Eu já conhecia a família dela, pelo menos a parte que ela sente alguma coisa, e chegou a vez dela conhecer a minha, meu irmão que tava em Brasília veio com a minha prima e era o momento perfeito, minha mãe ia preparar um almoço especial, chamou até minha tia e meu tio, tava tudo perfeito, só não esperava por uma coisa importante, ela não ir... Então vamos lá, bora começar uma semana antes, ela estava mal, se sentindo triste, fui na casa dela e troquei meu melhor amigo (que estava fazendo aniversário) pra ficar com ela, ele simplesmente me implorou para ir, e eu só falei "me ocorreu um imprevisto", era ela o imprevisto, e dei a força que ela precisava, beleza, no outro dia ela saiu com a amiga dela (coisa que me incomodava, já que a amiga dela incentivava ela ficar com outras pessoas, mas dessa vez, eu achei que ela precisava sair da casa dela). Só que ela ainda estava meio pra baixo, e no final de semana, especificamente sábado, resolvemos sair, ela com a galera dela, e eu com meu amigo que eu tinha furado, no domingo era o almoço, beleza, a gente conversou no whats e parou em um momento da noite, eu não me lembro do restante da noite, fiquei muito bêbado (e não, não fiz nenhuma merda de bêbado, só não me recordo de como eu voltei pra casa e que horas), acordei cedo, que é estranho, e antes mesmo de mandar mensagem pra ela, 6h ela me manda um áudio, falando que tava voltando pra casa da amiga dela naquele horário e que não daria pra ir pra minha casa conhecer minha família, eu fui destruído aí, mandei um "tudo bem", esperei até às 7h, fui no mercado comprar as coisas pro almoço, e foi isso, a cada pessoa perguntando, "Hey, cadê a sua Vida", eu simplesmente colocava um sorriso falso no meu rosto e falava "tá passando mal hoje, vai ficar em casa", no meio do almoço ela me ligou, e eu falei que fiquei mal com isso, e que não queria ver ela. E lembra que eu falei que via as coisas como um jogo, foi esse momento que eu pensei em desistir de tudo, o mais forte desse sentimento. Ela veio em casa, e me ouviu dizer que não queria mais aquilo, eu tinha cancelado trabalho pra ir ver a família dela, quando ela ficou na rua pra não ver a minha, mas eu fui fraco, aceitei as desculpas dela... A mesma pessoa que fala que desculpa não é uma palavra, e sim uma ação, e foi nisso que eu me peguei. E no outro dia, ela tinha uma entrevista de emprego online, na qual o entrevistador não foi com a cara dela (e ele foi babaca, ela foi incrível na entrevista), s acabou nela não passando, ficou devastada, e eu ainda meio chateado com ela, larguei de lado esse sentimento, e fui ajudar ela, comprei bebida, a melhor pizza que eu podia pegar (dominos é claro) pra ver ela levando o vinho que peguei pra beber com a amiga dela...
Ok...
Queria muito ver ela, e na sexta foi o dia, IRRAAAAAAAA, vou ver ela, e ela vai passar o dia comigo, vamos ter a melhor noite de todas e nada disso vai acontecer... Tirando a parte de ver ela, eu fui, e passei incrível 3h lá, a amiga dela falou que tava na bad, e pediu pra ela ir lá, e fodac eu. Mas até aí tudo bem, a garota lá precisava de uma companhia, acompanhei ela até um lugar pro Uber ficar tranquilo, e trocamos mensagem até de noite, quando ela resolveu sair... E sumiu... De madrugada (umas 5h) ela falou que a noite dela foi incrível, que conheceu um cara na qual conversou bastante, e que se divertiu muito, e isso foi as últimas coisas que ela me falou no final de semana resto de sábado, domingo e começo de segunda. Então começou a semana, fui entregar currículo já pensando "isso não está acontecendo" "deve ter uma resposta melhor", a única coisa que ela deveria fazer, era me valorizar depois da pisada de bola do almoço, e não contente, ela me pisa na com os dois pés depois, eu precisava entregar aqueles currículos, eles perderiam a data de vencimento, já que no outro dia eu teria 23 anos, e foi o pior dia do meu ano, eu tava visivelmente abalado, cheguei a vomitar no meio da rua, e mandei mensagem pra ela, pra saber se como estava, e ganhei um incrível "oi, c tá bem?". Cara eu já não tava legal, estava no meio da rua mal, e ainda ganho uma dessa, como se fosse um qualquer na vida dela, mandei um áudio pra ela, falei que não tava, que ela tinha sumido final de semana e queria conversar com ela, e sim, já ia com intensão do pior, colocar todas as coisas dela na minha bolsa, e com a pior das hipóteses já terminava ali, só que fui surpreendido... ela responde a porra do áudio com um "ah, não sei oq vc entendeu, nosso lance é casual, eu tive um final de semana cheio, virei duas noites, pipipipopopo" as lágrimas do meu rosto já estava deixando de existir com a falta de senso dela, eu simplicidade liguei e a única coisa que eu consegui falar foi "Eu desisto." Falei que ia encontrar ela e levar as coisas que estavam na minha casa, e pedi pra ela levar as minhas coisas (inclusive as alianças que ficou com ela), quando ela me chega, toda sorridente, fazendo sinalzinho com a mão, e eu não querendo acreditar, não sabendo se ela não entendeu a grandeza dos acontecimentos, ou porquê eu era só um qualquer pra ela, ela sentou na minha frente e disse "aí, eu não vou mais correr atrás de você... E blá blá blá" era uma realidade horrível, eu não estava acreditando que vivia aquilo, eu pedi minhas coisas, dei a dela, e disse tchau, e ela teve a pachorra de me perguntar se eu não ia abraçar ela, será que em algum momento ela percebeu minha expressão facial? Ela olhou pro vermelho dos meus olhos? Ou então notou o tom da minha voz? Eu cheguei em casa, destruído, e desativei tudo que poderia, graças a Deus eu ainda tenho pessoas que se importa comigo, e me ligaram, falei que ia me isolar um pouco e que qualquer coisa poderia me ligar. Foi a pior noite da minha vida, não dormi nada, e não aguentava nada, quando chegou as 7h da manhã, resolvi sair, chorando que soluçava, e fui para o parque, sentei no banco, e fiquei lá, quando a primeira pessoa me liga, me dando os parabéns (sim, era meu aniversário), eu não sabia oq falar e disse que tava ocupado, na segunda eu não consegui enganar, e percebeu minha voz de choro, falei que logo ligava de novo, e na terceira, eu desabei, era minha ex, a única pessoa que eu não esperava, ela sempre sabe quando eu não estou bem, e ela me deu um pouco de energia, me incentivou a ir pra casa, ver minha mãe, e sair com algum amigo, levantei animado, as palavras dela fazia sentido, até lembrar que a única pessoa que eu realmente queria a ligação não fez questão, e aconteceu uma das piores coisas da minha vida, eu simplesmente olhei para um carro na rua, e fui em direção a ele, a sorte que eu tive do cara ter feriado hoje eu vejo que é incrível, a sorte que eu tive de só ter subido em cima do capô dele e ver ele de tão perto atrás do parabrisa só mexendo a boca não entendendo nada que ele falava, sai de cima do carro e sentei na calçada, depois de uma longa conversa entre um grupo de pessoas, um cachorro e comigo mesmo, resolvi ir pra casa, lavei meu rosto e abri a geladeira, minha mãe tinha feito uma torta pra mim e comprado pizza pra fazer de noite, a minha relação com minha mãe é de mais ou menos pra ruim, porém naquele mesmo dia, foi ela que me viu chorar depois de me desejar sorte, sendo que quem eu chamava de "Vida" me deu o pior parabéns possível pelo Instagram.
Até hoje, dois dias depois do meu aniversário, ela não apareceu pra falar qualquer coisa, e eu realmente não quero ver a cara dela, pois eu tô destruído, até agora eu tô recebendo ligação e mensagem de pessoas que realmente se importa comigo, pedindo pra me ver, e eu não conseguindo, porque essa é a pior versão de mim, e eles merecem muito mais que isso, eu tô pensando em tanta coisa ruim agora, e minha mente tá conturbada tentando simular isso como se nunca tivesse acontecido, e eu realmente não consigo acreditar como esses poucos meses, destruíram tanto minha vida.
Você que leu isso até agora, agradeço muito por reservar esses minutos da sua vida pra esse texto, eu começar ele umas 23h da noite, e tô terminando agora 6h17, depois de parar algumas vezes, e me desculpa pelo tamanho. Eu só achei que precisava compartilhar isso com alguém.
Obrigado por ter chegado até aqui.
submitted by nofimnaime to desabafos [link] [comments]


2020.10.06 02:58 Soraka30cmMOLE Hoje foi a primeira vez que senti ansiedade por "esperar" alguém e a ultima vez também.

Eu vinha conversando com uma garota há um tempo, era divertido pra caramba no começo, adorava a presença dela e a conversa era muito boa. Porém, nosso primeiro encontro foi péssimo, ela me deixou esperando no sol por quase uma hora, a gente ia no shopping ent... Eu também estava sem comer. Disse altas merdas no shopping afinal, bobo apaixonado fala muita besteira mesmo, mas ela conseguiu ser do mesmo nivel ao começar a falar dos ex dela no encontro com uma puta emoção... Logo após que eu falei que curtia ela...
Enfim... Desde esse dia ai senti um peso enorme em toda a conversa nossa, não era a mesma coisa e discutimos pra caralho, era a "minha expectativa idiota" contra a "falta de empatia" dela.
Digo isso porque dia 29 de setembro foi meu aniversario... E ela me mandou um audio de 10 minutos falando de como o trabalho dela foi uma merda no dia (isso que a gente tava a dias sem se falar) e mandou uma foto chorando... Ela não se lembrou e tenho quase certeza que falei no minimo umas duas vezes sobre...
Hoje ela disse que precisava falar urgente comigo, eu concordei, afinal achava que precisavamos falar mesmo. Ela disse que não gostava de mim romanticamente (mas tambem, como poderia ne?) E que queria explicar pra mim o porque disso mas tava no trabalho e n dava pra falar.
Dai minha tarde virou um inferno, primeiro, o odio de achar que fracassei de novo... Logo após, a dor de saber que não deu certo de novo... Foi ai que meu estomago começou a doer pra um inferno e a vontade de vomitar toda vez que eu pensava em abrir a conversa com ela começou...
Nunca senti algo assim, foi uma emoção pessima cara... Eu sentia uma mistura de "Odio, frustração e dor" de saber que alguem que eu estimava tanto me fazia tão mal, sabe?
Eu consolei ela no dia do meu aniversario, ela so me disse parabens hoje depois de eu falar que se ela tivesse pedido "desculpas" no dia, não estariam assim as coisas... Enfim.
Mandei uma mensagem pra ela dizendo que se for ela o motivo dessa minha ansiedade e dor, eu iria ignorar tudo que ela falasse pra cuidar de mim mesmo, amor proprio em primeiro lugar, pode ser quem for, se me fizer mal, vou excluir e deixar de lado pra poder cuidar do meu interior.
submitted by Soraka30cmMOLE to desabafos [link] [comments]


2020.09.20 00:29 Rapeize Me envolvi com alguém com borderline e acho que me fodi

Há uns 2 meses eu criei um post aqui comemorando o fato de ter conseguido um trampo em uma ótima empresa a qual estou até hoje. Pois bem, em um dos atendimentos que fiz (por telefone) fiquei completamente encantado pela moça, encantado pela maneira que ela falava, enfim.. peguei o whats dela e disse que se ela tivesse maiores problemas, poderia me enviar mensagem por ali. Fui profissional, não puxei assunto nem nada.
No dia seguinte deu problema de novo e ela ligou pro suporte e tive a sorte dela cair comigo (ela não chamou no whats). Não resisti e tempos depois de ter encerrado o atendimento eu a elogiei, dizendo que ela era muito carismática. Ela correspondeu e minutos depois começou a me seguir no Instagram. E a partir daí começamos a nos falar todos os dias. Eu nunca fui tão elogiado como fui por ela, ela falava do meu jeito, tanto comportamental como físico, uma garota super carinhosa, e eu sendo recíproco e comecei a gostar dela. A gente planejava quando se conhecer pessoalmente e tudo mais.
Em uma de nossas conversas ela me disse que tinha bipolaridade e transtorno de personalidade borderline, mas disse que não era pra eu me preocupar e que estava controlado, chegou até a me perguntar se tinha alguma chance de a gente ter um relacionamento sério. Eu disse que tinha, claro, em nenhum momento eu cogitei, mesmo que por pensamento, achar que isso seria um grande problema e que era melhor largar mão. A gente flertava demais com a ideia de viver um relacionamento (2 emocionados KKK).
Enfim, finalmente chegou o dia de nos conhecermos, e foi maravilhoso! A gente se curtiu bastante, os carinhos aconteceram, a gente se sentiu muito íntimo um do outro, foi um dia muito gostoso. Acabamos transando no nosso primeiro encontro, aconteceu de forma bem natural eu diria, mas aí as coisas começaram a desandar..
De semana passada pra cá ela ficou um pouco mais distante comigo, estávamos conversando pouco e eu aqui ficando louco com isso né. Anyway, quinta ela abriu o jogo comigo e disse coisas como: eu sou esquisita, estou sem o meu remédio, não quero ser um problema para as pessoas, eu vacilo com quem eu gosto. A única pessoa que me entende é minha psicóloga, se nem meus pais me entendem, como você vai me entender? Eu pegava essas merdas que me davam na cabeça e transferia para as pessoas, e todo mundo enlouquecia, não aguentava e ninguém é obrigado a aguentar. Sirvo para ficar sozinha.
Eu falei que não era surpresa da condição que ela vivia e estava disposto a tentar, pq eu gosto dela. Falei por A+B que eu quero continuar. Desde então a gente tem conversado no whats, pouco ainda, está tudo indefinido. A decisão está nas mãos dela de tentar embarcar nessa comigo. Ela tem entrado no whats, sai, demora pra responder, sério isso é horrível. Que ela tem esses problemas, é fato, mas fico me perguntando se ela pra me magoar menos estaria aproveitando a condição dela para justificar nossa "separação". Eu fico meio puto também pq ela disse que não era pra me preocupar. Eu tava vivendo muito bem e aí ela aparece na minha vida e mete uma dessa?
Eu tenho sentido uma sensação de vazio, um desespero quase, pq há 1 semana a gente tava junto grudado, e agora me sinto sozinho aqui olhando pro nada. Pessoas com borderline são muito intensas, tanto para coisas ruins como para as boas, então será que tudo aquilo que ela já me falou, nesse tempo que nos conhecemos, foi mais fruto do transtorno do que o sentimento propriamente dito? Vale ressaltar que a gente nunca discutiu ou chegou perto disso, ela é um amor de pessoa. Enfim, to me sentindo um viciado em abstinência sem a droga. Se você leu tudo, eu agradeço, de verdade.
submitted by Rapeize to desabafos [link] [comments]


2020.09.18 02:40 iamassuregi Segunda chance ok, agora terceira, quarta e quinta ...

Preciso tirar isso do peito kkkkk então isso é longo
Eu conheço uma garota desde a sétima série, hoje tenho 24 anos. Essa garota por muito tempo foi minha amiga, mas sempre meio com vergonha. Kkkk eu não tinha uma boa aparência na época (e em minha defesa todo adolescente é feio) e hoje, olhando para trás, sinto que ela tinha vergonha de mim.
Em 2017 ela me apresentou a um amigo dela. Muito estranho, o cara tinha uns 40 anos e era amigo de uma moça de 21... Um dia fui dormir na casa dela, na época levei o PlayStation e ficamos jogando. Uma das irmãs, que tinha 15 anos aparece, totalmente bêbada. E esse coroa trazendo essa menina. Eu fiquei indignada, pois ela estava muito bêbada mesmo, até vomitou e desmaiou. Eu fechei a cara quando vi isso tudo e só pensava em chamar uma ambulância ou a polícia. Lembro que ele falou algo como: "Ela estava na minha casa com a minha filha, tomou só um pouco" e eu retruquei: "Ela tem quinze anos. Não devia ter tomado nada".
Esse foi o meu primeiro erro. O cara pegou raiva de mim aí.
Enfim, noutro dia fui pra minha casa e segui a minha vida.
Na época da escola éramos um trio: eu, essa garota e outro amigo. Esse moleque não era amigo dela há um tempo.
Outra visita a casa dela e ela me pergunta dele. Eu falo a verdade, que disse que nunca mais queria falar com ela. Tinha morrido pra ele. Volto pra minha casa e quanto estou deitada já, vejo uma ligação. Era o coroa me ligando.
Ele gritou comigo, disse que se fosse para eu falar desse amigo que eu não pisasse mais o pé na casa dela. Queria saber o que ela tinha feito pra ele, e eu apenas respondia: pergunta pra ela!
No dia fiquei morrendo de medo. Depois chorei de raiva. Mandei uma mensagem pra ela, dizendo que precisávamos conversar. No outro dia ela me respondeu, dizendo que iria falar com ele. Depois veio com uma conversa que não podia escolher lado pois não tinha ouvido a ligação para dizer o que cada um disse.
Depois disso me afastei, me ocupei com trabalho. Respondia ela pouco. Meu erro também, devia ter bloqueado nessa época. Também comecei a me arrumar bastante, me cuidar mesmo e a ter encontros kkk (e sim, agora sou bonita)
Ela me chamava para ir na casa dela sempre e dizia: leva o videogame, não tem nada aqui para fazer. Ela mora noutro bairro, muito contramão pra ônibus, então eu andava meia hora com um PS4 mochila, chegava lá morrendo. Eu acabava dormindo lá pois sempre ficava tarde pra voltar. Um dia eu falei pra ela que tava muito zoado para ir, pois estava tendo assalto direto e eu não poderia dormir pois tinha compromisso. Ela disse: então deixa o vídeo game aqui. Depois você busca.
Aí sim eu descobri, ela só queria jogar.
Então fui me afastando, até que ela surgiu meses depois fazendo perguntas sobre esse maldito videogame. Eu não entendo muito, tinha comprado ele no fim de 2016 pois foi uma baita promoção e eu usaria para ver vídeos do YouTube e alguns jogos que eu tinha visto gameplay. Mas por causa do trabalho quem usava mais era a minha família, para assistir. Então eu realmente não sabia responder nada. Foi uma semana de questionamentos até ela me pedir a minha conta da PSN. O coroa tinha dado um videogame para ela. Meu sangue ferveu, e eu disse que não. Ela veio com uma conversinha do tipo: "você não confia em mim?" Eu apenas disse: "sei que você não vai pegar nenhuma informação minha, mas não empresto pra você. Meses sem falar comigo e quando volta quer favores?".
Ela sumiu por três dias e quando voltou disse que não poderíamos mais ser amigas. E começou a escrever um textão. Eu simplesmente dei block e deletei o número. Isso foi no fim de 2018.
Nessa época eu estava meio mal, mudei para um emprego de meio período e fui passando sem comprar muita coisa. Vendi o videogame e resolvi estudar para entrar numa universidade. A situação financeira aqui em casa apertou tanto que eu praticamente sustentei a casa por uns meses com um salário de meio período. Deixei muito currículo mas nem chamavam... Enfim.
No fim de fevereiro desse ano entrei no meu Facebook e tinha várias mensagens dela, das irmãs, pedido para eu mandar mensagem pra ela. Eu sou muito curiosa, então não aguentei. Passei o meu número para a irmã e disse que entrar em contato comigo. Ela falou comigo e pediu desculpas.
E eu aceitei, pois estava numa paz e estava tentando mudar, ver o melhor nas pessoas. Estava muito de boas mesmo.
Ela veio perguntar da minha vida, eu disse que estava estudando e trabalhava algumas horinhas por semana.
Aí ela me pediu uma dicas para estudar pra FUVEST/Enem e acabamos combinando que eu poderia ajudar ela a estudar.
Desde 2019 eu estava muito calma, não me irritava com ninguém e também toda semana tirava um momento pra refletir os pontos da minha personalidade que tinha que melhorar. Mas eu fiz um grande erro: ser gentil não é ser otária. E eu estava sendo uma otária.
Acabou que o corona apareceu e bagunçou a vida de todo mundo, mas continuamos nos falando. Ela comentava lugares que queria ir e eu dizia "ah, depois do corona a gente vai". Acabou que a primeira oportunidade foi esses dias, quando sp começou a permitir que cursos extracurriculares voltassem. Decidi que iria fazer um curso de japonês, pois estava meio deprimida e queria algo para ocupar a cabeça. Chamei ela para dar uma olhada comigo na unidade da escola.
Eu já tinha comentado com ela que estava ficando bem ocupada recentemente, então podia ser que eu esquecesse de ver as mensagens. Falei pra ela que sábado ficaria fazendo um trabalho. Então sábado de manhã fomos ao curso de japonês e quando voltamos ela se convidou para ir na minha casa. Eu, por causa de estar ocupada e cansada, não queria ninguém aqui, então só disse que outro dia a gente marcava.
Depois disso ela nunca mais de respondeu. Ela tinha parado de falar com o coroa quando voltou a falar comigo, mas deve ter voltado.
Essa novela é tão grande e ruim que vou acrescentar uns detalhes aqui:
O que eu aprendi de tudo isso? Não fique perto de quem faz mal pra você. Seja gentil, mas não seja besta.
submitted by iamassuregi to desabafos [link] [comments]


2020.09.05 04:27 frdnt Despindo o Homem Encapuzado

A teoria abaixo é parte de uma serie de textos escritos por Cantuse em seu blog. Link: https://cantuse.wordpress.com/2014/09/30/the-hooded-man-uncloaked/
-------------------------------

O MANIFESTO : VOLUME II, CAPÍTULO III

Provavelmente, um dos maiores mistérios de A Dança dos Dragões é a identidade do homem encapuzado. Muitas pessoas foram propostas, de Robett Glover a Harwin e ao próprio Theon em algum estado dissociativo.
No entanto, acredito que posso fazer uma conclusão mais convincente de que o homem encapuzado não é nenhuma dessas opções mais conhecidas. Este ensaio explica minha teoria sobre o homem encapuzado e seu propósito em Winterfell.
Colocando minhas cartas na mesa, aqui estão as principais afirmações que faço:
NOTA: Este ensaio pode ser controverso em sua construção e conclusões. Deve-se notar que a identidade do homem encapuzado não é verdadeiramente crítica para que o restante do Manifesto valha a pena. Este ensaio é bastante independente, não afetando mais nada no Manifesto.
Em outras palavras, se você não gosta deste ensaio, pode simplesmente ignorá-lo e continuar.
[...]

PRIMEIROS SINAIS DO GIGANTE

Eu gostaria de um breve momento para destacar algo importante.
– Para lutar com Lorde Stannis, temos que encontrá-lo primeiro – Roose Ryswell observou. – Nossos batedores saíram pelo Portão do Caçador, mas até agora nenhum deles retornou.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Batedores estão desaparecendo do lado de fora do Portão do Caçador. Este é o mesmo portão onde Mors Crowfood parece chegar um ou dois dias depois:
O rufar parecia estar vindo da Matadelobos, além do Portão do Caçador. Estão do lado de fora das muralhas.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
O desaparecimento dos batedores parece algo pelo qual Mors seria responsável. É consistente com o que encontramos no capítulo liberado de Theon de Os Ventos do Inverno: construir obstáculos e impedir ou matar aqueles que saem dos portões. No mínimo, Mors não quer que nenhum batedor encontre seu bando de garotos e informe a Roose Bolton.
Mais importante, os batedores ausentes indicam que Mors estava realmente fora de Winterfell há pelo menos um dia (talvez mais) antes de tocar seus berrantes de guerra.
Mas por que ele ficaria lá aguardando em segredo?
Para responder a essa pergunta, temos que mergulhar no mistério do homem encapuzado.

O IDIOTA DOS RYSWELL

É difícil imaginar o tipo de mente obtusa que é necessária para ser Roger Ryswell. Há algo de suspeito sobre a magnitude e a natureza de sua idiotice.
O Idiota dos Ryswell
Eu gostaria de um momento para mostrar algumas passagens:
– Um bêbado – Ryswell declarou. – Mijando da muralha, aposto. Escorregou e caiu.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
:::
– Esses mortos eram todos homens fortes – disse Roger Ryswell –, e nenhum deles foi apunhalado. O Vira-Casaca não é nosso assassino.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
:::
Roger Ryswell grunhiu.
– Se não é ele, quem é? Stannis tem algum homem dentro do castelo, isso está claro.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
:::
Ryswell não estava convencido.
– Ele, no entanto, ama seus bifes, costelas e tortas de carne. Rondar o castelo na escuridão exigiria que deixasse a mesa. O único momento em que faz isso é quando procura a latrina para uma de suas longas horas agachado.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Vejam, pode ser apenas eu, mas não parece que ele está quase deliberadamente negando qualquer explicação possível para os assassinatos?
Da perspectiva de um leitor, não é também uma estranha coincidência que Roger faz afirmações que contradizem vários truques que nós realmente vimos em A Dança dos Dragões:
Roger nega que as três diferentes conspirações que descobrimos sejam verdadeiras ou se tornarão verdadeiras posteriormente no livro e rapidamente descarta o restante.
Como uma pessoa consegue ser tão boa em acidentalmente impedir uma investigação de assassinato?
Falta de contato visual
Quando você pensa no Homem Encapuzado e na descrição que temos dele, existem apenas dois detalhes que vêm à mente: sua capa e seus olhos.
Mais adiante, cruzou com um homem que vinha na direção oposta, uma capa com capuz agitando-se atrás dele. Quando se encontraram frente a frente, seus olhos se encontraram brevemente. O homem colocou a mão na adaga.
– Theon Vira-Casaca. Theon assassino de parentes.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Assim, vemos que Theon dá uma rápida olhada na capa do homem. Vemos também que Theon evita contato visual com o homem.
Essa falta de contato visual pode ser importante para determinar a identidade do homem encapuzado. Não há dúvida de que Theon evita o contato visual em geral, podemos supor que isso aconteça de vez em quando.
No entanto, gostaria de apontar outro exemplo muito interessante que mostra Theon evitando deliberadamente o contato visual ou olhar para o rosto de uma pessoa:
Pernas de Aço o levou pelo Grande Salão, até o solar que certa vez fora de Eddard Stark. Lorde Bolton não estava sozinho. A Senhora Dustin estava sentada com ele, o rosto pálido e severo; um broche de ferro com o formato de uma cabeça de cavalo prendia a capa de Roger Ryswell; Aenys Frey estava em pé perto do fogo, as bochechas vermelhas com o frio.
– Me contaram que você anda vagando pelo castelo – Lorde Bolton começou. – Homens reportaram terem visto você nos estábulos, nas cozinhas, nos barracões, nas ameias. Foi observado perto das ruínas das torres caídas, do lado de fora do velho septo da Senhora Catelyn, indo e vindo do bosque sagrado. Nega isso?
– Não, ‘nhor. – Theon fez questão de falar mal a palavra. Sabia que aquilo agradava Lorde Bolton. – Não consigo dormir, ‘nhor. Eu caminho. – Manteve a cabeça baixa, olhos fixos nas velhas tábuas corridas no chão. Não seria sábio olhar sua senhoria no rosto.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Você notou o rosto que Theon não conseguiu explicar?
A Senhora Dustin estava sentada com ele, o rosto pálido e severo; um broche de ferro com o formato de uma cabeça de cavalo prendia a capa de Roger Ryswell; Aenys Frey estava em pé perto do fogo, as bochechas vermelhas com o frio.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Por que obtemos descrições dos rostos de Barbrey Dustin e Aenys Frey, mas apenas a capa e o broche de Roger Ryswell? Ora, mesmo que Theon não olhe para Roose Bolton, ele pelo menos explica a razão para não fazer isso.
Tenha em mente que este interrogatório acontece logo após o encontro de Theon com o homem encapuzado, então o contato visual furtivo pode ser um indicativo de um comportamento continuado daquele encontro anterior.
Além disso, um detalhe extremamente pequeno é que Theon se detém na capa de Roger, o único outro detalhe que temos sobre o homem encapuzado.
Existem outros elementos interessantes do interrogatório de Theon:
Dedos perdidos
Quando a Senhora Dustin exige que Theon remova suas luvas: Roger Ryswell não mostra nenhum interesse nos dedos perdidos de Theon. Os outros participantes (Barbrey Dustin e Aenys Frey) comentam especificamente sobre suas mãos. Ryswell não o faz, em vez disso, descarta imediatamente Theon como um suspeito, não com base nos dedos, mas na falta de força de Theon. Ele também o chama de vira-casaca aqui. Talvez sua falta de interesse nas mãos de Theon seja porque ele acabou de vê-los.
Vassalos rivais
A outra coisa interessante sobre Ryswell aqui é sua aversão particular por Wyman Manderly. Embora insultar o personagem de Manderly seja muito comum, Manderly e Ryswell não têm grandes motivos para animosidade e, portanto, as observações de Ryswell sobre Wyman parecem bastante enfáticas:
– Ele, no entanto, ama seus bifes, costelas e tortas de carne. Rondar o castelo na escuridão exigiria que deixasse a mesa. O único momento em que faz isso é quando procura a latrina para uma de suas longas horas agachado.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Este é um insulto particularmente venenoso.
Há um homem no norte que fez comentários grosseiros deste tipo sobre Wyman. Mors Papa-Corvos Umber:
– Manderly? – Mors Umber fungou. – Esse grande saco bamboleante de banha? Seu próprio povo caçoa dele, chamando-o de Lorde Lampreia, segundo ouvi dizer. O homem quase não consegue andar. Se espetasse uma espada na sua barriga, dez mil enguias torceriam-se para fora.
(ACOK, Bran II)
Os Umbers e Manderlys são conhecidos por entrarem em conflito por várias questões, como a herança das propriedades da Senhora Hornwood. Independentemente de qualquer trégua atual que possam ter, Mors continua sendo uma pessoa improvável de conter tais comentários depreciativos.
Agora você pode ver que estou começando a afirmar os dois pontos a seguir:
Devo admitir que, até agora, apresentei evidências interessantes, porém circunstanciais.
Não tenho dúvidas de que esses pontos parecem apenas parcialmente sólidos até agora. Mas tenha fé. O resto virá em alguns instantes.

O GRILHÃO DE RUBI

Então, onde está o “grilhão de rubi” - a braçadeira que Melisandre colocou em Mance Rayder em A Dança dos Dragões?
Sabemos que esse grilhão parecia criar e sustentar um glamour (ou ilusão), que Mance Rayder era na verdade Camisa de Chocalho.
Esta parece ser uma ferramenta incrivelmente valiosa, especialmente quando se fala sobre os tipos de atividade furtiva em que Mance e Mors estão envolvidos.
Então onde está? O que pode ser feito com isso?
Mance Revelado
Em primeiro lugar, sabemos que Mance não está usando a braçadeira de rubi, ou que ela pelo menos está desativada. Sua aparência como Abel é muito parecida com sua aparência original em A Tormenta de Espadas:
Uma mulher grávida estava em pé junto a um braseiro, cozinhando algumas galinhas, enquanto um homem grisalho com um esfarrapado manto preto e vermelho estava sentado numa almofada, de pernas cruzadas, tocando uma alaúde e cantando.
(ASOS, Jon I)
O Rei-para-lá-da-Muralha não se parecia em nada com um rei, e tampouco se parecia com um selvagem. Era de média estatura, magro, com feições bem definidas, astutos olhos castanhos e longos cabelos castanhos já quase totalmente grisalhos.
(ASOS, Jon I)
Os dedos de Abel dançavam pelas cordas de seu alaúde. A barba do cantor era castanha, embora seu longo cabelo já estivesse em grande parte cinza.
(ADWD, Theon)
Então, como ele removeu o grilhão de rubi?
O texto deixa claro que o grilhão de rubi não interfere de forma alguma com o livre arbítrio de Mance, conforme implícito no conforto de Melisandre de que suas visões diriam se Mance era uma ameaça para ela, e em ela sentir que ter o filho de Mance é o que obriga a sua lealdade.
Com isso em mente, não há razão para deixar a algema em Mance.
Um fator adicional é o fato de que a Camisa de Chocalho é absolutamente horrível. Ninguém acreditaria que ele é um cantor e artista, e mesmo que acreditasse, sua aparência mereceria mais escárnio do que qualquer outra coisa.
Além disso, Melisandre tem interesse em ver Mance bem-sucedido. Se o grilhão de rubi pode ajudar nessa tarefa, parece não haver razão para que ela interfira. Afinal, a missão de Mance é vital para a campanha de Stannis, quão importantes são os segredos dela em comparação a isso?
As regras do jogo
Melisandre revela alguns dos mecanismos internos de seus glamours:
– Os ossos ajudam – disse Melisandre. – Os ossos se lembram. As seduções mais fortes são construídas com tais coisas. Uma bota de um homem morto, um tufo de cabelo, um saco de dedos da mão. Com palavras suspiradas e orações, a sombra de um homem pode ser tirada de um e vestida em outro como um manto. A essência de quem veste não muda, apenas sua aparência.
(ADWD, Melisandre)
Isso é interessante porque é incoerente com as preferências de Martin sobre a implementação de magia em romances de fantasia:
Eu simpatizo mais com a maneira como Tolkien lidou com a magia. Eu acho que se você vai fazer magia, ela perde suas qualidades mágicas caso se torne nada mais do que um outro tipo de ciência. É mais eficaz se for algo profundamente desconhecido e maravilhoso, e algo que pode tirar o fôlego.
(George RR Martin sobre magia vs ciência: Weird Tales)
Isso sinalizar imediatamente para os leitores de que algo importante está acontecendo aqui: Martin decidiu que revelar o mecanismo interno dos feitiços era mais importante para a história do que preservar o encanto da magia.
Embora isso não seja evidência de nada em particular, certamente deixa aberta a possibilidade de que Martin não apresentou desordenadamente os mecanismos subjacentes do glamour sem um bom motivo. O trecho sobre glamours é notável precisamente porque não é característico de sua representação da magia em As crônicas de gelo e fogo .
Deixando de lado as opiniões de Martin sobre magia na ficção, também é notável que Melisandre forneça essas explicações naquele momento. Afinal, supostamente nunca mais veremos o glamour ou o grilhão de rubi novamente. Por que se preocupar em explicar tudo, se é irrelevante para Mance ou Jon Snow?
Juntas, essas ideias soam como se Martin pensava que os glamours eram importantes o suficiente para explicar aos leitores, sugerindo importância futura.
Quem está com o grilhão?
Se Mance não está usando a algema, onde está?
A melhor maneira de lidar com essa questão é considerar a origem primeira... quem terá autoridade final sobre quem fica com o grilhão?
Melisandre.
Agora reflita:
Faz todo sentido do mundo que ela o deixe usá-lo. Não há absolutamente nenhuma evidência de que Jon o tivesse, e é altamente duvidoso que ela o daria a outra pessoa ou privaria Mance de sua utilidade.
Isso significa que Melisandre deu o grilhão a Mance, colocando-o em posição de dá-la a qualquer pessoa que encontrar. Portanto, a ideia de que Mors Papa-Corvos estava com o grilhão é, no mínimo, plausível.
A ideia de que Mors está com o grilhão faz muito sentido: fornece a ele uma maneira de acessar Winterfell e garantir que tudo esteja pronto para a missão de resgate. Afinal, Mors deve ter considerado a possibilidade de que Mance falhou em sua missão, Mors não poderia simplesmente tocar sua bateria e soprar suas buzinas indefinidamente.
No entanto, fazer 'muito sentido' e ser a resposta definitiva são duas coisas muito diferentes. Será necessário investigarmos mais para tornar esta afirmação convincente.
* * *
Não, não expliquei nem articulei que Mance sabe usar a braçadeira. Mas acredito que o convencimento de que o grilhão será usado pode ser feito sem que este fato seja revelado.

MORTE DE UM RYSWELL

Se eu acredito que Ryswell é um antagonista secreto?
Não. Roger Ryswell está morto .
Deixe-me explicar.
Um broche de cabeça de cavalo
Roger Ryswell usa um broche ímpar para prender sua capa:
um broche de ferro com o formato de uma cabeça de cavalo prendia a capa de Roger Ryswell
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Lembre-se do que Melisandre disse:
– Os ossos ajudam – disse Melisandre. – Os ossos se lembram. As seduções mais fortes são construídas com tais coisas. Uma bota de um homem morto, um tufo de cabelo, um saco de dedos da mão. Com palavras suspiradas e orações, a sombra de um homem pode ser tirada de um e vestida em outro como um manto. A essência de quem veste não muda, apenas sua aparência.
(ADWD, Melisandre)
Parece ser uma observação justa que o broche (e talvez a capa) seria uma fonte ideal para um glamour.
A confusão de Theon
Havia uma passagem no início de A Dança dos Dragões que sempre me intrigara:
Uma coluna de cavaleiros veio logo atrás, liderada por um fidalgote com uma cabeça de cavalo em seu escudo. Um dos filhos de Lorde Ryswell, Fedor soube. Roger, ou talvez Rickard. Ele não sabia quem era quem quando estavam separados.
– Estes são todos? – o cavaleiro perguntou, do alto de um garanhão castanho.
(ADWD, Theon)
Portanto, vemos que Theon tem problemas para diferenciar Roger de Rickard. É possível então que ele pudesse confundir os dois, dentro de determinadas circunstâncias.
Tenho certeza de que a confusão não está presente em situações de grupo, em que seria capaz deduzir qual deles era com base nas ações dos demais. Essa confusão seria mais proeminente em situações em que ele não tivesse outras pessoas para ajudar: em situações silenciosas e solitárias.
A utilização mais proeminente dessa dificuldade ocorre na noite anterior ao início dos assassinatos:
Sob a Torre Queimada, passou por Rickard Ryswell com o nariz enfiado no pescoço de outra das lavadeiras de Abel, a gordinha com bochechas de maçã e nariz achatado. A garota estava descalça na neve, embrulhada em um manto de pele. Ele imaginou que estivesse nua por baixo. Quando ela o viu, disse algo para Ryswell que o fez gargalhar.
(ADWD, O vira-casaca)
É interessante considerar que este aí pode ter sido Roger Ryswell.
A oportunidade
Com base na descrição, a esposa de lança nesta cena é Frenya, uma mulher corpulenta que é bastante habilidosa no combate: na tentativa de fuga, ela conseguiu lutar com uma lança de um dos guardas de Bolton e ferí-lo.
Quando você reflete sobre Frenya estar realmente se atirando sobre Roger (e não Rickard), as hipóteses de repente ganham vida!
Roger está sozinho em uma área isolada de Winterfell, com a esposa de lanças Frenya. A oportunidade de matar Roger para pegar seu broche e sua capa surgiu.
Lembre-se de que os assassinatos começam a acontecer na manhã seguinte a Theon ver Ryswell com Frenya.
A teoria
Usando as ideias que apresentei até agora, gostaria de montar uma teoria sobre Roger Ryswell.
  1. Frenya atraiu Roger Ryswell para o topo da muralha interna de Winterfell. Ela pegou a capa dele e então o empurrou para a morte.
  2. Esta capa foi então atirada ou enviada para Mors Papa-Corvos.
  3. Mors, em posse do grilhão de rubi, usou a capa para parecer Roger e entrar em Winterfell.
  4. Ele então fica por perto, talvez debatendo coisas ou reunindo conhecimentos. Ele participa das investigações dos assassinato, sabotando-as.
  5. Ele encontra Theon na famosa cena do “Homem Encapuzado” e novamente no interrogatório.
  6. Sua presença no interrogatório é o que dá a Mors a confiança de que a missão pode começar.
    Essa teoria faz sentido por alguns motivos:
Vernáculo compartilhado
Sempre houve uma notável semelhança entre duas afirmações, uma feita por Mors Umber e a outra pelo encapuzado:
– Theon Vira-Casaca. Theon assassino de parentes.
– Não sou. Eu nunca... eu era um homem de ferro.
– Falso é tudo o que você era. Como é que ainda está respirando?
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
:::
Em vez disso, ele choramingou através de dentes quebrados e disse:
– Sou...
– ... um vira-casaca e assassino de parentes, – Papa-corvos completou. – Segurará essa língua mentirosa ou a perderá.
(TWOW, Theon – tradução minha)
É notável que pouquíssimas pessoas se refiram a Theon como um assassino de parentes: Mors, Rowan e o Homem Encapuzado.
Mas isso nada se compara ao fato de que o homem encapuzado e Mors chamam Theon de vira-casaca, assassino de parentes e mentiroso / falso ... exatamente na mesma ordem.
Por algum tempo, isso sugeria a possibilidade de Mors ser o homem encapuzado, mas seu olho a menos [de Mors] me impedia de explicar essa possibilidade.
No entanto, a braçadeira de rubi subverte esse problema perfeitamente.
Ocultando o corpo
Vamos revisitar o primeiro assassinato, usando essa teoria como um guia.
Para refrescar sua memória:
Com esta teoria como guia, de repente fica claro: a primeira vítima de assassinato, o corpo enterrado na neve, era na verdade Roger Ryswell.
Em primeiro lugar, há algo muito singular neste assassinato em comparação com todos os outros: o corpo estava escondido.
Os outros assassinatos estavam todos à vista e tiveram um claro componente psicológico. Este corpo não era para ser descoberto:
Se as cadelas de Ramsay não o tivessem desenterrado, ele poderia ter ficado lá até a primavera. Quando Ben Ossos o puxou, Jeyne Cinza havia comido tanto do rosto do morto que meio dia se passou antes que soubessem com certeza quem era: um homem em armas de quatro e quarenta anos que marchara para o Norte com Roger Ryswell.
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
Além disso, é interessante que o rosto tenha sido comido porque tornou a identificação impossível. Caberia quase inteiramente a “Roger Ryswell” apurar a identidade do homem. Talvez seja por isso que Roger foi tão rápido em descartar o corpo como sendo apenas um bêbado.
Mais uma coisa a notar é que “Roger” declara que a vítima provavelmente estava mijando à beira da muralha:
– Um bêbado – Ryswell declarou. – Mijando da muralha, aposto. Escorregou e caiu. – Ninguém discordou. Mas Theon Greyjoy se perguntou por que um homem subiria por degraus escorregadios de neve até as ameias, na escuridão da noite, apenas para mijar.
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
Isso poderia de alguma forma implicar que as calças do homem morto estavam abertas ou abaixadas?
Fosse esse o caso, não poderia ser mais provável que o homem estivesse envolvido em um ato sexual quando caiu e morreu? No mínimo, certamente parece mais plausível que um homem procurasse um canto recluso para fazer sexo no alto das muralhas do que que ele tenha escalado uma muralha para mijar.
Resumidamente, se o morto estivesse no meio de algo que envolvesse seu pênis ficar fora das calças enquanto estava em cima das muralhas, provavelmente seria para sexo e não para urinar.
Se for esse o caso, temos que reconhecer que no dia anterior à descoberta do corpo, Theon viu um Ryswell com Frenya. Naquele momento, Theon observa que Frenya provavelmente “estivesse nua por baixo” da capa de pele de urso. Isso parece implicar que eles estavam fazendo (ou iam) fazer sexo. Minha opinião pessoal é que Frenya atraiu Roger Ryswell para o topo das muralhas, prometendo sexo oral. Durante o ato, ela agiu e o matou.

Preparado o palco

Voltando aos pontos iniciais deste ensaio, há questões que precisam de respostas:
  1. Dado que Mors e Mance colaboraram na missão de resgate, como Mors saberia que Mance estava pronto para levar a missão a cabo?
  2. Como Mance saberia que Mors estava fora de Winterfell, pronto para receber Arya?
  3. Por que Mors permaneceria em segredo fora de Winterfell por um dia ou mais antes de tocar seus berrantes?
Mors poderia facilmente indicar a Mance que ele estava no a postos: os berrantes de guerra fazem isso muito bem.
O verdadeiro problema é informar Mors de que a missão de resgate está pronta para acontecer. Para isso, os selvagens precisam ter algum tipo de sinal ou outra forma de se comunicar com Mors. Também pode haver detalhes específicos que modificam quaisquer planos que Mors e Mance possam ter inicialmente traçado.
Em última análise, Mance e Mors iria precisar de alguma forma de se comunicar. Eu acredito que foi por isso que Mors permanece por vários dias fora Winterfell antes de anunciar sua presença com os berrantes de guerra. Ele usa sua presença icógnita para acessar Winterfell e verificar se tudo está pronto para a tentativa de resgate. Talvez seja por isso que os batedores tenham desaparecido, para garantir o disfarce ou algo semelhante.

IMPLICAÇÕES

Existem algumas idéias (e questões) interessantes que surgem a partir deste ensaio:
O que aconteceu com o grilhão de rubi?
Eu acredito que é entregue a Mance antes da partida final de Papa-Corvos do castelo. Isso ocorre porque há evidências de que isso é fundamental para a “estratégia de saída” de Mance.
Senhora Dustin ou o outro Ryswell não notariam?
Os Ryswells se odeiam abertamente. Eles não prestam muita atenção às nuances do comportamento de seus irmãos.
Os Ryswells eventualmente não perceberiam que Roger estava desaparecido (depois que Mors saiu)?
Eventualmente. Não acho que Mors ou Mance realmente se importariam, e ninguém teria ideia do que realmente aconteceu.
submitted by frdnt to Valiria [link] [comments]


2020.07.10 20:49 gu5t4v0_1 Eu e minha profunda carência

Olá, tenho 18 anos e queria por algo pra fora, é sobre o fato de eu me sentir sozinho pra caralho muito frequentemente, e sei, eu era uma cara totalmente alheio a isso uns anos atrás, hoje tenho 2 apps de encontro no celular e só quero alguém pra conversar e me sentir confortável, comecei a me sentir assim tem uns 2 anos, foi mais ou menos quando consegui minha primeira namorada, antes disso, eu era só um garoto meio carente e que gostava de chamar atenção de formas bem inconvenientes, eu me julguei muito por causa disso por um tempo, mas no final não importa muito, eu era bem imaturo aos 13/15 anos como qualquer outra pessoas, e o fato de até os 12 anos eu não ter amigos na escola ou fora dela, sempre arrumar confusão, ser desgostado pelos professores e os pais não ajudou muito, mas foi uma época de muito aprendizado pra mim, pois foram meus primeiros amigos e minha primeira paixão, que apesar de ter dado mais errado do que certo, me ajudou a ser quem eu sou hoje, voltando ao foco da história com 16 anos eu já me sentia sozinho, nunca tinha sido correspondido na vida, e minha primeira namorada naquela época foi o que eu tive de mais confuso, eu a pedi em namoro um dia depois de sair com ela, ficamos juntos por um mês e eu não aguentei mais a pressão de estar ao lado de alguém e de ter responsabilidade emocional com essa pessoa, pedi pra terminar, ela odiou mas acontece, uns dias depois ela veio me pedir, por meio da amiga dela, pra ficar comigo de novo, só por ficar, de inicio eu recusei mas depois eu aceitei, e não demorou muito até que esse tipo de relação puramente carnal me parecesse insuficiente, depois em um momento de fragilidade emocional eu a pedi em namoro outra vez, dois meses e meio depois, a mesma coisa, dessa vez nos não nos falamos mais, e tem sido quase assim o tempo todo com meus relacionamentos, não consigo me aproximar direito de mulheres porque desde os 12 anos nunca consegui e quando consigo a pressão emocional é enorme e não consigo lidar, acabo tentando suprir minha carência usando os sentimentos de outras garotas e depois, termino como um babaca que as usou, eu não discordo, mas porra, eu quero tentar ter uma conexão com alguém, por que é tão complexo? Eu me sinto um completo fracasso por conta disso, quando sinto q tá chegando nesse ponto com uma garota, sempre tento suprir a falta de sentimento com sexo ou alguma outra coisa, mas é tudo sempre vazio, é sempre uma experiência insensível, e isso me sufoca ainda mais, há pouco mais de um mês conheci uma garota, conversávamos bem, mas um certo dia ela falou que estava apaixonada por mim, e me minha cabeça voltou no tempo, voltou pros meus relacionamentos antigos, onde eu só servia pra usar quem me dava valor e depois descartar, como fiz desde a minha primeira namorada, e poucos dias depois eu cortei relação com ela, eu não quero viver assim, quero arrumar alguém pra conversar, quero alguém pra falar coisas mais íntimas do que as que eu falo aos meus amigos, mas toda vez que eu tento, eu acabo decepcionando a pessoa.
submitted by gu5t4v0_1 to desabafos [link] [comments]


2020.06.18 16:50 epilef_backwards Análise (não tão séria) de The 8th son? Are you kidding me?

Análise (não tão séria) de The 8th son? Are you kidding me?
O texto a seguir vai conter palavrões, zoeiras e um excesso tóxico de ironia. O motivo disso é que esta obra é tão mal feita e patética que não merece a minha seriedade.
Lembram quando eu falei sobre Tower of God ser um completo desserviço à humanidade e sobre como ele seria o pior anime da temporada? Então...devo dizer que a temporada de primavera deste ano está de parabéns por ter conseguido o quase impossível feito de fazer que Tower of God não fosse o seu pior anime. Isso porque se existe uma frase que eu já levava para a vida, e vou levar ainda mais agora, é que tudo que está ruim pode piorar. Eis que chegamos a The 8th son? Are you kidding me?
É claro que eu já sabia que seria ruim. Todos os animes de aventura com nomes grandes são ruins. No entanto, esse aqui me pegou desprevenido por conseguir ser uma compilação de muitas das piores coisas que eu já vi em uma produção audiovisual (sim, é pior que Seikon no Qwaser).
A começar pelo seu roteiro. E que roteiro. HAHAHAHAHAHHAHAHHA.
Ele não somente apresenta todos os clichês imagináveis do gênero, porém, não os utiliza de nenhuma maneira para tentar subverter as nossas expectativas e proporcionar uma experiência menos tortuosa. Mas acredite em mim: esse é o menor problema do roteiro.
Primeiro, vamos aos personagens. Completamente tapados, estúpidos, rasos, sem senso de humanidade, pífios, patéticos, ignorantes, irritantes, desinteressantes e sem nenhuma camada de desenvolvimento, eles só não são piores, narrativamente falando, do que as suas relações. Todas as relações desse anime são forçados da maneira mais insensível e rushada possível. Desde a relação do protagonista com seu mestre à relação sua e seus "amigos". E coloco aspas ao falar amigos porque a "amizade" deles se inicia com ele forçando-os a participarem de uma acontecimento com um nobre daquele mundo. Agora você deve se perguntar o porquê dele "convidá-los". Então, eu também não sei. Não sei não porque não prestei atenção (embora quase dormi diversas vezes ao assistir esse pedaço de lixo), mas, sim, porque o roteiro coloca a razão mais aleatória e sem sentido imaginável. Ao que eu entendi, ele percebeu que aqueles 3 possuíam algo a mais que os demais não porque não desistiam dos "testes". O problema é que só nos é mostrado esses três e mais um ou outro personagem. Não temos 100% de noção se somente eles não desistiram ou não. Porém muito pior que isso são os "testes". HAHAHAHAHAHAHA os testes. Basicamente um do trio "principal", o qual se alia ao protagonista, tira do interior do orifício anal dele que o protagonista estava testando a qualidade dos demais da sua sala. Isso porque, claro, o protagonista é a pessoa abençoada que é mais forte, apenas com cinco anos, do que 90% dos magos existentes daquele mundo. Agora você deve pensar: bom, é claro que todo mundo ridicularizou esse idiota que falou isso já que o protagonista NUNCA fez nada que desse a entender tal coisa. Não, não somente ninguém o ridiculariza ou espanca ele ou qualquer coisa plausível na situação como eles CONCORDAM e SEGUEM essa ideia de "teste do protagonista". WHAT IN THE ACTUAL FUCK? POR QUE ELES ACEITARAM? ISSO LITERALMENTE NÃO FAZ O MENOR SENTIDO. E mais: não é como se esse cara que falou tivesse qualquer ligação com as demais pessoas da classe da suposta "escola" de aventureiros. Simplesmente ele era tão novato quanto todo mundo e veio com uma ideia ridiculamente absurda dessa. Mas é claro, mais absurda do que a ideia é a pessoa que a escreveu. Mas, novamente, relaxa, esse não é a pior convenção do roteiro. Não, não, ele fica pior. Muito pior.
A situação se transforma numa catástrofe maior quando falamos do protagonista. Muito mais do que clichê, raso, patético, irritante, sem graça e estúpido, falamos de um cara que tinha 25 anos na sua vida original e age como uma criança de -12. O que quero dizer com isso é que ele só apresentava um corpo de criança/jovem. Ele tinha VINTE E CINCO anos e começou a agir como um completo retardado mental a partir do momento que viajou ao mundo de fantasia (viagem essa que nem sequer tentou ser explicada pelo roteiro bananada). E muito pior do que isso: se ele já existia naquele mundo, como é possível que ninguém da família dele percebeu algo de estranho? Alguma mudança de comportamento? Mas é, eu acho que estou sendo um pouco rígido de mais uma vez que a mesma família literalmente não percebeu que o moleque sumia durante dias e voltava com um monte de comidas exóticas àquela região (para ser sincero, o pai dele até percebeu da primeira vez, no entanto, o roteiro apagou esse fato da existência pois enfim, sabe como é, não podemos ter problemas no andamento da estória XDXDXD).
Pior que a família mongoloide do moleque é o seu professor: quem, tirando o roteirista do anime, fala algo como "você vai ser um mago muito mais forte que eu" no primeiro encontro com alguém? O cara literalmente nem sequer tinha visto o menino em ação direito e já falou algo assim. Mas bem como o personagem do professor é completamente subutilizado e irritante, pior que ele é o treinamento imposto por ele ao protagonista (cujo nome sequer habita nas mais profundas camadas do meu subconsciente de tão lixo que ele e seu anime são). Não somente ele não faz o menor sentido como utiliza de certos artifícios como a transferência de poder que absolutamente não fazem sentido. Então quer dizer que pelo simples fato do professor falar como a magia se realiza o moleque já vai saber conjurá-la de maneira perfeita? Que dois dias depois do início do treinamento ele literalmente se equipara aos grandes magos do mundo?
O treinamento fica pior quando chega no ponto do professor do protagonista transferir seu poder a ele. Entendam a situação: eu falo de um dos top magos do mundo e de um moleque de 5 anos. Em que planeta ele conseguiria aguentar tamanha força/passagem de energia? Em nenhum. Em nenhum, claro, à exceção desse mundo. Mas calma. Vai além.
A relação dos dois é completamente forçada e sem nenhum toque de emotividade. Contudo, o roteirista do anime acreditou, em um de seus devaneios-os quais devem ser de onde o roteirista tirou uma escrita tão porca e lixosa-, que tal relação era orgânica e que seria muito bacana colocar uma cena comovente do aluno expurgando o seu professor que, na realidade, era um morto-vivo. Lembra quando eu disse que essa merda de um morto-vivo/assombração/visão treinar os protagonistas iria pegar depois de Kimetsu? Então, a desgraça já começou a acontecer (PS: Não funciona). A cena é patética e só demonstra como o roteiro cria TUDO à força e sem NENHUM toque de sensibilidade. Quem escreveu isso aqui tem a mesma sensibilidade uma melancia em uma loja de cristais.
Logo depois do fim do seu treinamento, o roteiro jumpa 10 anos (ou algo próximo) no futuro e o protagonista basicamente se tornou o mago mais poderoso do mundo treinando por conta própria. É, nem sequer auxílio de livros ele teve. Mas é claro, para o personagem que aprendia a usar uma magia perfeitamente só pelo seu mestre falar sobre ela, não é de se espantar que ele consiga treinar sozinho e se torne o mago mais forte de todos.
Ele adentra em uma escola de aventureiros e basicamente durante um episódio temos o ápice do roteiro juvenil. Lembra quando você, garotinho de 11 anos pós término de Sword Art Online, ficava imaginando como seria ser um cara super overpower para chegar na escola e todo mundo babar seu ovo? Pois é. No caso de 8th son, o roteirista trouxe esse seu sonho de infância à tona no protagonista da história. Literalmente ele sequer mostrou qualquer tipo de habilidade e absolutamente TODOS os demais já DESISTIRAM da escola porque era muita humilhação ter alguém tão foda e picudo com elas.
Calma...
HAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHA.
Após isso, ele se junta aos seus aliados da maneira como eu já falei e o anime se torna um compilado de histórias estúpidas montadas de uma maneira cancerígena aos sentidos.
Mas antes de dar procedimento, preciso comentar de uma das cenas que mais me fizeram rir na história da animação japonesa. Sério mesmo, eu engasguei de tanto rir.
E essa é a cena do dragão de ossos.
Basicamente o nosso herói e o seu grupo de personagens clichês se junta para ir a uma cidade próxima porque o protagonista é literalmente MUITO foda para ficar na escola de aventureiros. O problema aqui, antes de falar sobre o Dragão (HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHA), é que não há nenhum sentido nos outros três largarem a escola. Eles, embora considerados muito fortes, não são nem 5% do protagonista. Os três juntos quase morriam para lobos e tiveram que ser salvos pelo protagonista. Mas é, foda-se, eles simplesmente largaram a escola de aventureiros e foram se tornar aventureiros por conta própria sendo carregados pelo protagonista.
Para irem à cidade, utilizaram o método de viagem aparentemente mais rápido do mundo que é o navio mágico, um navio que voa graças à magia. Um método muito seguro e que não apresenta riscos de, por exemplo, cair. Bom, é aí que começa a cena.
O cara responsável por levar eles nessa travessia é o professor do professor do moleque. Ele fala sobre como a viagem é segura e que somente caso aparecesse um Dragão que o navio poderia cair. E adivinha o que aparece ao fundo no exato momento. Sim, um Dragão.
Calma...
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
Eu comecei a rir de maneira quase descontrolada nesse ponto. Mas relaxa, vai ficar pior (ou melhor).
O Dragão de Caveira é uma das criaturas mais fortes existentes. Portanto, o seu visual PRECISA ser ameaçador, imponente e perigoso. O problema é que o visual dele é feito com base no pior 3D possível. Não somente destoa completamente do cenário como, por ser um 3D de qualidade abaixo da de Berserk, deixa o seu visual tudo menos amedrontador e de algo que pareça ser uma das criaturas mais fortes existentes. Os seus ataques são completamente pastelões e sequer triscam o protagonista (devo lembrá-los que era a primeira batalha do protagonista, o qual deveria ter não mais que 15 anos na cena, e justamente contra uma das criaturas mais fortes de todas). Contudo, nada é pior do que os efeitos sonoros da criatura.
Os efeitos sonoros dela, sem nenhuma brincadeira, lembram sons de batidas de cocos. BATIDAS DE COCOS.
A FEKEN CRIATURA MAIS FORTE DO PLANETA TERRA E DO MUNDO BANANADA DO PROTAGONISTA SE MOVE FAZENDO SOM DE BATIDA DE COCO
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
Eu estourei de rir nesse momento. Simplesmente os sons são de uma qualidade tão péssima que geram um efeito cômico no que é para ser uma das cenas de batalha do anime. É literalmente hilário o quão ruim esse show é.
Agora lembrem do que eu disse: nada está ruim que não possa piorar.
Abaixo da qualidade audiovisual patética e do roteiro escrito por um fugitivo da APAE, temos a direção dessa bagaça (a qual eu já dei uma palha quando comentei acima sobre os efeitos visuais e sonoros).
Em poucas palavras, ela é o pior pedaço de merda audiovisual lixoso autista aidético já contemplado pela humanidade. Os diálogos são os piores em eras: expositivos, vergonhosos e sem sentido (existem horas que o que um personagem fala LITERALMENTE NÃO SE ENCAIXA COM O QUE ESTÁ ACONTECENDO. Um exemplo disso é quando o personagem principal pergunta a um outro personagem se algo seria x Ou y. Sabem o que o outro personagem responde? Sim. ELE RESPONDEU SIM A UMA PERGUNTA DE X OU Y. QUEM ESCREVEU ESSA MERDA CARA? HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA).
Mas nenhum diálogo supera o da cena que o protagonista expurga o seu professor. Nada que eu fale vai ser suficiente para a mesquinhez dele, portanto, assista por conta própria. É no final do episódio 2. Feche seus olhos e só ouça o diálogo.
A montagem das cenas...ah, a montagem das cenas. Vocês acreditam em mim se eu falar que esse anime tem problemas na MONTAGEM das cenas e dos diálogos? Coisas do tipo: um personagem estava em certa pose e no segundo seguinte ele está com a mesma pose só que de outra maneira. Um exemplo disso: um personagem (sequer lembro qual, acho que era o protagonista) aponta para o rosto. Na cena imediatamente seguinte ele permanece na mesma posição de apontar para si mesmo, contudo, aponta para o PEITO e não para o rosto. Um outro exemplo é quando o personagem pergunta algo para uma personagem e OUTRO cara responde a pergunta. WTF?.
Outro recorrente ponto na montagem das cenas aqui é que eu tive a ligeira impressão que houveram cenas cortadas. Do tipo: tal personagem vira e pergunta "Hm, o que você disse?" sendo que ABSOLUTAMENTE NINGUÉM FALOU NADA. Ou então x personagem se refere a algo que ele havia dito quando na verdade ele nunca realmente disse tal coisa (e sequer um flashback nos é mostrado). As transições entre cenas são feitas de uma maneira abrupta e que demonstram total inabilidade da direção mesmo em seus quesitos mais básicos. O corte é feito repentinamente e de maneira tão porca que, muitas vezes, corta a FALA DA PERSONAGEM.
Calma...
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA.
Sim, é nesse ponto que a patetisse da produção desse anime chega.
E eu nem preciso tocar nos demais pontos tangentes à animação e à trilha sonora, certo?
A animação ficaria datada na década de 70 e a trilha sonora é forçada e sem graça. Aliás, sobre a animação, devo dizer que as escolhas estéticas sequer fazem sentido. O exemplo mais claro é a invocação de uma habilidade: um círculo tech aparece antes de uma skill ser conjurada. Por quê? Devo lembrá-los que esse anime se passa no feudalismo. Por que diabos tem um efeito que mais parece ter saído de Sword Art Online? A resposta é clara: porque a direção pateta não tem a menor criatividade para fazer algo além do que já foi feito infinitas vezes e caí no óbvio até mesmo nas escolhas visuais presentes no show.
As cenas de ação foram gravadas tentando cumprir o recorde mundial de cortes por segundo e não passam nenhuma sentimentalidade e emoção. Existem horas que são 3/4 cortes em questão de segundos. SÉRIO.
Veredito
Eu preciso parabenizar a produção dessa bomba por ter conseguido retirar o título de pior anime da temporada de Tower of God. Em poucas palavras: The 8th son? Are you kidding me? É o pior anime do ano (a menos que alguma produção tente copiar o feito da desse show e faça um cristal de merda como esse) e um dos piores de toda a existência da animação japonesa. Ele falha em absolutamente tudo que não aumentar a minha tolerância para animações.
E digo mais: Tower of God tem que agradecer essa abominação em formato de show por ter me feito repensar a nota que eu iria dar para ele.
Nota final: 0.
O elenco pateta e os vilões água com açúcar da série. Só para que você saiba: a garota atrás do protagonista tem 12 anos e tem cenas...meio bizarras, eu diria, ao longo do show porque os produtores acharam que seria uma boa ideia fazer isso :D
submitted by epilef_backwards to u/epilef_backwards [link] [comments]


2020.06.15 04:52 altovaliriano Shae (Parte 3)

Uma prostituta aprende a ver o homem, não seu traje, caso contrário acaba morta numa viela.
(ACOK, Tyrion X)
Martin começa a trajetória de Tyrion em A Tormenta de Espadas já estabelecendo o destino de Shae. Tywin e Tyrion estão discutindo sobre a sucessão de Rochedo Casterly quando entram no assunto sobre Alayaya, Tysha e Shae. Curiosamente a pergunta parte do próprio Tywin:
E aquela seguidora de acampamentos no Ramo Verde?
Que importa? – perguntou, sem querer nem mesmo proferir o nome de Shae em sua presença.
Não importa. Não mais do que me importa que elas vivam ou morram.
(ASOS, Tyrion I)
Como sabemos pelo último capítulo, Tywin se importa, sim. Shae aparece no julgamento testemunhando contra Tyrion e falando de estar com ele desde Ramo Verde, um detalhe que dificilmente escaparia a Tywin. Além disso, nesta primeira conversa, o pai de Tyrion completa com uma sentença interessante:
E não tenha ilusões: esta foi a última vez que tolerei que trouxesse vergonha à Casa Lannister. Acabaram-se as putas. A próxima que encontrar em sua cama, vou enforcar.
(ASOS, Tyrion I)
E interessante que Tywin tenha ameado enforcar Shae se a encontra-se na cama de Tyrion, pois, como o verbete sobre Shae na Wiki Gelo e Fogo sinaliza, Tyrion fez exatamente isso com Shae quando a encontra na cama do pai em seu último capítulo do livro.
A primeira vez que vimos Shae foi em um encontro no quarto de Varys, à pedido (e insistência) de Tyrion. O anão havia determinado que usaria este encontro para dar um fim na relação com Shae, em decorrência das ameaças do pai, especialmente depois que Tywin citou explicitamente a “seguidora de acampamentos no Ramo Verde” logo no capítulo anterior.
O encontro parece ser um encontro típico entre os dois, exceto que há nas duas partes desejos ocultos. Tyrion quer tirar Shae da corte e Shae deseja exatamente o contrário. Quando Tyrion aborda o assunto de maneira direta, a garota troca imediatamente de assunto, procurando massagear o ego do anão:
Shae – disse –, querida, esta tem de ser a última vez que ficamos juntos. O perigo é grande demais. Se o senhor meu pai encontrá-la...
Gosto da sua cicatriz. – A moça percorreu-a com um dedo. – Faz com que pareça muito feroz e forte. [...] O senhor nunca será feio aos meus olhos. – Ela beijou a escara que cobria os restos destroçados do seu nariz.
(ASOS, Tyrion II)
Shae insiste em não dar ouvidos a Tyrion durante toda a conversa, se limitando a tentar manipulá-lo a deixar ficar na capital. Toda aquela compaixão pelo novo ferimento adquirido de Tyrion não contém qualquer coerência, porque a garota continua tão inescrupulosa e insensível quanto era em A Fúria dos Reis. Sua maior preocupação ainda são bens materiais e sua falta de empatia por Lollys Stokeworth ainda é gritante:
[…] O senhor vai me devolver agora as joias e as sedas? Perguntei a Varys se ele podia me dá-las quando você foi ferido na batalha, mas ele não quis. Que teria acontecido com elas se tivesse morrido? [...]
Posso ir ao banquete de casamento do rei? A Lollys não quer ir. Disse-lhe que ninguém deverá estuprá-la na sala do trono do rei, mas ela é tão burra.
(ASOS, Tyrion II)
Entretanto, nem tudo é repetição nessas frases arrogantes de Shae. No meio de tudo, há uma pequeno trecho de diálogo de importância futura. Quando Tyrion tenta fazer com que a prostituta compreenda o perigo que Tywin oferece à vida dela, a garota apenas responde “Ele não me assusta”.
Esta simples sentença revela que GRRM estava sutilmente costurando elementos nesta primeira conversa que seriam trazidos de volta novamente na última cena de Tyrion e Shae juntos. Quando a garota o vê nos aposentos do pai, ela se assusta e começa a disparar justificativas. Entre estas justificativas, ela justamente se contradiz dizendo “Por favor. Seu pai assusta-me tanto” (ASOS, Tyrion XI).
Naquele primeiro diálogo, Shae sabia que Tyrion havia perdido seu cargo e, com isso, até mesmo sua permanência como aia de Lollys dependia inteiramente de ela manter seu disfarce. Àquela altura, o anão não tinha mais poderes de lhe arranjar uma nova colocação para ela, e por essa razão a garota sabia que tinha que tentar extrair de Tyrion o máximo que conseguisse.
Com isto em mente, fica claro que GRRM faz da cobrança de promessas antigas uma metáfora visual para Shae tentando segurar Tyrion via dominação sexual. Segundo o próprio Tyrion (ASOS, Tyrion VII), seu pênis era o orgão responsável por fazê-lo agir tolamente frente a manipulação da garota. E é justamente por aí que Shae o está segurando na cena, literalmente:
Não quero sair. O senhor me prometeu que eu voltaria a me mudar para uma mansão depois da batalha. – A boceta dela deu-lhe um pequeno apertão, e ele começou a enrijecer de novo, dentro dela. – Um Lannister sempre paga as suas dívidas, você disse.
(ASOS, Tyrion II)
Ao perceber que não vai conseguir nada por esta via, Shae passa a falar sobre o casamento de Joffrey e elabora um plano para que Tyrion a leve consigo, em troca de favores sexuais durante a festa. Aqui a garota não está mais se valendo da dominância, mas tentando persuadir o anão. Por isso, Shae passa a afagar o órgão sexual ao invés de prendê-lo:
– […] Eu encontraria um lugar em algum canto escuro abaixo do sal, mas sempre que se levantasse para ir à latrina, eu poderia escapulir e ir encontrá-lo. – Envolveu a pica dele nas mãos e afagou-a com suavidade. – Não levaria roupas de baixo sob o vestido, para que o senhor nem precisasse me desatar. – Os dedos dela brincaram com ele, para cima e para baixo. – Ou, se quisesse, podia fazer-lhe isto. – Enfiou-o na boca.
(ASOS, Tyrion II)
Quando Tyrion mostra que está veementemente decidido a que ela não deixá-la ir, Shae se retrai para a cortesia fria. Tyrion está pensando em como concederia facilmente o desejo de Shae, caso o pai não tivesse ameaçado enforcá-la, contrariando o que ele disse em A Fúria dos Reis, sobre o amor por Shae envergonhá-lo:
Se a escolha fosse sua, ela poderia sentar-se a seu lado no banquete de casamento de Joffrey, e dançaria com todos os ursos que quisesse.
(ASOS, Tyrion II)
Eu atribuo essa mudança de postura (de amor proibido envergonhado para amor proibido cauteloso) ao momento de Tyrion, em que ele perdeu todo o prestígio e está tentando se agarrar na única coisa de seu momento glorioso que ainda tem: Shae.
Em verdade, o comportamento de Shae espelha o de Tyrion. Ambos estão tentando arranjar um jeito de manter seu status. O anão também está tentando voltar ao poder pelas vantagens terrenas que ele oferece e não mais para “fazer justiça”. Naquele momento, Tyrion estava sendo a Shae de Tywin, pois está a todo custo tentando reivindicar direitos e reconhecimentos de seu pai.
O surpreendente é que após toda a teimosia de Tyrion, Shae finalmente cede a seu instinto de autopreservação e dá a Tyrion um parágrafo inteiro de resignação e obediência, ao fim do qual Shae apela para o cavalheirismo de Tyrion e lhe arranca uma promessa:
[...] Gostaria de ser a sua senhora, mas não posso. Se fosse, você iria me levar ao banquete. Não importa. Gosto de ser rameira para o senhor, Tyrion. Basta que me mantenha, meu leão, e que me mantenha a salvo.
Manterei – prometeu ele. Tolo, tolo, gritou a sua voz interior. Por que disse isso? Veio aqui para mandá-la embora! Em vez disso, voltou a beijá-la.
(ASOS, Tyrion II)
A prostituta parece entender que o novo momento de Tyrion exige dela uma abordagem diferente. Em suas palavras, de um homem poderoso que poderia desafiar o mundo por ela, ele agora era um cavaleiro que a protegia e resgatava do perigo:
Pensava que o senhor tinha se esquecido de mim. – O vestido dela encontrava-se pendurado em um dente negro quase tão alto quanto ela, e a moça estava em pé dentro das mandíbulas do dragão, nua. […] – O senhor vai me arrancar de dentro das mandíbulas do dragão, eu sei. [...]
Meu gigante – ela ofegou quando a penetrou. – Meu gigante veio me salvar.
(ASOS, Tyrion VII)
Shae veste tão bem a fantasia de donzela que chega a declarar seu amor a Tyrion e Tyrion responde em pensamento. Porém, por alguma ironia do destino, a prostituta estava querendo lhe fazer pensar que ele era um cavaleiro, enquanto o próprio Tyrion queria lhe casar com um cavaleiro de verdade para se ver livre dela:
E eu também a amo, querida. Podia ser uma prostituta, mas merecia mais do que o que ele tinha para dar. Vou casá-la com Sor Tallad. Ele parece ser um homem decente. E alto…
(ASOS, Tyrion VII)
É curioso como este é o único efeito colateral do novo estratagema de Shae. Tyrion fica tão embrigado pela ideia de ser o cavaleiro salvador da garota, que ele tem um momento de desencanto quando a prostituta sequer teme perdê-lo ao saber de seu casamento com Sansa Stark:
[…] Não me importa. Ela é só uma garotinha. Vai deixá-la comuma barrigona e voltar para mim.
Uma parte dele tinha esperado menos indiferença. Tinha esperado, escarneceu amargamente, mas agora sabe como é, anão. Shae é todo o amor que provavelmente terá.
(ASOS, Tyrion IV)
Eu penso que a indiferença de Shae se fundava em ela saber que somente corria perigo se Tyrion arranjasse outra prostituta como amante. Ela estava ciente do quão sexualmente indesejável ele era para a maioria da população de westeros e como ele era complexado com sua aparência e traumatizado com relações amorosas. Portanto, um casamento arranjado com uma jovem nobre donzela realmente não lhe representava perigo algum. Ela até mesmo tenta pedir na frente de Tyrion que Sansa a leve ao casamento de Joffrey, demonstrando que seu objetivo de participar da boa é sua real prioridade.
Porém, não há que se dizer que Shae é uma pessoa desprovidade de sonhos e fantasias. O fato é que esta fantasias não são românticas, mas delírios com mudanças de status social, luxos e riquezas. Quando Sansa a chama para ver uma nuvem no céu que parece um castelo:
É feito de ouro. – Shae tinha cabelos escuros e curtos e olhos ousados. Fazia tudo o que lhe era pedido, mas às vezes dirigia a Sansa os mais insolentes dos olhares. – Um castelo todo feito de ouro, aí está uma coisa que eu gostaria de ver.
(ASOS, Sansa IV)
Ou quando conversava com Sansa sobre Ellaria Sand e a garota apresenta sua versão dos fatos em que Ellaria seria uma espécie de Shae que “deu certo” em razão do relacionamento com Oberyn:
Era quase uma prostituta quando ele a encontrou, senhora – confidenciara a aia – e agora é quase uma princesa.
(ASOS, Sansa IV)
E são suas fantasias por status e luxo que a levam a testemunhar contra Tyrion a pedido de Cersei. O depoimento de Shae acontece logo antes de o anão pedir o julgamento por combate. Dessa forma, tudo o que a garota diz se torna juridicamente irrelevante de uma hora para outra. Essa manobra de Tyrion acaba por fazer com que Cersei se livrasse da obrigação de cumprir sua parte do acordo:
Shae, o nome dela era Shae. A última vez que tinham conversado fora na noite anterior ao julgamento por combate do anão, depois de aquele dornês sorridente ter se oferecido como seu campeão. Shae inquirira acerca de umas joias que Tyrion lhe oferecera, e de certas promessas que Cersei poderia ter feito, uma mansão na cidade e um cavaleiro que a desposasse. A rainha deixara claro que a prostituta não obteria nada até que lhes dissesse para onde fora Sansa Stark.
(AFF, Cersei I)
Interessante notar que o acordo feito por Shae consiste apenas no que Tyrion já tinha em mente em lhe dar.
O depoimento de Shae é uma peça que me chama bastante a atenção. A garota não só conta como Tyrion supostamente teria lhe tomado como amante à força e confidenciado os planos de matar Joffrey durante sua última noite juntos. Shae revela ali, perante Tywin, que era seguidora de acampamento do Ramo Verde:
Nunca quis ser uma prostituta, senhores. Estava noiva. Ele era um escudeiro, um rapaz bom e corajoso, de bom nascimento. Mas o Duende viu-me no Ramo Verde e pôs o rapaz com que meu queria casar na primeira fila da vanguarda, e depois de ele ser morto ordenou aos selvagens que me levassem à sua tenda. Shagga, o grande, e Timett, como olho queimado. Ele disse que se não lhe desse prazer, me entregava a eles, e portanto eu dei. Depois trouxe-me pra cidade, pra ficar por perto quando ele me quisesse. Obrigou-me a fazer coisas tão vergonhosas […]. Ele usou-me de todas as maneiras que há e… costumava me obrigar a dizer como ele era grande. O meu gigante, eu tinha de lhe chamar, o meu gigante de Lannister.
(ASOS, Tyrion X)
Como esta parte do depoimento era completamente desnecessária, eu fico me perguntando se ela foi bolada pela própria Shae, Varys ou Cersei. Sabemos que a garota é capaz de mentir, mas não vimos coisas com este tipo de elaboração. Como Varys é quem estava administrando o disfarce de Shae, fornecendo -lhe até histórias falsas sobre seu passado para que contasse à Tanda Stokeworth, acredito que tenha sido ele quem a orientou a assim depor.
Porém, qualquer seria o objetivo disto? Apenas para ele próprio se safar da acusação de que estava trazendo informações erradas a Cersei, algo que já lhe preocupava (ASOS, Tyrion VII)? Ou Varys queria que o depoimento de Shae chamasse a atenção de Tywin?
De fato, em uma entrevista em 16 de junho de 2014 à Entertainment Weekly, afirmou que a questão entre Varys, Shae, Tyrion e Tywin é algo que ele fará revelações nos próximos livros:
EW: Certo, e há também a questão da surpresa da hipocrisia de Tywin quando ele [Tyrion] a encontra na cama dele. Tywin sabia que ela era uma prostituta [na versão do livro isso não fica claro]? Ou ele simplesmente não ligava?
GRRM: Ah, eu acho que Tywin sabia sobre Shae. Ele provavelmente adivinhou que ela era a seguidora de acampamento que ela havia expressamente dito “você não levará aquela puta para corte”, mas que Tyrion o havia desafiado e levado "aquela puta" à corte. Quanto ao que exatamente ocorreu aqui, é algo sobre o qual não quero falar, porque há aspectos disso que eu não revelei e que serão revelados nos próximos livros. Mas o papel de Varys em tudo isso é algo para se levar em consideração.
Esta entrevista deu fundamentos para que os leitores passassem a acreditar que Varys teria influenciado Tyrion a matar Tywin. Mas, para fins desta análise, nos cabe apenas ver a situação da ótica do que aconteceu com Shae, quem até mesmo pela teoria acima seria um alvo secundário.
Assumindo que Varys tenha orientado Shae a dar este depoimento para chamar a atenção de Tywin, como é que isso a colocaria na Torre da Mão na noite anterior à execução de Tyrion? Sabemos que Cersei mandou Shae embora ás lágrimas na noite entre o depoimento de Shae e o julgamento por combate entre Gregor e Oberyn, então somente depois desta noite é que Shae provavelmente estaria suporte. Caso ela já estivesse sendo sondada por Tywin, dificilmente sairia chorando...
Eu alimento uma teoria que o ponto que fez Tywin se interessar pela garota foi a bajulação que ela confessou fazer a Tyrion. “Meu gigante de Lannister” parece ser o tipo de frase que agradaria um homem como Tywin debaixo dos lençóis. A partir daí, bastaria que Varys fizesse uma sugestão aqui, outra acolá e de repente Tywin já estava pedindo a alguém que enfiasse a menina em seus aposentos na noite seguinte.

Declarações de GRRM sobre Shae

submitted by altovaliriano to Valiria [link] [comments]


2020.06.01 01:26 altovaliriano Shae (Parte 1)

Uma prostituta aprende a ver o homem, não seu traje, caso contrário acaba morta numa viela.
(ACOK, Tyrion X)
A primeira vez que conhecemos Shae, ela já está fora da tenda de Tyrion, dividindo uma fogueira com Bronn, Podrick, um criado e um cavalariço.
Eu gosto de mencionar Podrick, o criado e o cavalariço, pois muito se fala sobre Bronn e Shae serem agentes de Tywin ou de outra pessoa, mas muito mais fácil que os informantes sejam estes servos a quem Tyrion não presta atenção nem tem qualquer relação especial. Shae trabalhar para outra pessoa é algo que abordarei ao longo do texto.
Retornando, quando Shae nos é apresentada percebemos o quão esperta a garota é. Sua primeira fala no livro já é uma demonstração de autonomia e articulação.
É ela? – perguntou a Bronn.
Ela se ergueu num movimento gracioso e olhou para ele, da majestosa altura de um metro e meio ou mais.
É, senhor, e ela pode falar por si mesma, se assim quiser.
(AGOT, Tyrion VIII)
Já sua segunda fala nos deixa claro que Shae tanto é ousada quanto divertida, capaz de entreter de Bronn a Tyrion.
Sou Tyrion, da Casa Lannister. Os homens chamam-me Duende.
Minha mãe chamou-me Shae. Os homens chamam-me… com frequência.
Bronn deu risada, e Tyrion teve de sorrir.
(AGOT, Tyrion VIII)
Mas esta troca de palavras inicial não serve apenas para que saibamos sobre as qualidades mentais de Shae. Em meio ao atrevimento e piadinhas espertas, temos os primeiros indícios que Shae já é uma prostituta experiente.
Mais tarde, em A Fúria dos Reis, saberemos que Shae contou a Tyrion que era abusada sexualmente pelo pai e que fugiu de casa. A forma trivial como o assunto é discutido entre Tyrion e Shae parece reforçar a ideia de que este passado trágico não é recente e que Shae já se prostitui há algum tempo.
Outro momento em que a experiência de Shae fica clara é quando a garota negocia seu futuro relacionamento com Tyrion. Primeiro, ela estabelece sem pudor que cobrará mais caro para se portar com sinceridade perante Tyrion:
O que me agradaria seria obter de você a verdade, garota.
Está bem, mas isso custará o dobro.
(AGOT, Tyrion VIII)
Para completar, quando Tyrion lhe propõe comprar sua fidelidade, Shae também aceita com naturalidade os termos do anão, sem barganhar ou ficar impressionada:
Sou um Lannister. Tenho ouro com fartura, e pode descobrir que sou generoso… Quero mais de você do que aquilo que tem entre as pernas, embora também queira isso. Partilhará a minha tenda, encherá meu copo de vinho, rirá dos meus gracejos, massageará as minhas pernas doloridas depois de cada dia de marcha… e quer se mantenha comigo durante um dia ou um ano, enquanto estivermos juntos, não levará nenhum outro homem para a sua cama.
É justo – ela estendeu a mão até a bainha do vestido de ráfia e tirou-o pela cabeça, num movimento suave, atirando-o para o lado. Por baixo, nada havia a não ser Shae. – Se não apoiar essa vela, meu senhor vai queimar os dedos.
(AGOT, Tyrion VIII)
O comportamento de Shae parece indicar que este tipo de relação não é novo para ela. Entretanto, é justamente nesse ponto que as aparências e circunstâncias da garota voltam a ser relevantes. Shae é achada seguindo um acampamento de guerra, usando um vestido de ráfia e seu cliente original era um cavaleiro de baixa patente:
Tirei-a de um cavaleiro. O homem estava relutante em desistir dela, mas o seu nome mudou um pouco a maneira dele de pensar… isso e o meu punhal em sua garganta.
Magnífico – disse secamente Tyrion, sacudindo as últimas gotas. – Acho que me lembro de ter dito encontre-me uma prostituta, e não me faça um inimigo.
Tyrion perguntou-lhe pelo homem de quem Bronn a tirara, e ela disse o nome de um servidor de um fidalgo insignificante.
(AGOT, Tyrion VIII)
Nós sequer podemos arguir que o cavaleiro poderia a ter enganado. Primeiro porque, como Shae diz na citação que inaugura este texto, uma prostituta esperta precisa enxergar o homem e não o traje dele. Em segundo lugar, por que a própria Shae admitiu saber que ele era uma pessoa insignificante:
Não é preciso temer homens como ele, senhor – disse Shae, com os dedos atarefados em seu membro. – É um homem pequeno.
(AGOT, Tyrion VIII)
Portanto, Shae não é uma cortesã ou alguém acostumado a luxos, como alguns leitores mais imaginativos cogitam. Na verdade, sua ousadia parece decorrer do instinto de sobrevivência de uma pessoa de ‘nascimento baixo’ e toda a sua esperteza não a impediu de ser nada mais do que a prostituta de um “homem pequeno” em um acampamento de guerra. Em outras palavras, Shae tirou a sorte grande quando foi escolhida para Tyrion. Ela não tinha nenhum grande plano na manga.
Mas, verdade seja dita, Shae deve ter feito o cálculo de custo-benefício antes mesmo de ter sido trazida à tenda de Tyrion. Afinal, o próprio Tyrion exigiu a Bronn que a prostituta que este arranjasse deveria ser avisada que seu cliente era um Lannister e um anão:
[…] Assegure-se de lhe dizer quem sou e a previna do que sou.” Jyck nem sempre se incomodara em fazer aquilo. Havia um olhar que as moças por vezes davam quando vislumbravam pela primeira vez o fidalgo a quem tinham sido contratadas para satisfazer… um olhar que Tyrion Lannister não queria ver nunca mais.
(AGOT, Tyrion VIII)
Então, quando Shae apareceu na vida de Tyrio, tudo que ela poderia esperar era acompanhá-lo durante o tempo da batalha. Shae não estava procurando agradá-lo mais do que isso. Tyrion a mantém em sua tenda, depois em seu quarto na Estalagem da Encruzilhada e somente na última linha de seu capítulo em A Guerra dos Tronos é que fala em levá-la a Porto Real.
Na verdade, do jeito como a conversa com Tywin se desenrola, fica parecendo que o próprio Tyrion não havia cogitado levar Shae consigo até que seu pai menciona isso:
Uma última coisa – disse ele da porta. – Não levará a prostituta para a corte.
Tyrion ficou sozinho na sala comum durante um longo tempo depois de o pai ir embora. Por fim, subiu os degraus até suas acolhedoras águas-furtadas sob a torre sineira. [...]
Tenho em mente levá-la para Porto Real, querida – sussurrou.
(AGOT, Tyrion X)
Uma vez que no capítulo anterior fica claro para Tyrion que o Tywin o pôs na esquerda do exército sem contar que pretendia deixar esse arregimento ser massacrado (a ponto de Tywin confessar isso), eu acredito que Tyrion só resolveu levar Shae a Porto Real como um insulto à ordem do pai e não porque necessariamente estava apaixonado pela garota.
Mas com isso não quero dizer que Tyrion já não projetava sua carência sobre Shae. Este tipo de coisa já estava sendo plantado por Martin desde a primeira noite do anão com ela. Tyrion já gostara da objetividade de Shae enquanto prostituta, de seu comportamento contraditório (espacialmente do sorriso que alternava entre (“tímido, insolente e malvado”) e de suas características físicas. Estas últimas eram as que tinham mais relação com seu amor perdido.
De fato, uma coisa notável é que Tyrion avalia Shae como “aparentemente com não mais de dezoito anos”. Portanto, jovem o suficiente para parecer um fantasma de sua relação adolescente com Tysha, mas não jovem a ponto de ser uma segunda Tysha na cabeça dele (que até o momento achava que Tysha era uma prostituta).
Por outro lado, inconscientemente, Tyrion denuncia ao leitor que sua primeira noite com Shae tem alguma forma de paralelismo com a experiência que teve com Tysha. Na estrada de altitude com Bronn, Lannister explica que a canção myresa “As Estações do Meu Amor” é para ele uma lembraça de seu amor perdido.
Então deveríamos cantar, para que fugissem aterrorizados – e começou a assobiar uma melodia […]. – Conhece esta canção? – perguntou.
Ouve-se aqui e ali, em estalagens e bordéis.
É de Myr. “As Estações do Meu Amor.” Doce e triste, se compreender as palavras. A primeira mulher com que me deitei costumava cantá-la, e nunca fui capaz de tirá-la da cabeça.
(AGOT, Tyrion VIII)
Não por coincidência, é esta canção que enche a cabeça de Tyrion após sua primeira noite com Shae.
Sentia a suavidade dos seios dela comprimidos contra seu braço. Era uma sensação boa. Uma canção encheu-lhe a cabeça. Suavemente, baixinho, pôs-se a assobiar.
Que é isso, senhor? – murmurou Shae contra seu corpo.
Nada – respondeu. – Uma canção que aprendi quando era rapaz, nada demais. Durma, querida.
(AGOT, Tyrion VIII)
Porém, por mais que seja irresistível ver nesse gesto de Tyrion um indício de que ele estaria, desde o primeiro encontro, Shae com Tysha, não sabemos se isto não é um reflexo de Tyrion com todas as prostitutas com que dorme. Martin, inclusive, nos brinda com uma informação que me passou batido em todas as minhas releituras até hoje:
Tyrion percebeu que precisava dela. Dela ou de alguém como ela. Já se passara quase um ano desde que dormira com uma mulher.
(AGOT, Tyrion VIII)
Segundo o que eu entendi, Tyrion estaria à procura de qualquer mulher como Shae, não ela em específico. E o fato de que estava há quase um ano sem ninguém pode ter aumentado a opressão de sua solidão, a ponto de ele começar a fantasiar enquanto se relacionava com a prostituta.
De toda forma, eu diria que a decisão de levar Shae como um insulto a uma ordem direta de Tywin acaba por se virar contra o próprio Tyrion. O tipo de governo que Tyrion imprime em Porto Real cada vez o deixa mais dependente de seus próprios homens e de sua prostituta.
Shae tornasse a única fonte de prazer e carinho de Tyrion e isso o leva a, aos poucos, se apaixonar por ela. E ela, como uma prostituta esperta, sabe disso, pois aprendeu “a ver o homem, não seu traje”.
Na próxima semana, haverá uma parte 2.

Perguntas

  1. Nós conhecemos depois ‘o cavaleiro de um fidalgo insignificante’ que estava com Shae? Ou o personagem era insignificante até para GRRM?
  2. Tywin tem mesmo um informante entre a criadagem de Tyrion ou o anão é que foi muito óbvio ao trazer Shae para dentro da Estalagem?
  3. Tywin sabia que, ao ordenar que Tyrion não levasse Shae para Porto Real, o anão faria exatamente o contrário?
submitted by altovaliriano to Valiria [link] [comments]


2020.05.05 04:14 CafeComPedro Gt do Guidão

Gt do Guidão
>Tudo começou quando finalmente consegui marcar um encontro com a deposito dos meus sonhos
>Caroline, uma loirinha linda, magra, mas com peitões, olhos azuis
>eu já tava no xaveco a muito tempo, e nunca tinha conseguido nada, depois de quatro meses de papo furado por MSN eis que ela aceita.
>pois bem, chegou o grande dia
>era uma sexta feria liguei pra ela pra perguntar aonde ela queria ir, pois não tínhamos combinado um lugar ainda
>ela disse que não tinha nada em mente e que na hora víamos isso
>ok desliguei e tracei um plano perfeito em minha mente
>a levaria para um barzinho super chique aqui da cidade pagaria tudo o que ela quisesse beber e depois iria embora por uma avenida cheia de motéis e parar na frente de um sem dizer nada
>com certeza daria certo
>comeria aquela lorinha de peitos grandes com toda a certeza
>meteria naquela bucetinha rosada sem parar e assim perderia minha virgindade
>depois começar a namorar e constituir família com a mulher dos meus sonho.
>tudo dando certo em minha vida amigos
>meu pai me emprestou o carro e ainda me deu 300 reais
> “O que, finalmente vai sair de casa em uma sexta a noite? E ainda com uma garota, toma aqui as chaves filhão e mais trezentão pra farra”
>feelsansiedade.jpg
>parecia que demorava 36 horas pra chegar as 22:00
>pra passar o tempo joguei uns games no PC
>assisti sessão da tarde
>comi umas bolachas recheadas e etc
>e claro, dei uma fapada como nunca antes tamanha a minha felicidade
>também porque não queria gozar com 14 segundos de transa
>logo como minha deusa
>antes de sair ainda li alguns contos de sacanagem pra pegar algumas dicas
>21:30
>banho tomado
>perfumado
>gel no cabelo
>vejo se minhas camisinhas que ganhei na escola ano passado estavam no meu bolso
>fui pra batalha
>meu pai estava radiante,
>abriu e fechou o portão de casa pra mim
>chego na casa dela
>toco o interfone
>ela diz que vai descer em alguns minutos
>nem acreditei quando ouvi isso vindo daquela boquinha doce que tanto imaginei colocar minha língua dentro
>ficp ali olhando pra casa dos meus futuros sogros
>ia vir muito ali ainda pensei comigo mesmo
>portão automático se abre e sai um corolla novo de dentro
>ele parou na do meu lado e uma loira estava dirigindo
>era a mãe de Caroline e era linda
>uma verdadeira milf potranca
>eu fico ali agradecendo a deus pelos bons genes que ele deu a minha futura esposa
>a milf olhou pra mim com um sorriso e disse: “Você deve ser o amigo da Carol né? Obrigado por fazer isso, ela e as amigas delas já estão descendo.”
>eu disse que não tinha problema nenhuma e que seria uma honra fazer isso para a filha dela
>ela sai dirigindo para a rua e o portão se fecha
>mas ela tinha dito ela e as amigas dela?
>fuckingmenage.url
>ouço a porta da casa se abrindo e dela sai Caroline
>com seus cabelos loiros esvoaçando
>um sorriso doce nos lábios
>vi aquela cena em câmera lenta anões
> nem acreditava que aquela deusa de seios fartos e barriguinha tanquinho estava vindo em minha direção
>e acreditei menos ainda quando ouvi mais vozes saindo pela porta e logo depois mais três garotas que nunca tinha visto na vida saindo também
>caroline chega e beija meu rosto e pergunta com a voz mai sensual do mundo
>“Demorei muito?” ,
>demorou nada
>ela vai entrando no carro
>as amigas entraram no banco de trás
>fico pensando em que porra esta acontecendo
>Caroline abre o vidro e me fala
> “vamos lindo, não quero me atrasar, hoje a pista vai ficar pequena.” , >filha da puta
>queria ir embora,mas aquela voz tem controle sobre mim
>entro no carro sem falar nada
>ligo e saio andando, sem saber direito qual era o meu destino
>feelswtfnemtemformatosaporra
>no carro com minha deusa caroline e mais tres vadias
>duas amigas gostosas
>e uma gordinha cheia de maquiagem que tomou banho de perfume de pobre e misturou com suor
>fui sacaneado pela minha deusa
>penso em parar o carro e mandar as 4 descerem,mas estou sozinho com quatro garotas dentro de um carro
>beta betoso
>nao da pra fazer nada,travo
>só consigo dirigir e seguir com as coordenadas que caroline diz
>só ouvia ela e seguia em frente ouvindo aquela voz maravilhosa e aqueles peitos gigantes balançando em cada lombada ou burado
>continuo dirigindo
>elas falam feito matracas
>ficam falando dos garotos e de quanto iam beber
>carolina manda eu virar a esqina que tem que fazer algo antes
>viro sem soltar um pio
>continuo seguindo caminho
>quando vi entrei num beco fudido
>nunca entrei naquele bairro antes
>ela manda eu encostar
>percebo que la na frente tem um grupo de meliantes olhando pro carro
>uma das vadias do banco de trás grita 'ei guidão,vem aqui
>negão de 2 metros de altura
>mistura de banha com músculos começou a andar em direção ao carro
>trava em tantas dobras que nem o batman invadiria o meu sistema
>ele chega perto do carro
>cumprimenta a amiga da caroline
>se conheciam
>feelsnaovoutercarroroubado.txt
>ela pergunta se ele tem daquela ai
>ele diz que tem que sempre tem e pergunta quanto vai querer
>a vadia diz o de sempre
>estavam negociando drogas do meu lado e trazendo pro carro do meu pai
>coração disparou
>finalizaram a negociação
>ligo o carro
>ja saindo Guidão grita pra eu parar
>paro o carro
>ele pergunta se estamos indo pra festa ale
>caroline disse que sim
>as biscates queriam ir numa rave
>começo a pensar em um monte de desculpas pra elas descerem
>Guidão pergunta se pode ir com a gente
>elas falam que sim sem nem perguntar pra mim
>só consigo tirar forçar pra falar que o carro ta lotado
>caroline agarra meu braço
>aqueles peitos gigantes roçando em mim
>ela fala que nao tem problema que ela e as amigas vao uma no colo da outra
>nao consigo responder nada só concordei com a cabeça
>guidao fala que nao da pra ir atras
>ele chega do meu lado e manda eu pular pro lado e caroline ir atras que ele vai guiando
>paro e penso que nao sabia onde estava e que se entrasse em rua errada ia ser metralhado por traficantes
>eu chego pro lado e ela vai pra tras
>ele começa a dirigir
>no carro do meu pai
>com quatro garotas
>um traficante
>indo pra uma rave
>e transportando drogas
>ele vira e pergunta se eu sei o por que do apelido dele ser guidão
>falo que não
>ele diz que o pau dele é preto e do tamanho de um guidão de bicicleta
>as vadias começam a cherar no carro ainda
>guidao vira e fala que ontem apareceu um negao morto sem os olhos e com um cabo de vassoura enfiado no cu
>ele vai pegar o celular pra mostrar a foto que tirou
>tijolo baiano atinge a porta do carro do meu lado
>arregalo os olhos e só consigo ver uma negona gorda com um molequinho no colo gritando 'GUIDÃO FILHO DA PUTA,VOLTA AQUI JA TA INDO ATRAS DE PIRANHA DENOVO'
>ela se prepara pra jogar outro
>ele consegue desviar graças as suas pericias de piloto de fuga
>ele acelera e saimos do bairro
>guidão e as vadias rindo feito hienas
>ele pula varios sinais vermelhos e fala "cara essa rave que vamos vai ser animal"
>ele pergunta qual das la de tras vou faturar
>travo e nao sei o que falar
>caroline fala ele vai ficar com fernando minha priminha,ela ta afim dele dese que entramos no carro
>penso,fernanda?
>porra era a gordinha
>minha deusa estava me empurrando a gordinha
>ela nao falava muito com as outras
>percebo que só chamaram ela pra eu ter o que fazer na rave e nao vir embora
>guidao fala que chegamos e pede vintão pro estacionamento
>ele estaciona o carro e do nada todo mundo evapora só sobrou eu no carro
>olho pra um lado e pro outro e vejo gente chapadona sem camisa,piriguetes,pessoal dançando de oculos que nem macaco
>me sinto no inferno
>tento sair de fininho e pegar o carro e fugir pro pc
>percebo que guidao pegou as chaves
>rage.jpg
>penso que nao pode piorar e vejo a gordinha me olhando
>fernanda ficou me encarando por uns minutos
>ela começa vir na minha direçao
>nao sou bonito,mas acho que da pra pegar algo melhor
>ela chega e fala oi
>eu digo oi
>ela fala doq a caroline disse no carro e diz que realmente gostou de mim
>ela queria ficar comigo,meu deus
>beta betoso,virgem,mas não era bv
>resolvo encarar pra nao passar tudo em branco
>vou pra um canto com ela e começamos a nos beijar loucamente
>ela era boa,beijava como se ofsse a ultima vez que beijaria alguem
>entro no clima,vou me empolgando
>ela tinha tetas gigantes
>começo a apertar aquelas tetas gigantes
>pego naquela bunda gigantesca
>começo a chupar os peitos dela
>ela começa a gemer cada vez mais alto
>pau ja tava pra fora
>gordinha fazendo uns movimentos retilinios uniformemente acelerados
>ela deu um grito de extase e gozou
>gozou tao loucamente que caiu no chao babando
>começou a ter espasmos musculares e começou a se mijar
>ela tava tendo uma convulsão
>fudeumateiavadia.pwp
>eu começo a gritar e algumas pessoas vem pra ajudar
>pessoas aleartórias começam a perguntar oq eu fiz pra ela
>me jogo no meio da multidão saio correndo
>me escondo no meio de duas barracas
>tomo um ar
>maos tremendo,mas pensando caralho sou foda fiz a gordinha ter uma gozada epiletica,sou foda
>estufo o peito
>cheio de coragem
>começo a procurar a caroline
>quero ficar com ela de qualquer jeito
>me pegam pelo colarinho e me jogam no chao
>sinto um cheiro de maconha
>sou rodiado por cinco japas vestidos como rapers
>um deles chega até mim com corrente de prata gigante
>ele fala que ficou sabendo que eu cheguei no mesmo carro que guidão
>eu nao respondi nada
>ele fala que mando guidao nao vender na area dele e diz que tenho 10 segundo pra falar onde ele esta ou vai me encher de porrada
>os japinhas rappers me levaram pra uma tenda no canto da rave
>me sinto na serie 24 horas
>fico uns minutos ali
>entra um japinha baixinho,de bandana e oculos escuros,sem camisa e cheio de corrente no pescoço perguntando sobre o guidao e mandando eu dar o bagulho que eu tava vendendo com o guidao
>começo a chorar falando que nao tinha nada,choro muito,que nao sabia de nada,só vim de carona com guidao que não traficava nem usava nada
>o japinha começa a rir de mim
>me pega pelo colarinho e me leva pra fora
>ele me deixa com um gordao e manda eu dar um role por ai pra achar o guidao
>penso em correr mas o gordao tava segurando meu colarinho forte demais
>vejo caroline sendo puxada por um japa era caroline
>ele chegou ate mim e pergunta se ela tava comigo no carro
>olho nos olhos da filha da puta que me colocou nessa confusão toda
>digo que não estava cmg no carro
>sou um beta betoso,nao conseguia fuder com a vadia
>japa solta ela e continuamos a procurar o guidão
>o japa gordo fica com vontade de mijar
>vamos pros banheiros quimicos
>um banheiro do lado do outro
>japa abre a porta do banheiro e da um pulo pra tras
>era guidao com uma neguinha la dentro chupando sua benga
>aquela rola era gigante
>do tamanho de um guidao de bicicleta
>tinha a espeçura de uma lata de refrigerante
>o tamanho da monstruosidade daquela rola assustou nos 3
>ficamos parado ali auns segundos
>tempo o bastante pro guidao se desgrudar da nehuinha e sair correndo igual a mil africanos atras de agua mas com as calças arriadas e uma mangueira grossa e preta balanãndo no meio das pernas
>o japa me solta e sai correndo atras dele
>o gordao fica olhando pra mim pra ver minha reaçao
>corro feito usain bolt
>consigo fugir,mas guidao ainda estava com minha chave
>precisava achar ele nao sabia como sair dali
>minha chance de sobrevivencia é o guidao
>começo a correr feito um condenado atras do guidao
>avisto caroline apontando pra mim e atras dela um japinha olhando
>japinha corre atras de mim
>a vadia me xixnovo
>levo uma rasteira e caio de boca no chao
>japinha pula em cima de mim me dando soco na cara
>levava altas bicudas quando um milagre aconteceu
>ouço um grito vindo da multidão
>"NINGUEM MECHE COM MEU HOMEM"
>era fernanda a gordinha saiu da multidão com a furia de mil mendigos
>ela derruba o japinha com um mata leão
>a gordinha era faixa preta em jiu jitsu
>ou uma gorda tremendamente apaixonada ja que finalizou o japa em poucos segundos
>peguei ela pelo braço e saimos correndo
>pergunto se ela viu o guidão
>ela diz que nao
>corremos em direçao ao muro
>faço pezinho e mando ela pualr
>adrenalina amil pra eu ter aguentado aquele saco de banha
>logo depois ela me puxa e quando vou pualr vejo caroline correndo em minha direção
>ela grita por ajuda
>japa gordao atras dela
>paro um pouco e olho pra caroline desesperada
>olho pra minha gordinha salvadora
>e pulo o muro deixo a vadia se fuder
>finalmente faço algo de que me orgulho
>começo a correr com a minha gordinha
>sim agora ela era minha
>foda-se se era gorda
>corro pro estacionamento
>tenho que levar o carro do meu pai pra casa de qualquer jeito
>lembro que ele tinha acabado de pagar o carro
>acho o carro no estacionamento
>pegou uma pedra pra jogar no vidro
>no meio do ato ouço um grito
>ABRE ESSA MERDA FILHA DA PUTA
>era guidão meu salvador
>vi ele correndo desferindo golpes de capoeira no japas que se aproximavam ate sobrar ele
>outros longe vindo em nossa direção
>ele chega perto e pede a cha
>GRITO FEITO UM MALUCO FALANDO QUE A CHAVE TA COM ELE
>ele diz que deve ter perdido no meio do boquete
>o japa gordo chega perto
>quando menos espero a gordinha se joga em cima dele pra ganharmos mais tempo
>guidao quebra o vidro do carro com um soco
>faz ligação direta
>sem nem pensar pulo dentro do carro e mando ele pisar fundo naquela merda
>ele olha pra mim e pergunta ,mas e gordinha
>FODA-SE TIRA A GENTE DAQUI
>guidao acelerou como se estivesse a 10 metros de um final de corrida
>nem vejo a troca de marcha com a tamanha habilidade conquistada em muitas fugas por esse mundo de crime afora
>de longe vejo a gordinha lutando com o gordão era muita banha pra todos os lados
>só consigo ver dali 5 japas pulando em cima da gordinha
>peço a deus pra que ela não sofra tanto
>guidao grita
>HAHAHA MOLEQUE ESSA FOI POR POUCO AUQELE JAPAS SAO UM PE NO MEU SACO
>estavamos livres e indo direto pro bairro do guidão
>adrenalina passando aos poucos
>guidao alucinado
>nunca pensei que aquele efeito das luzes passando no need for speed fosse verdade
>mas agora todas as luzes passando na minah cabeça ao som de Zeca pagodinho que o guidão tinha colocado na radio
>digo que to morto que meu pai vai me matar olha o estado do carro
>ele diz pra eu nao esquentar se eu contar toda a historia
>mas pra nao falar o nome dele se nao ele me mata e depois mata minha mae
>ele pergutna se eu tenho um cachorro que se nao tiver ele compra um e me da só pra poder matar ele tambem
>guidao para o carro na esquina e pergunta se eu queria meter naquela vadiazinha loira
>pergunta quanto eu tenho no bolso que conhece uma puta coisa fina
>ja tinha desistido de comer alguem
>entao tava contabilizando aqueles trezentão que meu pai me de pra trocar de placa de video
>chegamos na casa dele
>ele para o carro e poe aquela pemba gigante e preta pra fora e fala
>vira o cuzinho
>fudeu.jpg
>travei,sem ter o que fazer
>porra sai de casa pra comer buceta e vou ter meu cu arrombado
>meucu travou
>me preparo pra pular a janela quando ele começa a rir e fala que é brincadeira
>fico aliviado mas ele fala pra eu passar a grana
>ele leva toda minha grana
>leva meu tenis
>ele sai do carro e pula o primeiro muro que apareceu pela frente
>finalmente posso voltar pra casa
>pulo pro banco de motorista e percebo que não tem as chaves
>tento fazer ligação direta varias vezes sem muito sucesso
>ligo pro meu pai chorando e dizendo que me sequestraram e me largaram num bairro barra pesada
>um carro da policia chega e me leva pra casa
>chego em casa corro pros braços da minha mãe e do meu pai
>vou pro meu quarto
>entro no pc e falo com o irmão de caroline
>ele diz que os pais dela estão numa delegacia por suspeita de estupro
>pergunto se as amigas delas estavam com ela na delegacia
>ele diz que fernanda esta no hospital mas está bem
>fico feliz pela gordinha
https://preview.redd.it/j8ycmub8vuw41.png?width=800&format=png&auto=webp&s=a514965e538fe0c73944d27e86900e06bfffc2c9
submitted by CafeComPedro to TextoVerde [link] [comments]


2020.04.26 09:47 ThalesBage Amo minha "namorada", mas não consigo aceitar o fato dela ter criado TINDER durante nossa "relação"

Eu tenho 20 anos e conheci uma garota(19 anos) há 7 meses no Omegle no primeiro momento que a gente trocou os números a gente já começou com um contato enorme, eu estava emocionalmente fraco no momento por conta de que um dia atrás soube que a menina que eu estava me relacionando (nada sério) estava em um relacionamento sério, e por isso eu meio que me apeguei bastante nela no início, nós começamos a conversar todos os dias por ligações de voz, onde a gente ficava horas falando que nós nos amávamos, projetando nosso futuro e falando sobre a vida um do outro, além das ligações ao acordar, dormir...
Assim que fez 2 meses de ligações de voz eu decidi ir até a cidade dela (eu moro no RS e ela morava em SC) o que não era uma distancia tão grande assim, assim que expus que iria visitar ela, ela me falou que não estava pronta para elevar um nível nossa relação, por conta de uma traição do ex dela e assim não me deixou ir até a cidade dela, eu entendi e disse que iria me afastar, logo ela mudou de ideia e disse que iria vir me ver, porém iria ter que conversar com seus pais por ainda ser dependente assim como eu, assim se passaram mais 2 meses (continuamos conversando TODOS OS DIAS POR LIGAÇÃO) e ela até "tentou" vir, conversou algumas vezes com a mãe dela, tanto que a mãe dela até ligou pra minha e elas conversaram sobre a vinda dela, isso depois de eu falar que não aguentava mais ela me enrolando sobre vir (PS: nisso acabei entrando numa amizade colorida com uma amiga antiga e disse pra ela...).
Acabou que ela não veio nesses 4 meses e iria voltar as aulas, então não teria mais como a gente se ver, eu aceitei e MESMO ASSIM continuei dando atenção pra ela indo em calls etc..., após 6 meses ela veio me ver graças ao corona (as aulas são virtuais, então não prejudica nada), quando ela chegou tava sendo TUDO PERFEITO, até ela dizer que tinha se relacionado sexualmente com um cara do TINDER onde ela fez sexo no primeiro encontro na rua... o que me dói é saber que ela criou o tinder, sabe? meu eu tava lá pra dar todo o apoio emocional (tanto que dava), a gente as vezes até fazia uns "websexo" por call, mas mesmo assim ela foi lá e baixou o TINDER (coisas que eu já tinha tido que tinha uma ENORME aversão sobre esse tipo de aplicativo, pois eu sei o que pensam das mulheres que estão nele...) e só me contou porque tava extremamente bêbada (assim como eu tava), eu já sabia que ela era "promiscua" no passado e eu realmente não me importava com isso como a maioria dos caras, mas saber que continuou fazendo essas coisas mesmo comigo lá? dói sabe? dói muito por ter planejado a minha vida com ela e o pior é que dói nela também, sempre que acabo lembrando eu trato ela "mal" e o pior é que ela ta na minha casa, não posso fazer isso porque ela não tem a quem recorrer, ela já disse que iria embora e eu convenci a ficar porque eu ainda a amo, mas é foda, tão FODA esquecer isso na minha mente, pensar nela colocando as fotos, dando match, ela dando pro cara que não investiu NADA nela... é algo bem inesquecível pra mim e eu sei no fundo que é algo que jamais vou superar, sei que a partir do momento que ela voltar pra casa dela eu não vou querer mais continuar o contato que tinha por ligações e mensagens com ela, por isso que quero que ela dure na minha casa, porque eu sei que todos os beijos, transas, carinhos vão ser os últimos momentos que terei com ela e que eu nunca mais vou ter momentos como esses com ela.
Ela tá muito mal, tenho umas crises e digo na cara dela o quão LIXO ela foi por ter baixado o aplicativo enquanto EU tava lá dando TODA MINHA ATENÇÃO PRA ELA e tratando ela como MINHA PRIORIDADE, é algo que não consigo engolir. E o pior que isso não é porque ela transou, pq eu também transei enquanto estava com ela, mas sim porque BAIXOU A PORRA DO TINDER E TRANSOU COM UM MLK MACONHEIRO (que coincidentemente já tinha dito que tinha uma enorme aversão de maconheiros também hahah), eu sinto nojo nela, um nojo enorme que tenho quase certeza que nunca vai acabar, mas ao mesmo tempo eu gosto dela. É um conflito de emoções que eu não sei como vai terminar, eu tô tentando agir normalmente com ela enquanto a gente tá juntos fisicamente, porque como eu disse, quando ela pegar o ônibus de volta vai ser muito provavelmente um adeus eterno, mas isso tudo tá matando os dois.
submitted by ThalesBage to desabafos [link] [comments]


2020.04.16 21:44 LittleCato5001 A solidão é um estado de espírito, não uma maldição inquebrável.

Muitas pessoas vêm aqui desabafar a respeito da solidão que sentem, sobre como ninguém se interessa por elas, e como irão morrer sozinhas.
Vai doer no ego de vocês, mas acreditem quando digo que isso lhes fará bem: a solidão é opcional.
Ninguém passa uma vida inteira sozinho porque o destino quis. Você realmente acredita nisso?
Um pouco sobre mim: dos 14 aos 22 anos, fiquei sozinho. Nem uma ficante, nada. Minha concepção de mundo na época era a de que eu iria morrer sozinho, pois ninguém me amaria de verdade. Aos 14 anos tive uma namorada, e ela era tudo pra mim; em resumo, o fim do relacionamento foi traumatizante por várias razões e fatos que procederam ao término. 8 anos de solidão. Não fiquei com ninguém, não me apaixonei de verdade por ninguém, escolhi viver sozinho para não ter meu coração quebrado novamente.
Ano passado, algo mudou em mim. Uma necessidade enorme de me sentir amado, de ter alguém ao meu lado para dividir minha vida tomou conta de mim. Bom, sou um cara que saio pouco e sou muito introspectivo, então optei pela linha mais fácil: apps de relacionamento. Baixei todos! Tinder, Happn, Bumble, Badoo etc. os primeiros meses foram difíceis! Nenhum match. Até recebia um número bom de likes, mas nunca dava like em alguém interessado. Comecei a achar que a culpa era dos outros, e minha neurose de que eu deveria morrer sozinho começou a tomar conta de mim novamente. Entretanto, algo me ocorreu: parei de levar em consideração o que meu ego me dizia, e pensei que talvez a culpa fosse, em verdade, minha! Eu era seletivo demais: não curtia perfis de garotas com fotos provocantes, de piercing no nariz, universitárias de faculdades de baixo calão, tatuadas, com nomes estranhos, pra não dizer um monte de outras coisas. É verdade que eu procurava um par perfeito, mas eu estava no mínimo exagerado em meu filtro ideológico. Eu era um merdinha preconceituoso.
Passei a ser mais tolerante, e logo deu resultado. Dei um match, outro, outro, e assim foi. Não foram muitos, mas finalmente eu poderia começar a conhecer mulheres que de fato estavam interessadas por mim.
Bom, não exatamente.
Outra coisa que descobri é como muita gente usa esses aplicativos apenas para inflar o próprio ego. Algumas nem sequer responderam minhas mensagens, e todas as que respondiam claramente não tinham o menor interesse pela minha vida. Queriam apenas ser bajuladas.
Fiquei triste, mas não desisti.
Em um belo dia, algo me chamou a atenção: uma mulher, tão bela mas tão bela, que meu coração palpitou. Mas nem tudo são flores: ela era toda tatuada, fotos provocantes, narguileira, piercings, etc. Eu já havia passado pra esquerda muitas mulheres lindas, porém desse mesmo estilo, mas algo me dizia que eu devia passar pra direita. E o fiz.
It’s a match!
Levei um susto. Não imaginei em um milhão de anos que uma mulher tão bela se interessaria por um cara igual a mim.
Mandei mensagem, e ela logo respondeu, e passou o número dela.
Demos match na quarta à noite, conversamos o dia inteiro na quinta, e saímos na sexta.
E que mulher interessante, que mulher especial!
Aprendi algo muito importante aquele dia: não se pode julgar alguém por meia dúzia de fotos em um aplicativo de paquera. Ela era gentil, culta, bem humorada, muito sensível, extremamente inteligente e muito compreensiva. Logo no primeiro encontro, contei tudo pra ela: que não ficava com mulher alguma faziam 8 anos, que era virgem aos 22 anos, que estava nervoso. Fui sincero, e fiquei com medo de tê-la assustado. Entretanto ocorreu o contrário: ela ficou cativada com minha sinceridade, e achou fofo o fato de eu ser virgem. Não me julgou, não riu de mim, apenas ouviu o que eu tinha a dizer, e me elogiou.
Ao fim do encontro, ficamos. A deixei em casa, e senti um calor muito forte dentro de mim. Acho que eu estava apaixonado, depois de apenas um encontro.
Passamos os próximos dias conversando, e saímos novamente. Dessa vez as coisas estavam mais desenroladas, e já estávamos dando mãos, fazendo carícias e flertando.
Após isso, começou a quarentena.
Fiquei um mês sem ver ela, mas nunca deixei de falar com ela por mensagem, áudio ou vídeo. No inicio, achei que a quarentena esfriaria as coisas, mas ocorreu o contrário: uma expectativa muito grande foi sendo gerada, e fomos ficando cada vez mais íntimos.
Nessa segunda, finalmente nos organizamos de nos vermos. Busquei-a na casa dela, e a levei pra minha. Apenas digo que foi a noite mais intensa da minha vida. Uma noite apaixonante, que nunca irei esquecer.
Hoje estamos apaixonados um pelo outro.
Temos algumas diferenças, mas também temos muito em comum. Ela me faz uma pessoa melhor, mais tolerante, me fez começar a gostar de tatuagens e piercings, e me fez perceber como o ser humano é, de fato, muito complexo.
Moral da história: não desista. Existe alguém muito especial por aí, e você nunca irá conhecer essa pessoa se não sair da sua zona de conforto. Nunca, repito, NUNCA julgue um livro pela capa. O ser humano é extremamente complexo, e muito mais que uma foto de perfil.
Sempre existirá alguém por aí que se interessará por você. Sempre. Não desista. Não desista. Se jogue, corra riscos (bons riscos) e não sinta medo da rejeição. Aceite os outros como eles são. Busque a felicidade!
Texto escrito por um cara que passou 8 solitários anos.
submitted by LittleCato5001 to desabafos [link] [comments]


2020.04.12 22:56 Pomiwl Ninguém Precisa Saber Capítulo 3

III. O PRIMEIRO PASSO ANTES DA MORTE
Correram entre a grama perfumada pelo orvalho. Suas botas pesavam e afundavam no barro. Suas canelas mergulhavam-se em lodo. Sentiam cada gota de água escorrer de suas costas ao chão. Se aproximavam da casa do outro lado. Já não enxergavam mais a família de patos que ajudaram mais cedo. Agora, já podiam analisar de mais perto; as memórias surgiram na cabeça de Diana como um flash. Tentava lembrar-se do nome do homem que ali vivia. Era um amigo da família, mas não os viam com frequência. Lembrou-se de um verão passado, onde foram acampar naquele mesmo lugar, e suas feições confortantes brotavam à sua mente. Senhor simpático; vivia sozinho com seu cachorro. O ritmo de seus passos diminuiu. Apoiou-se em uma das paredes com sua mão — sentia como se seu coração a qualquer instante saltaria por sua boca. Sua respiração tornava-se mais leve. Não acreditava que esteve tão próxima da praga. Era realmente aquilo que tanto comentavam; e não poderia ser menos do que especulava-se. Olhando sobre os ombros, podia enxergar uma mancha cinza aceleradamente tomar conta da clareira. Sentiu os pelos do braço se arrepiarem. Levou a mão à porta de madeira e bateu levemente, ansiosa por uma resposta. Não demorou muito até que pudesse ouvir passos vindos de dentro. Aliviou-se ao ver o rosto do homem pela primeira vez em tanto tempo, e no momento em que seus olhos se encontraram e percebeu um sorriso surgir-se no rosto do senhor, lembrou de seu nome: August Moore. — Ora! Que surpresa agradável. Entre, entre, Diana. — impressionou-se com o fato de ter lembrado seu nome. Os cabelos grisalhos limitavam-se ao topo de sua cabeça, enrugada e parcialmente corada pela exposição ao sol. As mãos, cobertas por uma grossa luva de couro preto, ainda apoiavam-se na porta. O suéter cafona cobria uma grande barriga, apertada por um cinto à altura do umbigo.
Depois de um refrescante banho, Diana, ainda com seu cabelo molhado, sentou-se ao empoeirado sofá de Moore, bebericando uma xícara de chocolate quente que parecia aquecer seu corpo internamente. Khan também já estava limpo, com seus pelos completamente estufados — ele não parecia aguentar mais aquela massa de lama grudada ao seu corpo. — Então, não sabe onde seus pais estão... — levou o dedo dobrado à boca para limpar o resto da bebida. — eu realmente sinto muito. Queria poder te abrigar por mais tempo... mas esta desgraça já chegou. Referia-se ao vírus de forma desgostosa, largando a xícara sobre a mesa de chá balançando rapidamente a cabeça de um lado ao outro. — Sim. Deve mesmo ser difícil para alguém que sobrevive do plantio, como você. Inclusive, antes de tudo, gostaria de lhe agradecer. Estou perambulando por aí há dias. Mal posso descrever o alívio que foi ao ver sua cabana do outro lado do lago. — Não há de quê, minha filha. Tudo para ajudar uma das netas de Colress. Mas o que uma criança como você está fazendo por aí com um surto desses? — ela incomodou-se levemente com o uso da palavra “criança”. Para o que já tinha passado até então, não era mais uma criança. A citação do nome de seu avô, no entanto, a confortou. — Eu cometi um erro. Pouco antes do início de todo esse surto, não sei se soube, meu irmão desapareceu. — tentava não transparecer o remorso ao falar sobre aquilo. — Ele simplesmente não voltou para casa naquele dia. — Sinto muito em ouvir isso, minha filha. Só Deus sabe o quão boa aquela criança era. — tentava não reparar no quanto estava sendo insensível ao referir-se a Max como um caso perfeito. Ele não “era” uma boa criança. Ele É uma boa criança. Ajeitou-se no sofá, constantemente posicionando seu cabelo sobre a orelha. Khan, ao seu lado, observava com um único olho aberto o cachorro de Moore, Darius, que não se incomodava de dividir um espaço no divã. A luz da lareira aquecia sua pele e o som da lenha crepitando fundia-se à chuva que surrava a janela, coberta por cortinas com um reconfortante tom avermelhado. — Foi quando tudo começou a dar errado. Logo quando os primeiros casos apareciam na capital, a polícia arquivou a investigação sem mais nem menos, e ninguém pareceu ligar. Isso foi o que mais me perturbou. Até meus pais pareciam despreocupados demais com tudo aquilo. — evitou cruzar os olhares com Moore, que tomou um último gole de seu chá. — Deixe-me adivinhar... você, insatisfeita, decidiu fazer justiça com as próprias mãos? — repousou a xícara sobre o pires, provocando um agudo ruído quando as porcelanas se tocaram. Diana nada fez além de concordar, movendo a cabeça de cima para baixo. — Eu tava saindo da escola quando o sinal da evacuação começou a ser acionado. Não foi difícil me esconder em um beco qualquer com toda aquela multidão. Estava inconformada. Eu sabia que ia achar ele, tinha certeza, e eu sei, senhor Moore, que Max está vivo. — seu corpo elevou-se do sofá ao ritmo de sua voz, crescente conforme as lembranças vinham à tona. — E, desde então, não vi mais meus pais. E ainda não encontrei meu irmão. E, toda noite, antes de dormir numa barraca roubada de uma loja qualquer, eu me pergunto se fiz a decisão certa. Repousou de volta ao sofá. A testa suava como o estresse que liberava pelo peso das suas palavras. Moore nada vez além de rir e cobrir sua boca com os dedos. — Decisões são complicadas, não? Mas acho que o principal porquê de nos arrependermos tanto é não saber o que aconteceria se fizéssemos a outra escolha. Não minto que sua decisão pode ter parecido um pouco impulsiva, mas e se você realmente tivesse ido juntamente com seus pais? Será que um dia realmente encontraria seu irmão? Eles estão tão perdidos quanto você, e provavelmente se perguntando o mesmo. — ele respondeu com uma grandiosa segurança. A fez acreditar que não haviam decisões erradas. Nós fazemos nosso próprio destino, e nunca seríamos glorificados com o poder de enxergar além de seus erros, a ponto de ao menos ter a chance de considerá-los erros. Ela fitou a xícara cheia do chocolate quente. Sua mão tremia levemente; adrenalina. — Mas e você? — ela ao menos esperou uma reação por parte do senhor. — O que você teria feito? — Sabe... esse é o desafio da sociedade. A dificuldade de ser empático. Não posso julgar o que teria feito na sua situação, porque nunca passei e nunca passarei por cada simples detalhe que te levou a resistir aos chamados de evacuação. Todos vivem dizendo para nos colocarmos no lugar dos outros, mas cada um tem uma percepção diferente de tudo. Se eu me colocasse no seu lugar, pode ser que minha vivência tivesse me levado à outro destino. Mas será que isso realmente importa? Ela refletiu. Moore era sábio. Era o tipo de pessoa que, para cara pequeno pensamento, tinha grandes palavras — mas a forma que falava só a intrigava cada vez mais. Era como se deixasse um espaço para suas próprias relações. Ela o admirava por isso. Não disseram uma única palavra até o mútuo “boa noite”. Ele ainda mantinha as longas luvas de couro negro cobrindo as mãos. Diana foi à frente, dando as costas à sala e seguindo pelo corredor, até que ouviu Moore dizer algo pela suas costas. — Espere. — ela virou-se para ele, parando seu passo de supetão. Seu silêncio repentino traduzia como um “o quê?”. — Eu teria feito o mesmo que você fez. Ela sorriu de imediato. Ele retribuiu. Aquilo a tranquilizou — se Moore, que provou-se sábio, concordou com sua atitude, então ela podia não estar tão errada quanto achava que estava. Até o quarto de hóspedes, manteve os dentes à mostra. Os lábios secos, o gosto do chocolate ainda na boca. Moore, no entanto, não foi ao seu quarto. Deitada, registrou no diário toda a conversa que teve com o homem. Khan já dormia sobre sua barriga, ronronando levemente até que apagasse a luz do abajur empoeirado sobre a mesa de cabeceira. Pegou o gato e o ajeitou ao seu lado, levantando-se para servir alguma água para si. Com passos leves sobre o assoalho, dirigiu-se pelo corredor até a cozinha. A porta do quarto de Moore estava fechada, mas ali estava ele, de pé apoiado ao balcão. Um estranho sorriso aberto. Os olhos estavam vazios. Não se mostrou em momento algum, apoiando-se na parede do corredor. Ouviu o barulho da gaveta a abrir e, em seguida, de metal batendo contra o granito, quase como um talher caindo sobre o prato de porcelana. Aquilo não lhe parecia comum. Espiava de vez em quando para saber o que o homem fazia, e arrepiou-se ao ver com o que mexia. Tateava um cutelo; a lâmina quase que com o tamanho de sua cabeça. Pela primeira vez, a visão de suas mãos, descobertas pelas pesadas luvas, a assombrou; estavam lívidas. Brancas como o rosto de um cadáver. A pele em putrefação. Arrastava os dedos contra a lâmina, abrindo buracos ao longo das mãos, mas não tinha qualquer reação de dor. O sangue vazava preto e secava rapidamente contra a pele, como uma pedra. As gotas, de tão pesadas, podiam ser ouvidas surrando o assoalho como a chuva caía sobre as janelas, cobertas por cortinas. Ela não sabia o que estava acontecendo, mas não gostava daquilo. Continuou esfaqueando a própria mão, esbanjando os dentes atrofiados. Pelo nariz, começavam a escorrer gotas de sangue que petrificavam-se imediatamente. As manchas cinzentas das mãos agora já haviam alcançado seus ombros. Era a praga. O coração de Diana quase escapou de seu peito, debatendo-se contra o chão. Fechava os olhos e só podia enxergar aquela mesma cena, como se as mãos ensanguentadas por um elixir de carvão penetrassem sua mente. Ficou tonta, mas não podia ser vista. A praga era ainda pior do que imaginava. Podia ver as veias ao longo de seu braço contra a pele fina, todas negras. Entrou em estado de negação. Forçou o corpo contra as tábuas da parede, sacudindo o rosto e gritando para si mesma. Como tudo de ruim poderia acontecer tão de repente com ela? Há dois minutos, estavam juntos servindo-se de bebidas quentes e conversando sobre suas decisões. “Eu teria feito o mesmo que você fez” soava em sua cabeça ao tempo todo, emergindo na poça de sangue negro que formava-se no chão. Ela não podia o ajudar. Ninguém podia. O único que conseguia fazer era engolir seus soluços de desespero. O cutelo já estava desgastado de ser batido contra os ossos do senhor, atravessando seus músculos em uma chuva de escuridão. Por que ele estava fazendo aquilo? Foi quando lembrou-se de algumas palavras que ouviu do rádio em sua casa, no dia anterior à sua fuga de Lyrion. “...Os principais sintomas já identificados são a presença de manchas pretas na pele e comportamento agressivo e, pouco depois, o indivíduo morre.“ Era isso. Moore estava prestes a matá-la. Em que momento a praga tomou conta de sua lucidez? O vírus já havia dominado seu corpo durante a conversa dos dois? Ela devia seguir os conselhos de uma marionete mortal, ou aquelas foram as últimas palavras de Moore antes de ceder sua mente à alucinação total? O conceito de sua lucidez já havia embaralhado-se na sua cabeça. Ela não queria acreditar que Moore havia sido corrompido completamente, a ponto de afetar sua própria mente e o transformado num psicopata. Foi quando percebeu que a sorte não estava ao seu favor. Era o primeiro lugar em que Diana finalmente se sentiu segura. O que mais a preocupava não era simplesmente que o homem iria tentar os assassinar — mas sim, que ele morreria em pouco tempo. Era apenas um senhor, ele não poderia fazer muito contra a jovem e ativa Diana. Ela sabia que aquele não era o Moore que ela conhecia, ele havia sido corrompido, não era sua culpa. Mas, sem escolhas, ela teria de fugir — novamente. Sentiu a adrenalina no seu sangue, como um sedativo para seu medo. Parou de martelar a faca contra si mesmo e partiu ao corredor, erguendo a lâmina que brilhava à luz da lareira, como um presente de despedida do mundo. Contornou o caminho do balcão. Ele havia a encontrado. Sabia que aconteceria uma hora ou outra. Parou seus passos pesados no instante em que viu a jovem encolhida, mostrando apenas um dos olhos contra os braços. Estava ainda pior de perto. O sangue vazava pela ponta de seus dedos em um gotejar periódico de desespero. O líquido percorria seu caminho desde o alto do antebraço, formando um rio de carvão até a palma das mãos, onde encontravam os ferimentos feitos por si mesmo. Os olhos estavam completamente brancos e vazios, como se estivesse cego. Os dentes estavam manchados pela lágrima escarlate. Por um instante, pareceu tomar um gole de sua sanidade, forçando-se numa batalha interna contra a doença para pronunciar alguns balbucios, quase que inaudíveis: “Corra.” E tomou de volta a sede de sangue. Já não havia mais “Moore”. Era apenas o escravo, uma carcaça vazia, que não partiria de seu corpo até que tirasse outra vida que não a própria, usando as mãos sujas de alguém que soava tão puro. A visão era de um filme de terror. Achava que estaria pronta quando cruzasse contra um dos dominados durante sua jornada, mas não estava. O desespero não era forte para mantê-la de pé, ao menos o suficiente para fugir. Retomou os passos. Podia senti-los dentro de sua cabeça, como se sapateassem em seu cérebro e sugavam sua vitalidade — a mesma que contava para conseguir sair dali o mais rápido que pudesse. As costas apoiadas no chão, encarando o senhor que parecia bem maior e amedrontador com sangue ao invés de café manchando seus lábios. Estava prestes a vomitar — a comida revirava-se no estômago. A primeira facada que disferiu erroneamente contra seu corpo cortou a tensão do ar, como se estivesse cego pela sua própria alma. No fundo de seus globos oculares, enxergou um pedido de ajuda. — S-Senhor Moore, me escute... eu sei que você está em algum lugar aí dentro... — engasgou-se com as palavras, poucas eram para descrever o que sentia. Não sabia o porquê de achar que aquilo funcionaria. — Por favor, acorde. Você não precisa fazer isso. Você é mais forte que a praga. Por favor... Os sentimentos atropelavam-se em uma mescla de medo, desespero, horror e tristeza. Por onde saía o sangue em Moore, em Diana, saíam lágrimas. A marionete não reagiu às súplicas e guinchos da garota, avançando contra seu corpo prensado ao chão como um zumbi. Pensou em fugir. A janela de seu quarto era alta demais; mesmo sem tentasse correr, não daria tempo de escalar. A porta de saída estava logo atrás de Moore, e o corredor estreito não colaborava em facilitar sua passagem rápida. Parecia que tudo estava planejado para que ela fosse atacada. Estava presa em um ciclo de seguidos calafrios; a respiração ofegante se tornava cada vez mais rápida, assim como o palpitar de seu coração. Dizem que, quando você está prestes a morrer, pode enxergar toda a sua vida passando pela frente de seus olhos, como um presente de despedida do destino, para compensar o seu mergulho ao desconhecido. Isso não aconteceu com Diana. Talvez como um prelúdio do que viria a seguir. Do contrário, passou pelos seus olhos uma visão abençoada. A visão de como teria sido sua vida com Max, e sem a praga. Uma troca equivalente; pelo menos para a balança de sua moral. Fechou os olhos por um instante e, no momento seguinte, pôde sentir o calor da lareira de casa acesa. Na televisão, assistiam desenhos animados juntos e comiam marshmallows, enquanto seus pais cozinhavam juntos na cozinha. Sentiu as lágrimas do rosto secarem junto com a brisa refrescante que vinha da janela. Olhou para o lado. Max sorriu para ela. Ela sorriu de volta. Como um balde d’água fria, a realidade trouxe Diana de volta do seu labirinto de devaneios. Não havia mais Moore. Ele já havia morrido há tempo; apenas seu corpo sobrevivia. E, agora, ele também era consumido. Eram apenas os dois. Ela, e a personificação daquilo que tirara toda a possibilidade de não viver em um futuro incerto, em que acordava todos os dias sem saber se haveria comida no dia seguinte; ou se ao menos sobreviveria até lá. Aquilo não podia acabar. Já tinha ido longe demais, mas não o suficiente. E não pararia de lutar pelo seu objetivo até que se visualizasse ali novamente; em um lugar que poderia chamar de lar, sem o medo de ter perdido tudo que construiu no dia seguinte. Era sua chance de mostrar que Diana Evolwood era mais do que uma garota da cidade com uma decisão estúpida e um desejo irreal. Diana Evolwood era bem mais do que a própria sabia. E só poderia fazer isso empunhando uma faca em mãos e expondo-se ao perigo de um confronto, ou sucumbindo em uma eterna ilusão que nunca se concretizaria se não quisesse lutar. O mundo já não era mais o mesmo. Mas não sabia se conhecia o mundo o suficiente para afirmar isso. Levantou-se. As mãos raladas e trêmulas, mas com uma missão. Só precisava achar uma forma de ir até a cozinha e ser rápida o suficiente para achar uma faca. Podia tentar fugir, mas isso não seria honrar todo o caminho que percorreu até aquele momento. De fato, era como se tudo aquilo houvesse sido armado para que fosse atacada; mas, como um sinal do universo para não parar por aí, porque ainda tinha uma lição para mostrar ao mundo e provar seu valor. E não faria isso abrindo aquela porta e correndo para um lugar longe o bastante para que não pudesse ser vista. Dentes cerrados, bem como os punhos. Franziu o cenho e tentou concentrar-se em seu objetivo. A missão era passar pela marionete — não conseguia imaginar “aquilo” ainda como Moore — e arranjar algo afiado o suficiente para fazer com que os ferimentos auto-infringidos por ele parecessem brincadeira de criança. Talvez isso fosse outro ponto a analisar antes de uma investida — ele já não sentia mais dor por conta da adrenalina. Diversos cortes no braço não foram páreos para detê-lo. Se ela, que nunca havia utilizado uma faca para ferir alguém conseguisse ao menos alcançar a cozinha, já estaria de grandessíssimo tamanho. Mas ela não tinha a noite toda. A marionete carregou a mínima força qua ainda potencializava no fundo do organismo do homem, como um parasita, e a desferiu lateralmente contra a garota. Sentiu a lâmina percorrendo o caminho de sua garganta, como se cortasse uma folha de papel; a prova que, mesmo com um ataque errôneo, podia sentir cada músculo de seu corpo em negação à estúpida decisão que havia feito. O vento provocado pelo movimento rápido a deu calafrios, selando o espaço entre seu queixo e seu pescoço com um ataque decisivo e, por pouco, não certeiro. Não era o suficiente para fazê-la desistir. Um passo atrás do outro, alcançou a porta do quarto de hóspedes, onde Khan ainda repousava, como se esperasse seu carinho na nuca habitual antes de dormir. Ingênuo animal. Sua pata repousava sobre o seu caderno; a caneta largada sobre o couro. Se não poderia alcançar a cozinha e arranjar uma faca, talvez uma caneta desse conta. Esticou seu corpo contra a cama, caçando o objeto com as mãos, sem tirar os olhos de Moore. Khan espiou até onde o limite de sua visão alcançava: não o suficiente para notar que estavam em perigo. Finalmente, catou o objeto, a ponta ainda vazando tinta preta, que mal se distinguiria de todo o líquido que vazou de seu corpo. Retomou a posição no confronto. Moore aproximava-se, exibindo seus dentes, sorridente como uma criança num parque de diversões. O cutilo jazia sobre a mão direita; era a mesma posição de ataque das últimas duas vezes. Às vezes, uma qualidade pode ser bem mais útil do que uma faca. Duas facadas errôneas foram o suficiente para notar um padrão, que não faria sentido de alterar-se num terceiro golpe. Erguia a lâmina no ar, mais ou menos na altura do nariz, e atacava de cima para baixo, da direita para a esquerda, de forma que um acerto no pescoço seria suficiente para tirar a vida do oponente. Não era uma doença estúpida. Esperou o momento certo. Viu o homem erguer o cutilo ao ar, a mão mole como a de um defunto; era como se tivesse encontrado uma ruptura — uma brecha — entre seus já previsíveis ataques. O corredor estreito acabou ajudando-a em algo, restringindo o espaço de movimento de Moore e facilitando que desviasse sob seu braço, pronto para desferir um ataque mortal. Mortal seria se Diana estivesse no mesmo lugar em que estava há algumas frações de segundo. Como um esgrimista, pôs-se de pé, à altura da nuca do homem. Esticou seu braço sobre seu ombro e, sem um alvo específico, forçou a caneta em sua própria direção, cravando-a na cavidade ocular de Moore. Ele pôde ao menos não ter sentido dor, mas a força e o ódio com o qual forçou o objeto contra seu olho direito foram o suficiente para levá-lo ao chão por um instante, o cutilo lançado pelo assoalho, deslizando pelas tábuas até o fim do corredor. Finalmente pôde ver o estrago que havia feito. A caneta, ainda presa, estava coberta daquele sangue putrificado; o resto de seu rosto, dividido pelo nariz, tornou-se uma piscina de lágrimas ácidas, pus e uma chuva escarlate, como um chafariz. Ele não manifestou qualquer expressão. Ela, um sorrisinho de canto de boca. Mas não era como se houvesse acabado. E soube perfeitamente disso quando ouviu grunhidos próximos à sua perna e uma dor aguda na panturrilha. Era Darius, o cão — os dentes afiados contra sua pele, atravessando o tecido de sua meia-calça, já completamente rasgada. Quase não sentiu o desconforto até ver seu próprio sangue espalhando-se pelo seu focinho e face, tingindo seus pelos de um tom escarlate. Recuou, tropeçando entre seus próprios passos. Já havia voltado ao seu pequeno e intocável casulo de inquietação e desespero, abraçando as canelas, como se aceitasse seu destino. O cão não desgrudou até que o empurrasse — ainda se preocupava em o machucar o mínimo que podia. Não era culpa dele. Ela havia acabado de cravar uma caneta na porra do olho do melhor amigo dele. Ele só estava sendo leal. Não merecia o maltrato. Afastou-o com chutes contra o assoalho, provocando um incômodo barulho que foi o suficiente para que o animal recuasse e aninhasse entre os braços do dono. Suas patas cobriam-se do sangue negro. Moore levantou-se, a caneta ainda presa ao seu corpo, como se fosse apenas um acessório. Darius rapidamente lambeu suas pernas ensanguentadas, abandando o rabo de um lado para o outro, agradecendo por seu amigo ainda estar “vivo”. Moore chutou-o na costela, jogando-o contra a parede. O animal chorou, mal conseguindo andar. Diana encheu-se de rancor. O ódio que corria em suas veias transformou-se em uma rápida hiperventilação. Gritou o mais alto que pôde. Tentou confortar o animal, que ainda tirou forças para morder sua mão e correr na direção contrária, até a cozinha, driblando a marionete. Ela não pegaria o cutilo; estava coberto de sangue. A chance de acabar se contaminando era grande — talvez aquilo fosse uma estratégia exatamente para isso. Agora, já não tinha mais sua caneta, sua panturrilha não a permitia correr e aquilo que poderia ser sua única saída foi uma armadilha. Não conseguiria sair viva dali sem uma ajuda que fosse. Moore começou a caminhar a caminho da garota, que tinha suas mãos cheias do próprio sangue, tentando estancar desesperadamente seu ferimento. Soluçou em seu canto. O universo tinha dado-lhe uma chance. E ela a desperdiçou tentando provar que poderia lutar por si só. Acima de tudo, sentiu-se incapaz; havia falhado. E Max, em algum canto do mundo, estaria chorando, pedindo por ajuda — isso se ainda estivesse vivo. Qual era a chance de um dia reencontrar sua família? Realmente acreditava que conseguiria sobreviver e ir longe o suficiente para salvar seu irmão? Uma garota da cidade que tinha a vida perfeita; pais que se preocupavam e um irmão atencioso. E agora, seria apenas mais um número para as vítimas da chacina da praga. Podia imaginar seu corpo coberto das manchas pretas que vira no momento em que Moore tirou suas luvas. Tudo aconteceu rápido demais. Sentiu seu corpo sendo coberto pela sombra do corpo da marionete. Esperou o momento. Enganou-se com o pensamento de que não temia a morte. — Senhor Moore... você também? Ouviu o ruído da porta de madeira úmida se abrir com um rangido, a maçaneta se chocando contra a parede. Uma voz desconhecida. Seu coração bateu mais rápido e, por algum motivo, aquilo chamara a atenção do homem, que virou a cabeça em um instante, sem mover o corpo. Eram dois garotos; um maior, empunhando uma espingarda que parecia levemente mais pesada do que aguentava. Ao lado, outro, que aparentava ter a mesma idade de Diana, segurando um estilingue. Aquela estava longe de ser a última visão que a garota teria antes de morrer, e soube disso quando escutou o estampido do disparo e Moore caindo sobre seus joelhos. Em sua testa, um buraco que permitia a visão de seu cérebro negro. Sangue voou contra seu rosto. Estava paralisada, quase como se tivesse se tornado pedra. A boca aberta, os dentes de chocando com a mandíbula trêmula. Ela arrancou a caneta de seu olho direito, ensopada de sangue. O homem ousou levantar seu braço mais uma vez, mas sucumbiu aos braços da morte quando, em um golpe final, Diana cravou a caneta de volta em seu coração. Sentiu o interior de seu corpo retorcendo e desinflando como uma bexiga. Estava viva. E acabara de matar um homem. — Você está bem?! — disse o mais novo, correndo em sua direção, fazendo o assoalho se retorcer a medida de seus passos. — S-Sim... — ela respondeu. Não havia entendido o que acabara de acontecer. Para ela, a qualquer instante, acordaria de um transe em que ainda estaria sentada naquele sofá, agora coberto de sangue. Ele estendeu a mão para ajudá-la a se levantar, notando sua dificuldade e a marca dos dentes de Darius em sua perna. — Puxa, a coisa tá feia. Vamos te ajudar, não se preocupe. Só precisamos que aguente até que cheguemos à nossa vila... não é muito longe daqui. — sua tentativa de fazê-la manter a calma funcionou. Não se preocupava mais. Olhou no fundo de seus olhos, que lembraram a lua cheia que brilhava do lado de fora das janelas cobertas pelo líquido negro que vazara do corpo do senhor. — Eu sou Bruce. E meu irmão mais velho é o David. Precisa confiar na gente. — ele sorriu, levando a cabeça de cima a baixo rapidamente. — Você é...? — Diana. Diana Evolwood. Vim de Lyrion... — Lyrion? Caramba. Você vem de longe. — o nome da cidade chamou a atenção de David, que olhou de relance enquanto examinava o corpo jogado em meio ao corredor estreito. — O que você veio fazer nesse fim de mundo? E, principalmente, no meio do surto? É perigoso. Onde está a sua família? Ela não respondeu. Seu silêncio bastou para que ambos compreendessem o que havia acontecido. — Certo. Diana, não? Não quero te preocupar, mas se não cuidarmos de seu machucado, você pode adoecer. Venha conosco até Mouneet Town. Há comida e medicamentos. — Muito obrigada... mesmo. Se não fosse por vocês, eu estaria morta. — suas palavras pesaram. Seus soluços começaram a transformar-se em lágrimas. — Tudo aconteceu tão rápido... há alguns minutos, estávamos ali, sentados naquele sofá, e de repente ele ficou louco e tentou me matar, e... — Não precisa agradecer. Nós nos oferecemos à comunidade em que vivemos para fazermos pequenas rondas durante a noite. Seu grito nos chamou a atenção... — Foi só uma pena que o Senhor Moore tenha sido contaminado. Era um bom homem. — continuou David. — Você pode nos explicar melhor o que aconteceu no caminho. Levantaram-a, apoiando seus braços nos ombros dos garotos. Darius não se moveu, chorando sobre o corpo de seu dono. Khan correu ao encontro dos rapazes, dando de cara com as paredes ensanguentadas e Diana machucada. — Khan... que bom que está bem... Seus olhos começaram a fechar lentamente. Sua voz atrofiou-se e seus batimentos cardíacos tornaram-se menos recorrentes. — Diana, você está bem?! — Deve ter desmaiado. Já passou por coisas ruins demais em apenas uma noite. Ela deve ter um bom motivo para ter vindo de tão longe para cá. — David pareceu mais calmo, acostumado com situações de tensão como aquela. — Eu posso carregá-la. Pegue seus pertences e leve seu gato. Se ela sobreviveu tempo o suficiente sozinha com um dos dominados, usando apenas uma caneta como arma, então ela aguenta um machucado na panturrilha. Posso dizer que ela é forte. Bruce sorriu, indo em direção ao quarto de hóspedes e levando apenas seu diário — foi o que encontrou. — David! Olha o que eu achei! Um diário... talvez pudéssemos entender o que aconteceu se déssemos uma olhada. — Não, Bruce. Invadir a privacidade de pessoas não é legal. Podemos perguntá-la amanhã, quando já estiver melhor, e só saberemos do que precisamos saber. — Tá bom... — ele fechou a cara, mas compreendeu. — Vamos. Banharam-se à luz do luar, todos em uma fila. E, desde o momento em que trocaram a primeira palavra, Diana soube que tudo estaria bem na manhã seguinte. Não era um sonho. Mas também já não sabia mais se era um pesadelo.
submitted by Pomiwl to NinguemPrecisaSaber [link] [comments]


2020.04.10 00:44 CabacinhoBreaker Conto: Carta Para Zeca

Quanto tempo leva para uma reflexão tomar forma dentro do circuito do pensamento emotivo? Emoção é a reação do que afeta direta ou indiretamente o nosso campo de sensores que são vastos, digo isso para todos aqueles que creem no invisível e que salta aos olhos como uma silhueta na escuridão. Está tão perto e tão latente mas, qual a medida para entender tudo isso? A razão é a balança dos aflitos que velejam numa nau à pique.
Zeca observava o mundo de longe certo de que estava antes daquela vírgula da existência, essa que faz refletir, protegido no receptáculo de sua antena parabólica ficava estático ele mesmo, assistia a novela de Rebeca sua vizinha, nascida de dias e com uma mãe desastrada. Batia de lá e de cá seu corpo mas nunca deixando a recém nascida amassar nas portas, embora parecesse que o pai quisesse. Zeca já tinha testemunhado o pai, grande e corpulento, de olhos fundos e nariz perfurante, olhando para a mãe, passava para Rebeca, e parecendo um surto de arrependimento da existência da menina, fechava a porta na cara da mãe. Ela não prestava, e parecia um vegetal, ele era quem dava energia para uma casa toda com seus dedos que pegavam o que queria na sua geladeira fedida; seus pés descalços que descarregavam toda uma tensão da casa, o que Zeca achava engraçado, se pudesse passar a navalha nesse calcanhar invisível da mágoa ele desjuntaria o pé inteiro.
De conversa com ela uma vez Zeca insistiu no motivo de ela estar onde estava, a mãe olhava a menina com uns olhinhos de jabuticaba que dava brilho no canto, daí olhava para o chão e virava o olho para dentro buscando uma saída do que ele não podia evitar, daí lançava a mão parecendo que ia descolar do corpo, mole de lado, dizendo que quem sustentava a casa era ele e Rebeca era uma inspiração de vida! Desse jeito mesmo que saía, ela botava tanta convicção que as palavras vibravam quando saiam de sua boca, a última até parecia uma moeda que estava debaixo da língua e escapou sem querer. Olhei nos olhos dela, rasos.
Agora Zeca insiste em tomar uma dose de verdade todo dia, recolher todas essas moedas que caem dos olhos e das bocas de seus amigos, juntando tudo um dia talvez ele compre a tão sonhada liberdade que ele persegue de dentro de seu barquinho.
“Mandai a faísca de um raio pra me iluminar
Segura pedra na pedreira não deixa rolar
Xangô, Kaô meu pai
Seus filhos bambeiam mas não caem”
Zeca
Carta Para Zeca
Olá meu querido amigo, como você está? Espero que bem.
Eu estava mexendo nuns papéis antigos e reli uma crônica que você me fez 3 anos atrás, lembrei tanto de você esses tempos que resolvi escrever.
Hoje é dia 24 de dezembro e está um calor danado aqui em São Bernardo, me mudei para o Silvina depois de uns dois meses que a Rebeca nasceu e foi uma das melhores coisas que fiz; a casa é bem maior, porém fica bem perto do ponto de ônibus lá na ponta do morro.
Por falar em Rebeca ela não para mais. Anda de um lado pro outro Zeca como se fosse a rainha da casa, pega as panelas e bate tudo no chão. Devaldo nem liga mais depois de comprar a quinta, e eu não faço questão também, ela precisa de brinquedos e eu me viro como posso sabe?
Falando nele, sua crônica foi importantíssima para mim Zeca, você sempre me estimulou a escrever e só fiz isso agora, depois de anos, porque me sinto muito mais segura e motivada. Ainda lembro de cada palavra sua. É claro que é meio desconcertante também, você escreve tão bem e eu não sabia nem articular o que se passava dentro de mim, agora vou te falar, da melhor forma que eu encontrar.
Devaldo parecia que tinha desistido de tudo, aquele jeito turrão e mandão dele de ser passou depois do primeiro ano da nossa filha, eu agradeci muito à Deus, mas ainda faltava alguma coisa sabe? Ele parecia fantasma dentro de casa Zeca, a gente não tinha brigado nem nada e ele me procurava bem pouco para fazer amor, dizia que a rotina do serviço estava acabando com ele mas eu não precisava me preocupar com nada, que focasse na pequena pra ela não ficar que nem as “meninas do pé do morro”. Elas gostam muito de transar Zeca, e com qualquer um que passe no pé do morro, qualquer um; eu já vi elas no mato e não vou nem dizer como porque quero esquecer.
Depois de ver aquilo dei razão pro meu marido, e mesmo ele me tratando um pouco melhor ainda não era o meu ideal, ele foi meu primeiro homem e eu esperava tanto dele, mas seus problemas sempre futucavam nosso lazer; fim de semana tinha um extra no serviço que era imperdível, mais seis horas longe de sua família, o que virou rotina depois de um tempo fazendo isso; pegou confiança e virou o ponta firme na firma que não faltava em nada.
Quanta decpção. Quando Rebeca fez um ano que desastrou tudo, ainda bem que tenho meus amigos lá do morro pra me dar assistência e fumar um né? Quem tem filho fuma também, não me julgue.
Eu acostumei não ter mais a presença dele em casa aos poucos, Rebeca sempre foi bem quieta e não me tomava muito tempo para o cuidado, mas isso porque amo essa menina e nunca me deixou nervosa. O fato é que comecei a me sentir bem sozinha, e carente sabe? Sem nenhum contato. Eu procurava Devaldo e ele nem aí pra mim, até que um dia aconteceu um troço inesperado Zeca, eu tinha mensagens de um crush do ônibus que queria porque queria me conhecer.
Não me julgue por falar o que vou falar. O nome dele era Jonas e disse que queria me conhecer, eu falei que pessoalmente não, mas a conversa foi rolando, eu disse da minha filha e ele me mostrou a dele, uma mulher já de dezesseis anos toda formada, o cara era “velho” e eu tinha vinte. Claro, não mencionei Devaldo pra ele.
Ele me dava toda a assistência que eu estava querendo, perguntava como foi meu dia, me ouvia, e a gente conversava sobre tudo Zeca, só achei uma coisa estranha. A primeira vez que ele me ligou achei super esquisito, sabe aqueles homens que tem a voz bem fina? Era a dele, mas chegava a parecer uma garota em certos momentos. Achei estranho mas foi só impressão.
Jonas não me faltava em nada, ele me fazia sentir como se fosse uma menininha de novo, ás vezes eu até esquecia que tinha um marido em casa Zeca, cheguei até a olhar pro Devaldo pensando nele, nas fotos que me mandava… sinto vergonha disso mas é a verdade. Mas também nunca fui tão fundo assim com ele, por mais que fosse gostoso eu não conhecia ele de fato e não ficava mandando fotos nem nada, mas me deixava num fogo que eu virava um rio.
Depois de uns quatro meses na conversa eu criei coragem e fui atrás dele, chamei para marcar um encontro e liguei né, ele esperava tanto por esse momento que o telefone quase não deu o primeiro toque. “Eu preciso te contar uma coisa antes da gente se ver”. O que era agora já que ele queria tanto? Esperei os trinta segundos mais longos da minha vida até que ele despejou tudo sem ensaio. Eu sou mulher.
Foram só três palavras, mas me deram uma rasteira literal, eu que estava em pé caí sentada no chão da cozinha Zeca, eu não podia acreditar. Fiz muitas perguntas e ela me respondeu todas com muita calma, apesar da minha revolta. Me disse que realmente pegava ônibus comigo e me achou linda, e depois de uma visita no face chamou um amigo dela, o Jonas. Ele fornecia tudo em tempo real, mas nos telefonemas e áudios era ela mesma.
Falei várias vezes pra ela que não gosto da mesma coisa que tenho no meio das pernas, não vejo graça Zeca. Ela ficou super triste, ainda mais quando teve que me passar o telefone do Jonas de verdade, queria pelo menos conhecer o cara que me apaixonei. Já faz um tempo que isso aconteceu e mesmo assim ainda lembro vez ou outra, me enganaram de uma esdruxula e me lembro exatamente como me senti.
Me lembrei de você e tudo que me dizia, tentei descrever o que sentia. Você já passou por isso; você passa uma noite inteira na rua, sozinho e com frio, e encontra um cantinho pra encostar e cochila por lá mesmo até o Sol começar despontar e tocar sua pele, te aquecendo aos poucos até brilhar bem forte e você voltar pra casa. Eu voltei para casa Zeca.
Deixei tudo isso de lado e pesquisei sobre aquilo que você me falava sempre, que a vida é efêmera e é importante viver bem; hoje entendo o que você me dizia. Fui nessa semana também no lugar que recebem os espíritos que você ia, me pediram para ter juízo olha só! Eu não discordei, até gostei da sensação que me trouxe.
Eu comecei a prestar mais atenção em casa depois do que aconteceu, e tive mais coragem para me abrir e falar com Devaldo, ás vezes eu só precisava estimular ele um pouco, e com o tempo ele foi me olhando de outra forma, viu que podia cofiar em mim como parceira; o stress do trabalho até diminuiu e o tempo dele lá também, começamos uma fase tão bonita Zeca. O espaço que ele preenchia com seus dedos agora tinha um toque mais sutil, e mesmo que o hábito ruim de olhar o telefone do outro tinha ido embora fazia um tempo me bateu uma curiosidade. Descobri que ele me traiu duas vezes com a mesma pessoa, ele transou com outra.
Não falamos disso nunca, ele não sabe que sei e eu não guardo rancor, ele se arrependeu nas mensagens com a garota e depois que as coisas melhoraram entre a gente me sinto muito mais feliz. Não vou dizer que o amo, mas me sinto apaixonada por ele cada dia mais, estamos nos descobrindo juntos Zeca. Não vou tomar mais o seu tempo, só queria dizer que o canto que você morava está muito bem iluminado agora.
Ontem o Pepeu me chamou pra fumar lá no escadão e disse que tinha uma surpresa, e que surpresa Zeca! Enquanto a gente fumava olhando pro Montanhão ele começou a iluminar todinho, foi ascendendo de baixo para cima, nunca vi ele tão bonito. O morro agora tem luz na rua.
Não me aguentei, olhei pra cima e comecei chorar quando vi que a Lua se encaixava bem na ponta do morro, parecia até que tinha sentado no campinho de terra; a árvore de natal mais bonita que montaram pra gente meu bem. Pepeu chorou comigo, dava pra ver os bracinhos balançando lá da ponta do morro de alegria.
Você faz falta Zeca, tiraram sua vida tão curta cara, mas como você mesmo diz, a vida é efêmera. Vou guardar sempre no meu coração a lembrança de cada momento e prometo abrir a mente de alguém com o que você me ensinou, e me ensina ainda. Vou queimar essa carta no pé do morro, quem sabe um dia quando você passar por lá veja todas essas palavras na poeira.
Te amo meu amigo.
submitted by CabacinhoBreaker to EscritoresBrasil [link] [comments]


2020.03.21 05:06 altovaliriano A Grande Conspiração Nortenha - Parte 4

Texto original: https://zincpiccalilli.tumblr.com/post/52918461011
Autores: Vários usuários do Forum of Ice and Fire, mas compilado por Yaede.
Índices de partes traduzidas: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6
----------------------------------------------
Os muitos prognósticos e especulações loucas nas partes anteriores, na verdade, não são nada comparado ao que se segue. Ao contrário de Jaime, que tem acesso a muitas informações úteis como comandante das forças da coroa nas Terras Fluviais, não há pistas sobre as atividades dos supostos conspiradores nortenhos.
Dentre os POVs no Norte em A Dança dos Dragões, Davos, Theon e Asha não são confiáveis. O primeiro por ser o homem de Stannis, leal e verdadeiro, os dois últimos por serem homens de ferro e prisioneiros. Melisandre tem apenas um capítulo, em que ela não é tão onisciente quanto finge ser. (Rezo por um vislumbre de Azor Ahai, e R'hllor me mostra apenas Snow) E Jon? Bem, se a teoria estiver correta, ele provavelmente será o último a saber, (risadas), pois seus futuros súditos nortenhos não arriscariam por seu novo rei em perigo.
É verdade que os jogadores e jogadas estão tão obscurecidos que talvez seja uma indicação de que a Grande Conspiração do Norte está no caminho certo. Melhor para GRRM poder desvelar dramaticamente a queda catártica dos Lannisters, Boltons e Freys nas mãos dos lealistas Stark quando Os Ventos do Inverno chegar. [...]

O Norte: Os Homens dos Stark

Rastreando os Mormonts e Glovers

Juntar os fios de uma conspiração no Norte é como um jogo elaborado de telefone sem fio. Um extremo da linha está com Galbart Glover e Maege Mormont, que são testemunhas do decreto de Robb de nomear seu herdeiro, que se assume ser um Jon legitimado.
[Robb:] Senhor, preciso que dois de seus dracares contornem o Cabo das Águias e subam o Gargalo até a Atalaia da Água Cinzenta.
Lorde Jason [Mallister] hesitou.
– A floresta úmida é drenada por uma dúzia de cursos de água, todos eles rasos, assoreados e por mapear. Nem chamaria de rios. Os canais andam sempre derivando e se alterando. Há inúmeros bancos de areia, troncos caídos e emaranhados de árvores em putrefação. E a Atalaia da Água Cinzenta desloca-se. Como os meus navios irão encontrá-la?– Subam o rio exibindo o meu estandarte. Os cranogmanos vão encontrá-los. Quero dois navios para duplicar as chances de minha mensagem chegar a Howland Reed. A Senhora Maege irá num deles, Galbart no segundo. – Virou-se para os dois que tinha indicado. – Levarão cartas para os meus senhores que permanecem no Norte, mas todas as ordens nelas contidas serão falsas, para o caso de terem o azar de serem capturados. Se isso acontecer, deverão dizer-lhes que se dirigiam ao norte. De volta à Ilha dos Ursos, ou na direção da Costa Pedregosa.
(ASOS, Catelyn V)
Robb morre antes que ele possa tentar sua estratégia de retomar Fosso Cailin, mas Maege e Galbart desaparecem no Gargalo, para nunca mais serem vistos em momento nenhum de A Dança dos Dragões. Existem, no entanto, algumas dicas de que os dois mensageiros foram recebidos por Howland Reed e, mais interessantemente, voltaram a fazer contato com seus parentes no Norte.
Em primeiro lugar, os cranogmanos aparentemente começam uma campanha para livrar Fosso Cailin dos homens de ferro, cumprindo o último objetivo de Robb na guerra (apesar de a um ritmo mais lento, pois não contam com o apoio das tropas perdidas no Casamento Vermelho). Theon chega lá para encontrar a guarnição morta, morrendo ou escondida com medo dos demônios do pântano e seus venenos (ADWD, Fedor II).
Em segundo lugar, na marcha para Winterfell, Asha e Alysane conversam um pouco.
– Você tem irmãos? – Asha perguntou para sua carcereira.
– Irmãs – Alysane Mormont respondeu, ríspida como sempre. – Éramos cinco. Todas garotas. Lyanna está de volta à Ilha dos Ursos. Lyra e Jory estão com nossa mãe. Dacey foi assassinada.
– O Casamento Vermelho.
(ADWD, O Prêmio do Rei)
Como Alysane sabe que suas irmãs estão com sua mãe? A partir das descrições da hoste que Robb leva para o sul nos três primeiros livros parece que Dacey é a única filha que acompanha Maege. Isso faz um certo sentido, pois Dacey é a herdeira de Maege e as meninas mais novas não entrariam em guerra enquanto Alysane, a próxima da fila, permanece na Ilha dos Ursos.
Quando, então, Lyra e Jorelle saíram de casa? Elas e Alysane já estão ausentes quando Stannis envia suas cartas para todas as casas do Norte exigindo lealdade. Caso contrário Lyanna, de 10 anos, não teria tido a chance de responder de forma memorável, deixando Jon intrigado com a castelã escolhida pelos Mormonts (ADWD, Jon I).
De fato, se Maege estava em comunicação com a Ilha dos Ursos, suas filhas mais velhas provavelmente saberiam dela sobre Robb nomear Jon seu herdeiro, o que dá novo sentido às palavras de Lyanna. Assim como Wylla Manderly, Lyanna pode ser considerada jovem demais para participar de qualquer conselho secreto, mas, no entanto, sabe onde estão as verdadeiras lealdades de sua família, revelando-se inadvertidamente como “mulheres Stark” para Stannis, da mesma maneira que Wylla quase revela para os Frey que os Manderly eram. Talvez Lyanna atue em um desejo infantil de convencer Jon, que está na Muralha com Stannis, a reivindicar sua coroa.
Alysane chega mais tarde a Bosque Profundo e com a companhia.
Stannis tomara Bosque Profundo, e os clãs das montanhas se juntaram a ele. Flint, Norrey, Wull, Liddle, todos.
E tivemos outra ajuda, inesperada mas muito bem-vinda, da filha da Ilha dos Ursos. Alysane Mormont, a quem os homens chamam Mulher-Ursa, escondeu combatentes em uma flotilha de barcos de pesca e pegou os homens de ferro desprevenidos quando chegaram à costa. Os dracares Greyjoy foram queimados ou tomados, suas tripulações mortas ou rendidas. [...]
... mais nortenhos chegam enquanto as notícias da nossa vitória se espalham. Pescadores, mercenários, homens das colinas, arrendatários das profundezas da Matadelobos e aldeões que abandonaram seus lares ao longo da costa rochosa para escapar dos homens de ferro, sobreviventes da batalha do lado de fora dos portões de Winterfell, homens que já foram juramentados aos Hornwood, aos Cerwyn e aos Tallhart. Estamos cinco mil mais fortes enquanto escrevo para você, e nosso número incha a cada dia.
(ADWD, Jon VII)
A Ursa não poderia ter sido avisada da movimentação de Stannis em Bosque Profundo. Stannis praticamente desaparece do mapa enquanto ele arrebata Liddles, Norreys, Wulls e Flints, banqueteando-se pelas montanhas. Alysane está em Bosque Profundo em nome de outra facção. Uma que planeja retomar o castelo há algum tempo, uma vez que uma frota de navios de pesca (e os guerreiros que se escondem neles) não pode ser montada rapidamente.
De fato, os nortenhos que ingressaram no exército após a vitória de Stannis poderiam ter originalmente sido programados para atacar os homens de ferro em conjunto com as forças de Alysane. Ironicamente, isso significaria que Stannis seria a ajuda inesperada, mas muito bem-vinda, liberando Bosque Profundo antes do prazo e com menor custo para o Norte.
Em terceiro lugar, há Robett Glover, irmão e herdeiro mais novo de Galbart, que está em Porto Branco com Manderly. Para revisar, Robett é capturado em Valdocaso, mas é trocado por Martyn Lannister, filho de Kevan. Roose Bolton ordena que essa batalha seja travada, tentando sangrar as casas do Norte que se opunham a ele como Protetor do Norte, como acordado com Tywin.
Quando lhe trouxeram a notícia da batalha em Valdocaso, onde Lorde Randyll Tarly desbaratara as forças de Robett Glover e de Sor Helman Tallhart, seria de se esperar vê-lo enfurecido, mas ele limitou-se a olhar, numa incredulidade estupidificada, e dizer:
– Valdocaso, no mar estreito? Por que eles iriam para Valdocaso? – sacudiu a cabeça, desconcertado. – Um terço de minha infantaria perdido por Valdocaso?
– Os homens de ferro têm o meu castelo e agora os Lannister têm o meu irmão – disse Galbart Glover, numa voz carregada de desespero. Robett Glover sobreviveu à batalha, mas fora capturado perto da estrada do rei não muito mais tarde.
– Não será por muito tempo – prometeu o filho de Catelyn. – Vou oferecer Martyn Lannister em troca dele. Lorde Tywin terá de aceitar, por causa do irmão.
(ASOS, Catelyn IV)
---------------------------------------------
Robb tinha enviado o tio de Jeyne, Rolph Spicer, para entregar o jovemMartyn Lannister ao Dente Dourado, no mesmo dia emque recebera o acordo de Lorde Tywin com relação à troca de cativos. Tinha sido um gesto hábil. O filho ficava aliviado de seus receios quanto à segurança de Martyn, Galbart Glover ficava aliviado por saber que o irmão Robett tinha sido posto num navio em Valdocaso, Sor Rolph tinha uma tarefa importante e honrosa... e Vento Cinzento estava de novo ao lado do rei. Onde é o lugar dele.
(ASOS, Catelyn V)
Então, antes de Galbart partir para o Gargalo, ele descobre que Robett está a caminho do norte via mar. Onde mais poderia estar o destino de Robett, a não ser Porto Branco, o maior porto do norte? E se Maege pode entrar em contato com suas filhas, por que Galbart não poderia com seu irmão em Porto Branco, que fica muito mais próximo do Gargalo do que da Ilha dos Ursos?
Mas existe alguma pista de que Robett saiba que Robb nomeou Jon seu herdeiro? Talvez.
– A maldade está no sangue – disse Robett Glover. – Ele é um bastardo nascido de um estupro. Um Snow, não importa o que o rei menino diga.
– Alguma neve já foi tão negra? – perguntou Lorde Wyman. – Ramsay tomou as terras de Lorde Hornwood forçando o casamento com a viúva, e então a trancou em uma torre e a esqueceu lá. Dizem que ela comeu a extremidade dos próprios dedos... e a noção de justiça real dos Lannister é recompensar esse assassino com a garotinha de Ned Stark.
– Os Bolton sempre foram tão cruéis quanto espertos, mas esse aí parece um animal em pele humana – disse Glover.
(ADWD, Davos IV)
Robett e Manderly, também, parecem estar lançando mão dos disparates normais dos Westerosi sobre bastardos serem devassos e traiçoeiros por natureza, pois são nascidos da luxúria e mentiras. No entanto, GRRM lembra aos leitores da disputa pelas terras de Hornwood.
[Luwin:] – Sem herdeiro direto, haverá com certeza muitos pretendentes disputando as terras dos Hornwood. Tanto os Tallhart como os Flint e os Karstark têm ligações com a Casa Hornwood por linha feminina, e os Glover estão criando o bastardo de Lorde Harys em Bosque Profundo. O Forte do Pavor não tem nenhuma pretensão, que eu saiba, mas as terras são contíguas, e Roose Bolton não é homem que deixaria passar uma chance dessas. [...]
– Então deixe que o bastardo de Lorde Hornwood seja o herdeiro – Bran sugeriu, pensando no seu meio-irmão Jon.
Sor Rodrik disse:
– Isso agradaria aos Glover e talvez à sombra de Lorde Hornwood, mas não creio que a Senhora Hornwood iria simpatizar conosco. O garoto não é do seu sangue.
(ACOK, Bran II)
Mais tarde neste capítulo, Sor Rodrik questiona o intendente de Bosque profundo sobre Larence Snow, o bastardo de Lorde Hornwood, e o homem só tem elogios para o rapaz, à época com doze anos.
Por que Manderly e Glover gostariam de dar a Davos a impressão de que têm preconceito contra bastardos? E, por falar nisso, por que Davos se deu ao trabalho de recuperar não apenas Rickon de Skagos, mas Câo Felpudo para fins de identificação quando todos sabem que comandando a Muralha está Jon Snow, que foi criado em Winterfell com as crianças Stark?
Certamente, se a presença de Theon como protegido de Ned Stark é suficiente para passar Jeyne Poole como Arya, o testemunho de Jon pode provar que Rickon é quem Manderly diz que é. A menos que, segundo a teoria, Lord Wyman e Robett evitem escrupulosamente qualquer menção a Jon com a ideia de que quanto menos atenção for atraída para Jon (especialmente em relação a reis e herdeiros) melhor.
Bem, isso é talvez seja um pouco forçado (risadas). De qualquer forma, Robett desaparece no final de A Dança dos Dragões, não acompanhando Manderly à festa em Winterfell. Onde ele está? Uma teoria é que ele também está do lado de fora das muralhas de Winterfell ou em algum lugar próximo, escondido pela tempestade de neve, tendo liderado um exército de homens do Norte pelo Faca Branca.
Robett Glover estava na cidade e tentara arregimentar homens, com pouco sucesso. Lorde Manderly ignorara seus apelos. Porto Branco estava cansado de guerra, fora a resposta dele, segundo relatos. Isso era ruim.
(ADWD, Davos II)
-----------------------------------------------
Wyman Manderly balançou pesadamente os pés. – Venho construindo navios de guerra há mais de um ano. Alguns você viu, mas há muitos mais escondidos no Faca Branca. Mesmo com as perdas que sofri, ainda comando mais cavalos pesados do que qualquer outro senhor ao norte do Gargalo. Minhas muralhas são fortes e meus cofres estão cheios de prata. Castelovelho e Atalaia da Viúva seguirão minha liderança. Meus vassalos incluem uma dúzia de pequenos senhores e uma centena de cavaleiros com terras.
(ADWD, Davos IV)
O cansaço de Manderly por guerra é total e completamente fingido. Os relatos sobre falhas de Robett emarregimentar homens também são falsos? Note que, se houver outro exército à espreita na neve, Stannis nada sabe disso.
Finalmente, voltando à pergunta original, onde estão Maege Mormont e Galbart Glover? Especula-se que eles decidam permanecer nas Terras Fluviais, usando a Atalaia da Água Cinzenta como base de operações para tentar reunir os remanescentes do exército de Robb que ficam presos e dispersos quando Fosso Cailin caiu em mãos inimigas. Por exemplo, os seiscentos homens - incluindo lanceiros das montanhas e de Proto Branco, arqueiros Hornwood, e Stouts e Cerwyns – que Roose deixa no Tridente sob o comando de Ronnel Stout e Sor Kyle Condon (ASOS, Catelyn VI) dos quais nunca mais se ouve falar. Se a viagem de Senhora Coração de Pedra ao Gargalo significar que a Irmandade sem Bandeiras está agora trabalhando com Reed, Mormont e Glover, essas forças poderão em breve reaparecer onde mais doerá nos Lannisters e Freys.

Intriga marchando para Winterfell

Com Alysane Mormont funcionando como a conexão com a Senhora Maege e, consequentemente, com a legitimação de Jon por Robb como rei no norte, os próximos jogadores nesse jogo de telefone sem fio são os homens do clã, os quais (como Manderly fica sabendo via Wex) sabem que Bran (e provavelmente que Rickon também) sobreviveu ao saque de Winterfell.
Jojen Reed parou para recuperar o fôlego.
– Acha que essa gente das montanhas sabe que estamos aqui?
– Eles sabem. – Bran avistara-os observando; não com os próprios olhos, mas com os olhos mais sensíveis de Verão, que deixavam escapar muito pouco. [...]
Só uma vez encontraram um membro do povo da montanha, quando uma súbita carga de água gelada tinha feito com que buscassem abrigo. [...] Bran achou que devia ser um Liddle. O broche que prendia seu manto de pele de esquilo era de ouro e bronze, trabalhado em forma de pinha, e os Liddle usavam pinhas na metade branca de seus escudos verde e branco.
O Liddle puxou uma faca e começou a desbastar um pedaço de madeira.
– Quando havia um Stark em Winterfell, uma donzela podia percorrer a estrada do rei usando o vestido do dia de seu nome e nada sofrer, e os viajantes encontravam fogo, pão e sal em muitas estalagens e castros. Mas agora as noites são mais frias, e as portas estão fechadas. Há lulas na mata de lobos, e homens esfolados percorrem a estrada do rei, perguntando por forasteiros.
Os Reed trocaram um olhar.
– Homens esfolados? – perguntou Jojen.
– Os rapazes do Bastardo, ora. Ele tava morto, mas agora não tá. E paga bom dinheiro por pele de lobos, segundo um homem ouviu dizer, e talvez até ouro por notícias de certos outros mortos que andam. – Olhou para Bran quando disse aquilo, e para Verão, que estava estendido ao seu lado. – [...] Era diferente quando havia um Stark em Winterfell. Mas o velho lobo tá morto e o novo foi para o sul jogar o jogo de tronos, e tudo que nos resta são os fantasmas.
– Os lobos voltarão – disse solenemente Jojen.
(ASOS, Bran II)
Este estranhamente bem informado Liddle, com seu broche de ouro e bronze, é talvez um líder em seu clã. Ele não apenas reconhece Bran, mas seu pessoal também tem se mantido atentos. O próprio fato de os homens de Bolton terem prometido recompensa por notícias dos Stark supostamente mortos sugere que eles não estão mortos. Bran também pergunta ao Liddle a que distância fica a Muralha (não consta da citação acima) e, embora o homem pense que eles não deveriam seguir esse caminho, ele fica por dentro de parte dos planos deles.
Em A Dança dos Dragões, os Liddles ajudam Stannis a tomar Bosque Profundo e a marchar para Winterfell junto com os Norreys, Wulls e Flints. Em minha opinião, há boas chances de que os Liddles tenham contado aos demais sobre o encontro com Bran e companhia. Os clãs das montanhas podem brigar por cabras e mulas roubadas, mas quando se trata dos Starks de Winterfell, há consenso. Segundo a teoria, quando Alysane se junta à marcha, ela e os homens do clã trocam informações. Os Liddles, Norreys, Wulls e Flints ficam sabendo sobre Jon, Alysane sobre Bran (e talvez Rickon, se ela ainda não tiver cruzado com os Glovers).
Pouco tempo depois, Jon hospeda Norreys e Flints na Muralha.
O Velho Flint e O Norrey tinham lugares de grande honra logo abaixo do estrado. Ambos eram velhos demais para marchar com Stannis; haviam mandado filhos e netos em seus lugares. Mas ambos haviam sido rápidos o suficiente para descer até o Castelo Negro para o casamento. Cada um trouxera uma ama de leite para a Muralha, também. [...] Entre as duas, a criança que Val chamara de Monstro parecia estar prosperando.
Por isso Jon estava grato... mas não acreditara nem por um momento que esses dois veneráveis velhos guerreiros desceriam correndo das montanhas sozinhos. Cada um viera com uma cauda de guerreiros – cinco para o Velho Flint, doze para O Norrey, todos vestidos em peles esfarrapadas e couro cravejado, temíveis como a face do inverno. Alguns tinham longas barbas, alguns tinham cicatrizes, alguns tinham ambos; todos veneravam os antigos deuses do Norte, os mesmos deuses venerados pelo povo livre para lá da Muralha. No entanto, eles se sentaram, bebendo por um casamento santificado por algum estranho deus vermelho de além-mar.
Melhor isso do que se recusar a beber. Nem os Flint nem os Norrey haviam virado suas taças para derramar o vinho no chão. Isso poderia indicar certa aceitação. Ou talvez simplesmente odeiem desperdiçar um bom vinho sulista. Não dá para provar muito disso naquelas montanhas rochosas deles.
(Jon X, ADWD)
Pode ser que Flint e Norrey estiveram na Muralha para avaliar Jon? Suponha que estes homens de clã com Stannis enviem uma mensagem ou mensageiro de volta às montanhas, falando do sucessor escolhido por Robb. Os nortenhos sobrevivem na neve muito melhor do que os cavaleiros do sul de Stannis, e duvido que algum deles notaria o desparecimento um ou dois daqueles homens. O acordo de Jon sobre o casamento de Alys Karstark e sua trégua com os selvagens seriam infrações à autoridade do Rei do Norte. E representantes dos clãs das colinas vieram para observar e julgar como ele lida com os ambas as coisas:
– Lorde Snow – disse O Norrey –, onde você pretende colocar esses seus selvagens? Não nas minhas terras, espero.
– Sim – declarou o Velho Flint – Se quer deixá-los na Dádiva, é problema seu, mas assegure-se de que não vão ficar vagando por aí, ou mandarei a cabeça deles para você. O inverno está próximo e não quero mais bocas para alimentar.
– Os selvagens ficarão na Muralha – Jon lhes assegurou. [...]– Tormund me deu sua palavra. Ele servirá conosco até a primavera. O Chorão e os outros capitães terão que prometer a mesma coisa, ou não os deixaremos passar.
O Velho Flint abanou a cabeça.
– Eles nos trairão [...]
– O povo livre não tem leis nem senhores – Jon falou –, mas amam suas crianças. Você admitiria isso ao menos? [...] Por isso insisti em mantermos reféns. [...]
Os nortenhos olharam um para o outro.
– Reféns – ponderou O Norrey. – Tormund concordou com isso?
Era isso, ou ver seu povo morrer.
– Meu preço de sangue, ele chamou – falou Jon Snow –, mas pagará.– Sim, e por que não? – O Velho Flint bateu sua bengala contra o gelo. – Protegidos, nós sempre os chamávamos, quando Winterfell exigia rapazes de nós, mas eram reféns, e nada pior que isso.
– Nada, exceto para aqueles cujos pais desagradavam os Reis do Inverno – falou O Norrey. – Esses voltavam para casa uma cabeça mais curtos. Então me diga, rapaz... se esses seus amigos selvagens se mostrarem falsos, você terá estômago para fazer o que precisa ser feito?
Pergunte a Janos Slynt.
– Tormund Terror dos Gigantes me conhece o suficiente para não me testar. Posso ser um rapaz inexperiente aos seus olhos, Lorde Norrey, mas ainda sou um filho de Eddard Stark.
(ADWD, Jon XI)
Acredito que Flint e Norrey estão devidamente impressionados aqui. Se Alysane realmente falou com os clãs da intenção de Maege Mormont de defender os últimos desejos de Robb, acho que eles estariam dispostos a aceitar Jon como Rei do Inverno.
submitted by altovaliriano to Valiria [link] [comments]


2020.03.14 03:56 Monk_Level_1 Eu me apego fácil e não me desapego e algumas pessoas foram feitar para ficarem sozinhas

Bom dia, boa tarde ou boa noite, esse é o meu primeiro post no reddit e vamos lá né?
Como o titulo já fala eu sempre fui o tipo de cara que leva apenas 3 trocas de mensagens ou 3 segundos para me apaixonar por alguém e isso me acompanha desde sempre, hoje tenho 22 anos e já estou terminado a faculdade de Engenharia Civil (formo final do ano) mas o que tenho para desabafar é algo que começou quando eu tinha 17 anos.
No terceiro ano do ensino médio eu conheci uma garota do primeiro (vamos chamar ela de M) e eu conheci ela por meio de um amigo que era amigo dela e cara ela fui muito gentil comigo de um modo de que eu realmente gostei dela e queria conhecer mais ela. Até aquela época eu não tinha tinha ficado tão afim de uma garota, eu era o clássico nerd virgem que sempre queria jogar D&d. Então aquele ano de 2015 foi passando e eu ficava cada vez mais interessado na M chegando ao ponto de tentar ficar com ela no meu aniversario e ela dizer não kkk mas aquilo não me abalou, eu queira muito mostrar para ela que eu gostava dela e ela era unica para mim, cheguei até já mandando uma mensagens me declarando mas vamos deixar queto esse assunto. Então veio o ano de 2016 e tive que deixar a minha cidade natal e me mudei para a cidade que me encontro hoje para estudar e tive que deixar a M mas nós nunca paramos de conversar, desde aquela época ela fala que sente saudades de mim mas sempre que eu voltava para lá nas ferias nunca acontecia nada entre a gente.
Então na época da faculdade estavam todos os calouros aproveitando a faculdade indo em festas e ficando com varias garotas mas eu realmente não ficava com ninguém, primeiro por que eu sempre fui mais introvertido e segundo por que ainda tinha sentimentos pela M, mas isso mudou depois de um dia que eu recebi a noticia que ela tinha ficado com um cara em uma festa e isso me deixou arrasado e desenvolvi uma ideologia de que "algumas pessoas foram feitar para ficarem sozinhas". Mas ai, na festa de batismo do filho de um amigo eu conheci uma outra mossa (vamos chamar ela de J) e que nem a M ela foi muito simpática comigo, na voz dela dava para sentir que ela parecia me admirar mesmo tendo apenas 1 minuto que me conheceu (Até hoje lembro do lindo batom roxo que ela estava usando). Então trocamos telefones e começamos a conversar pelo whatsapp e naquela época a M parou de falar comigo, talvez ela tenha notado que eu tinha ficado magoado.
Conversando com J descobri que ela não era da cidade, ela morava a quase 1 hora e meia daqui mas isso não tinha relevância para mim, gostava dela de qualquer jeito e amava ficar o dia todo conversando com ela, voltava correndo para a faculdade para conversamos e a vida era uma maravilha do jeito que era até um dia que ela começou a mandar indiretas para eu pedir ela em namoro, no começo achei meio estranho mas pedi e comecei meu webnamoro (tive um webnamoro antes disso virar moda nos dias de hoje kk). Mas depois desse dia foi só piorando por que eu queria ir lá ver ela e os pais dela mas ela parecia não querer aquilo e as vezes me enrolava, na mesma época ela fez um novo amigo e ela sempre estava saindo com os amigos e ele sempre estava junto, eu comecei a suspeitar bastante disso, até que ela disse que sairia com umas amigas e eu perguntei se ele iria também e ela disse que não mas então perguntei para o irmão dela e ele me confirmou que ele estava junto então resolvi apostar que ela estava me "traindo" (coloquei entre aspas por que a gente nunca chegou a ficar realmente) e ela chorou bastante no vídeo chamada, eu também fiquei mal vendo ela chorando, mas depois passou uma semana e ela começou a namorar com o amigo dela e isso acabou comigo, e mais uma vez fiquei com a ideologia de que "algumas pessoas foram feitar para ficarem sozinhas".
E naquela mesma época a M voltou a mandar mensagens para mim, serio, com certeza os deuses queriam brincar comigo e fizeram ela, do nada, voltar a falar comigo, serio, até hoje não entendo o que fazer ela voltar a conversar. Mas eu não consigo dar vaco, querendo ou não eu ainda gostava da M. 2016 parrou e veio 2017 e nada de mais aconteceu, continuei gostando da M e da J, mas resolvi cortar a conversa com a J já que ela estava namorando, e não me envolvi amorosamente com ninguém, por conta do choque que foi 2016. 2018 foi do mesmo jeito, ainda conversava bastante com a M e a J continuava namorando (confesso que parte de mim gostaria que ela terminasse para eu poder falar com ela sem peso na consciência, mas ela estava feliz então não me envolvi em nada). 2019 foi o ano que resolvi largar isso tudo e conhecer novas garotas, mas não ocorreu nada de mais, infelizmente nenhumas das que conheci me marcou como M e J, naquele mesmo ano a M foi para São Paulo cursar a faculdade e uma coisa que não citei foi que desde 2016 a J sempre ver meus stories de instagram até hoje ela ver, eu parei de seguir ela por que não queira ver ela com outro, mas sei que ela esta feliz e é isso que importa. Tive uma conversa com a J nesse mesmo ano, mas não foi nada demais, nem tem relevância colocar aqui o assunto.
E agora chegamos em 2020, M está se mudando para uma cidade perto da minha, não sei se isso é algo bom, tenho medo de tentar novamente ter algo com ela e sofrer que nem no passado, parte de mim prefere engolir o que sinto por ela e deixar ela quieta, já conversei bastante com ela e ela esta feliz, então esta tudo tranquilo e favorável. J vai se casar, que coisa em kkk não sei se vou receber um convite informal para o casamento ou não invista que eu sou super amigo do primo dela e sempre andamos juntos, mas se ela vai se casar então esta tudo tranquilo e favorável como deve ser. E eu? Bem, vou formar em Engenharia Civil e meu prof quer me colocar para fazer mestrado em Brasília por que de acordo com ele eu daria um ótimo professor.
Peço desculpa se ficou muito grande meu texto mas eu precisava botar para fora tudo isso, eu ainda acho que algumas pessoas foram feitar para ficarem sozinhas mas isso não é tão ruim como parece, com o tempo se acostuma.
submitted by Monk_Level_1 to desabafos [link] [comments]


2020.02.24 03:57 altovaliriano A Mulher Morena

“Sábado de personagens” ainda no domingo. Fazer o quê?
A mulher morena é uma das mais misteriosas personagens de As Crônicas de Gelo e Fogo. Seu nome e origem nunca foi revelado ao leitor. Pouco mais sabemos sobre ela, mas em resumo a mulher foi entregue por Euron a Victarion como um prêmio. Sabemos que ela é muda e que Victarion a considera bonita.
Porém, em determinado momento da história, fica evidente ao leitor de que a mulher morena é mais do que parece ser. A tripulação de Victarion resgata do mar Moqorro, um sacerdote de R’hllor enviado pelo Templo Vermelho para auxiliar Daenerys em Meereen, e leva-o a Victarion, pois o homem afirma estar sabendo de que o Capitão de Ferro corre perigo de morte. Quando um mal súbito atinge Victarion, ele e Moqorro vão à sua cabine e o seguinte ocorre:
Quando abriu a porta da cabine do capitão, a mulher morena se virou em sua direção, silenciosa e sorridente... mas, quando viu o sacerdote vermelho ao lado dele, seus lábios se afastaram de seus dentes, e ela sibilou em súbita fúria, como uma serpente. Victarion a acertou com as costas da mão boa e a derrubou no chão.
– Quieta, mulher. Vinho para nós dois. [...]
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
A hostilidade da mulher morena para com Moqorro parece uma indicação muito forte sobre a origem e propósito da personagem na história. A partir deste fato apenas, leitores foram levados às mais loucas especulações sobre a identidade da misteriosa serva-amante de Victarion. Entretanto, se o reino das especulações produz resultados estranhos, posso afirmar que as evidências presente no próprio texto não são menos estranhas. Se analisadas em sua literalidade, o texto produzido pelo próprio Martin aponta para direções completamente ininteligíveis.
Analisemos.

Fenótipo, aparência e semelhanças

Fenótipo é o resultado da expressão dos genes do organismo, da influência de fatores ambientais e da possível interação entre os dois. No contexto deste texto, o fenótipo da mulher morena é algo que poderia nos dar uma dica sobre sua herança genética.
Esse herança genética PODE nos ajudar a determinar a cultura na qual ela nasceu, mas é claro que isso não permite nos concluir com absoluta certeza que ela pertence esta cultura. Um bom exemplo de personagem cujo fenótipo pode ser usado para nos confundir é Sarella Sand, que pertence à cultura westerosi, apesar de que sua aparência denotaria ter nascido nas Ilhas do Verão.
Entretanto, diante das poucas informações disponíveis sobre a mulher morena, esta análise se torna necessária. Em verdade, o próprio Martin parece estar induzindo os leitores a realizar estas investigações, pois ele mesmo deposita dicas disso no texto:
Sua pele era negra. Não o marrom castanho dos ilhéus do Verão com seus navios cisne, nem o marrom-avermelhado dos senhores dos cavalos dothrakis, nem a cor de carvão-e-terra da pele da mulher morena*, mas negra. Mais negra que carvão, mais negra do que o azeviche, mais negra do que as asas de um corvo.*
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Na passagem acima, vê-se que Martin descarta através de Victarion que a mulher morena pertence às culturas dos Ilhéus do Verão e dos senhores de cavalo Dothraki. A exclusão das Ilhas do Verão é especialmente útil, haja vista onde Euron ALEGA ter encontrado a mulher morena:
INGLÊS: As a reward for his leal service, the new-crowned king had given Victarion the dusky woman, taken off some slaver bound for Lys.
PORTUGUÊS: Como recompensa por seu leal serviço, o recém-coroado rei dera a Victarion a morena, roubada de algum mercador de escravos a caminho de Lys*.*
(AFFC, O Pirata)
Eu acho curioso a forma como fica apenas implícito de que Euron teria capturado a Mulher Morena nos porões de um navio de escravos indo para Lys, quando, na verdade, nada disso está escrito no texto. Não se menciona qualquer navio, nem que ela era uma escrava. Tão facilmente como tomou Falia Flowers quando invadiram o Castelo dos Hewett, Euron poderia muito bem ter tomado a amante de um mercador de escravos.
Mas evitemos a interpretação segundo a qual Martin, a esta altura da história, está tentando nos confundir com jogos de palavras. Que outras opções de origem teria uma mulher “bela, com uma pele tão castanha quanto teca oleada”?
Aqueles que partirem para O Mundo de Gelo e Fogo em busca de auxílio encontrarão logo a seguinte referência sobre os habitantes de Naath:
O povo nativo da ilha é uma raça bonita e gentil, com rostos redondos, pele escura e grandes olhos suaves cor de âmbar, em geral salpicados de dourado.
[...~]
O Povo Pacífico sempre teve um bom preço, dizem, pois são tão inteligentes quanto gentis, belos de se olhar e rápidos em aprender a obediência*. É relatado que* uma casa de prazer em Lys é famosa por suas garotas naathi*, que usam diáfanos vestidos de seda e são adornadas com asas de borboletas alegremente pintadas.*
(TWOIAF, Naath)
As descrições tem certa compatibilidade com as características relatadas da mulher morena. Entretanto, os característicos olhos amarelados teriam sido notados facilmente mesmo por alguém tão tapado quanto Victarion. Por outro lado, depois da demonstração de fúria perante Moqorro, acredito que pouco classificariam a mulher morena como “gentil”.
Caso continuemos a pesquisa no livro de meistre Yandell, logo encontraremos uma outra descrição sobre o povo de Leng que é bastante capciosa:
Os lengii nativos são talvez os mais altos de todas as raças da humanidade, com muitos homens entre eles chegando a mais de dois metros de altura, e alguns até com dois metros e meio. De pernas longas e esguios, pele cor de teca oleada*, eles têm grandes olhos dourados e supostamente podem ver mais longe e melhor do que outros homens,* especialmente à noite. Embora formidavelmente altas*, as mulheres lengii são notoriamente ágeis e encantadoras, de* beleza insuperável*.*
(TWOIAF, Leng)
A descrição da pele é inteiramente simétrica àquela da mulher morena (fornecida por VIctarion). Na verdade, é curioso perceber que a única vez que a expressão “teca oleada” é usada para descrever a pele de alguém ocorre com a mulher morena. A única outra vez em que essa analogia é usada é como o povo de Leng, fora da saga principal, em um livro acessório.
Entretanto, há mais problemas aqui do que soluções. Novamente temos a descrição do dourado dos olhos (que seriam difíceis de Victarion ignorar), a altura formidável e a beleza insuperável. Ainda que possamos alegar que Victarion é um homem alto, próximo dos 2 metros de altura (segundo estimativas dos leitores), seria difícil que ele ignorasse que a mulher morena fosse muito alta para uma mulher e de beleza insuperável.
Desse modo, acredito ser seguro descartar Leng e seguir. Não há mais nenhuma referência a características que se assemelhem à da mulher morena (fora das Ilhas do Verão, que já foram descartadas em nossas premissas acima), porém existe uma referência a um povo no estrangeiro que por vezes sofre o mesmo destino reservado à mulher morena:
Não é surpresa que Sothoros seja pouco povoado quando comparado com Westeros ou Essos. Duas dezenas de pequenas vilas de comércio se amontoam na costa norte ‒ vilas de lama e sangue*, alguns dizem: molhadas, úmidas e cheias de miséria, onde aventureiros, trapaceiros, exilados e* prostitutas das Cidades Livres e dos Sete Reinos vêm fazer fortuna.
Há riquezas escondidas entre as selvas, pântanos e taciturnos rios banhados pelo sol do sul, sem dúvida, mas, para cada homem que encontra ouro, pérolas ou especiarias preciosas, há uma centena que encontra apenas a morte. Os corsários das Ilhas Basilisco atacam esses assentamentos, levando cativos que serão mantidos confinados em Garra ou na Ilha das Lágrimas antes de serem vendidos para os mercados de carne da Baía dos Escravos, ou para as casas de prazer e jardins de prazer de Lys*.*
(TWOIAF, Sothoros)
Embora seja muito vago afirmar que esta é uma origem em potencial para a mulher morena (pois, virtualmente, é o mesmo que dizer que ela poderia ter vindo de qualquer lugar do mundo), a menção de que prostitutas das cidades livres que se aventuram em Sothoryos podem acabar em Lys pode nos ajudar a esclarecer algumas dúvidas sobre seu comportamento esquisito (vide abaixo).
Portanto, ainda que não possamos determinar sua origem, a análise acima nos permite começar a descartar algumas opções. Inclusive, percebemos que a mulher morena tem um pele de uma tonalidade ímpar (teca oleada), o que pode indicar que ela pertença a um povo que ainda não foi descrito pro Martin.
Entrentanto, há uma última analogia que não pode deixar de ser registrada:
“Não quero nenhuma de suas sobras”, dissera desdenhosamente ao irmão, mas quando Olho de Corvo declarou que a mulher seria morta se não a aceitasse, fraquejou. A língua dela tinha sido arrancada, mas exceto por este pormenor estava intacta, e era também bela, com uma pele tão castanha quanto teca oleada. Mas, por vezes, quando a olhava, surpreendia-se lembrando da primeira mulher que o irmão lhe dera*, para fazer dele um homem.*
(AFFC, O Pirata)
Sendo Euron alguém conhecido por apreciar jogos mentais, a escolha de alguém que se assemelhasse com a primeira mulher que Victarion havia recebido pode ter sido deliberada. Este detalhe pode ter sido essencial para capturar a memória afetiva de Victarion e fazer com que ele mais facilmente aceitasse o presente de Euron.
Não fica claro se por “primeira mulher” Victarion está falando de sua primeira esposa (que morreu no parto de uma menina natimorta) ou se ele estaria se referindo à primeira mulher com que se deitou. Curiosamente, esta dúvida se aprofunda quando vemos observamos os pensamentos de Victarion no capítulo liberado de Os Ventos do Inverno:
[Spoilers de Os Ventos do Inverno]Enquanto estava na proa do Vitória de Ferro vendo os navios mercantes de Uma-orelha desaparecem um a um ao oeste, as faces dos primeiros inimigos que matara voltaram a Victarion Greyjoy. Ele pensou em seu primeiro navio, em sua primeira mulher.
(TWOW, Victarion)
De todo modo, o importante é que a mulher morena desperta nele esta memória afetiva. Com efeito, o próprio Victarion não parece compreender porque aceitou a mulher ou mesmo porque não cumpriu seu desejo de sacrificá-la, a despeito de ter a perfeita noção de que qualquer presente de Euron é um presente de grego:
A mulher morena não respondeu. Euron havia cortado sua língua antes de dá-la para ele. Victarion não duvidada que o Olho de Corvo tivesse dormido com ela também. Era o jeito do seu irmão. Os presentes de Euron são envenenados, o capitão lembrara a si mesmo no dia em que a mulher morena veio a bordo*. Não quero nenhum de seus restos. Decidira, então, que cortaria a garganta dela e a atiraria ao mar, um sacrifício de sangue para o Deus Afogado.* De alguma forma, contudo, jamais chegara nem perto de fazer isso*.*
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Pior, esta sensação de familiaridade poderia justificar também a razão pela qual Victarion confiava seus segredos a ela. Não que a mudez da mulher não tenha parte nisso. Afinal, é o que os próprios pensamentos de Victarion indicam:
Cada vez mais, temia que tivessem navegado longe demais, em mares desconhecidos onde até mesmo os deuses eram estranhos... mas, essas dúvidas, ele confidenciava apenas para sua mulher morena, que não tinha língua para repeti-las.
[...]
Victarion podia falar com a mulher morena. Ela nunca tentava responder.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Contudo, isto não explica outros momentos em que Victarion observa ter uma conexão com a mulher morena que independem da confidencialidade verbal. Para estas situações, a memória afetiva me parece funcionar como uma justificativa muito melhor:
A mulher morena sabia o que ele queria sem que tivesse que pedir. Quando ele relaxou em sua cadeira, ela pegou um pano úmido e macio da bacia e o colocou em sua testa.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Outros exemplos disto são a forma como Victarion parece confiar na mulher morena não só mais do que em Meistre Kerwin, capturado em escudoverde (o que é até justificável, pois os nascidos do ferro parecem desconfiar dos meistres, especialmente em um que servia a uma Casa inimiga derrotada)...
– Pegue esta sujeira e vá. – Victarion acenou para a mulher morena. – Ela pode fazer o curativo.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
... mas talvez até mais do que confia em Moqorro:
– [...] Gostaria que eu o sangrasse?
Victarion agarrou a mulher morena pelo pulso e a puxou para si.
Ela fará isso. Vá orar ao seu deus vermelho. Acenda seu fogo, e me diga o que vê.
Os olhos escuros de Moqorro pareceram brilhar.
– Vejo dragões.
(TWOW, Victarion)
No aspecto sexual, mesmo diante de sete mulheres treinadas para o prazer pelo Yunkaítas, Victarion diz-se satisfeito com sua mulher morena até que chegue o dia de tomar Daenerys para si:
Os senhores de escravos de Yunkai as haviam treinado no caminho dos sete suspiros, mas não era para isso que Victarion precisava delas. Sua mulher morena era suficiente para satisfazer seus apetites até que pudesse chegar a Meereen e reivindicar sua rainha.
(ADWD, Victarion)
A confiança na mulher morena é a tal ponto acentuada, que Victarion passa a suspeitar que seu meistre poderia estar causando a infecção do ferimento em sua mão. Ela é uma das duas únicas pessoas tratando seu ferimento em todo o barco, mas ele não só a exclui da lista de suspeitos como confidencia a ela suas suspeitas sobre Kerwin:
– Se não foi Serry, então quem? – perguntou para a mulher morena. – Poderia aquele rato daquele meistre estar causando isso? Meistres conhecem feitiços e outros truques. Ele pode estar usando um para me envenenar, esperando que eu o deixe cortar minha mão fora. – Quanto mais pensava nisso, mais provável lhe parecia. – O Olho de Corvo o deu para mim, criatura miserável que é. – Euron tirara Kerwin de Escudoverde, onde estava a serviço de Lorde Chester, cuidando de seus corvos e ensinando seus filhos, ou talvez de outros nas redondezas. E como o rato guinchava quando um dos mudos de Euron o entregara a bordo do Vitória de Ferro, arrastando-o pela corrente em seu pescoço. – Se isso é por vingança, ele se engana comigo. Foi Euron quem insistiu que ele fosse levado, para evitar que causasse danos com suas aves. – Seu irmão lhe dera três gaiolas de corvos também, para que Kerwin pudesse mandar notícias de sua viagem, mas Victarion proibira que fossem soltas. Que fique de molho, se perguntando o que está acontecendo.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
É claro que pode-se arguir que Victarion simplesmente é burro e não vê coisas que simplesmente estão acontecendo sob seu nariz. Entretanto, o que me surpreende neste diálogo é que ele cita Kerwin ser um presente envenenado de Euron como motivo para sua suspeita, sendo que ele está falando diretamente para o primeiro presente que ele mesmo julgou envenenado.
Assim, me parece que isto demonstra que Victarion realmente desenvolveu um elo afetivo com a mulher, não APENAS que ele é burro.

Comportamentos e habilidades curiosos

A mulher morena é estranha e age de forma estranha.
A primeira coisa a se registrar são as suspeitas do fandom. Os leitores em geral acreditam que a mulher morena espia Victarion para Euron. Pouquíssimos arriscam dizer que ela é uma espiã dos magos de Qarth (Warlocks). Entretanto, tanto os primeiros quanto os últimos dizem que a espionagem se dá de forma mágica.
Alguns dizem que Euron entra na pele da mulher morena (assumindo como verdadeira a teoria de que Euron é um troca-peles poderoso) para interagir com Euron. Outros dizem que Euron ou os warlocks simplesmente usam os ouvidos e olhos da mulher morena para clariaudiência ou clarividência, sem propriamente ter controle sobre ela.
Porém, eu não acredito que essas especulações tenham fundamento textual, mas partem de um sentimento geral de suspeita que é causado pelo que está no texto. Examinemos cada caso.
Lembram-se que eu disse que a menção de O Mundo de Gelo e Fogo sobre “prostitutas das cidades livres que se aventuram em Sothoryos poderem acabar em Lys” iria nos ajudar a esclarecer o comportamento esquisito da mulher morena? Pois bem, chegou a hora.
Victarion estava guerreando no Vago, quando retorna a sua cabine para ter com a mulher morena:
Em sua apertada cabine de popa, foi encontrar a mulher morena, úmida e pronta*; a batalha talvez também tivesse aquecido seu sangue.*
(AFFC, O Pirata)
Não é estranho que uma mulher que havia sido capturada e entregue a Victarion como uma escrava estivesse “úmida e pronta” assim que seu atual captor irrompesse pela porta vestido em armadura, suado e sangrando?
É claro que simplesmente poderíamos, como Victarion (mau sinal...), assumir que a batalha a tivesse excitado. Ou que Victarion seja mais atraente do que podemos pensar.
Mas não seria igualmente possível pensar que este seria um indício de que a mulher morena tem experiência como concubina?
É sabido que Martin fez com que os meistres da Cidadela tivesse um conhecimento de medicina mais avançado do que aqueles disponíveis para os praticante da medicina da Idade Média do mundo real. Entretanto, não está claro que este grau avançado de desenvolvimento também aconteça nas demais civilizações do resto do mundo que Martin criou.
Na verdade, parece que não, pois Mirri Maz Durr cita que aprendeu artes curativas com o Arquimeistre Marwyn, o que parece indicar que a Cidadela detém os melhores conhecimentos médicos do mundo:
Uma cantora de lua de Jogos Nhai deu-me de presente as suas canções de parto, uma mulher do seu povo cavaleiro ensinou-me as magias do capim, dos grãos e dos cavalos, e um meistre das Terras do Poente abriu um cadáver e mostrou-me todos os segredos que se escondem sob a pele.
Sor Jorah Mormont interveio.
– Um meistre?
– Chamava-se Marwyn – respondeu a mulher no Idioma Comum. – Do mar. Do outro lado do mar. As Sete Terras, disse ele. Terras do Poente. Onde os homens são de ferro e os dragões governam. Ensinou-me esta língua.
(AGOT, Daenerys VII)
Ocorre que a mulher morena parece ter bons conhecimentos sobre como tratar um ferimento:
A morena lavou o ferimento com vinagre fervido*. [...] Victarion dirigiu-se à morena enquanto ela enfaixava sua mão com* linho*. [...]*
(AFFC, O Pirata)
A mulher morena estava enfaixando sua mão com linho limpo, enrolando a faixa seis vezes ao redor da palma, quando Aguado Pyke apareceu [...].
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Em verdade, o tratamento que a mulher morena vinha aplicando a Victarion era justamente o que o meistre aplicava após punção dos ferimentos:
Sangue era bom. Victarion grunhiu em aprovação. Sentou-se firme enquanto o meistre secava, apertava e limpava o pus, com quadrados de tecido macio fervidos em vinagre*. Quando terminou, a água limpa na bacia tinha se tornado uma sopa espumante. A visão por si só podia fazer qualquer homem enjoar.*
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
A mulher morena até demonstrou ter mais intimidade com este tipo de ferimentos do que o próprio meistre Kerwin. O rosado meistre não é referência de estômago forte, claro, mas a reação de nojo da mulher morena é tão econômica, que parece apontar para certa prática no assunto:
O pus que irrompeu era grosso e amarelo como leite azedo. A mulher morena torceu o nariz para o cheiro, o meistre segurou a ânsia de vômito e até Victarion sentiu seu estômago revirar.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Por outro lado, apesar de ficar parecendo pela passagem abaixo que Victarion também poderia conhecer estes procedimentos (o que não seria impossível, já que o Cão de Caça demonstrou conhece-los também quando estava com Arya), eu acredito que Victarion simplesmente está com a memória ruim, pois quem lavou primeiro o ferimento foi a mulher morena (vide citação acima):
Um arranhão de um gatinho, Victarion disse para si mesmo, depois. Lavara o corte, despejara um pouco de vinagre fervido sobre ele, enfaixara-o e deixou de pensar naquilo, acreditando que a dor diminuiria e a mão se curaria com o tempo. Em vez disso, a ferida tinha infeccionado, até que Victarion começou a se perguntar se a lâmina de Serry estava envenenada. Por que mais a ferida se recusaria a sarar?
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
De fato, como o procedimento está correto e a medicina westerosi é mais avançada do que a medieval, muitos leitores se teorizam que a mulher morena poderia estar de alguma forma envenenando Victarion, ou ao menos matando-o devagar ao fazer algo para não permitir a cicatrização do corte.
Há até mesmo uma passagem em que vimos que o único procedimento sugerido pelo meistre que não é adotado pela mulher morena é tentar drenar o ferimento em local aberto:
O meistre sugerira que o ferimento seria mais bem drenado no convés, no ar fresco e à luz do sol, mas Victarion proibira. Aquilo não era algo que sua tripulação pudesse ver. Estavam a meio mundo de casa, longe demais para deixá-los ver seu capitão de ferro começar a enferrujar.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Caso ela realmente estivesse piorando a condição de Victarion, evitar o convés seria uma atitude compatível. O problema é descobrir com que finalidade ela estaria fazendo isso. O que nos leva ao próximo e principal item desta lista
· Reconhece Moqorro como perigoso
A reação explosiva da mulher morena ao ver Moqorro parece significar que ela o acha perigoso. Mas perigoso como? Para quem? Bem, a resposta depende de saber quem realmente é a mulher morena e quais seus propósitos.
Aqueles que acham que ela está sendo possuída magicamente ou servindo de olhos e ouvidos para poderes de clarividência e clariaudiência, seja por parte de Euron ou dos Warlocks, pensam que estes sabem que Moqorro põe seus planos em riscos, pois os poderes do sacerdote vermelho permitem saber que a mulher morena é uma marionente.
Já aqueles que acreditam que a mulher morena está envenenando ou adoecendo Victarion pensam que a reação dela se deu em decorrência de que ela sabe dos poderes “curativos” do sacerdote e que todo o trabalho que ela está tendo será perdido no momento em que Moqorro entrar em ação.
E há aqueles que acreditam que a mulher morena sabe que Moqorro não está ali para curar Victarion, mas sim para trazer um sofrimento ainda maior. Nesta hipótese a mulher morena estaria tentando avisar Victarion sobre o perigo que Moqorro representa, mas não tem como expressar isso devido à mudez e à personalidade tosca de Victarion.
Porém, todos concordam em um ponto: a mulher reconheceu Moqorro. A pergunta não deveria ser “que tipo de perigo ela acha que Moqorro representa”. Isso acho dificílimo de adivinhar. Mas parece um pouco mais factível se especular sobre “de onde ela conhece Moqorro ou alguém como Moqorro”.
Para isso precisamos listar as características visíveis sobre Moqorro. Aquelas que fariam alguém entender quem ele é logo à primeira vista:
  1. Porte físico impressionante
  2. Cor de pele singular
  3. Tatuagens de chamas no rosto
Quanto ao porte físico, duvido que isso faça alguma diferença para a mulher morena, haja vista que há homens como Andrik, o Sério entre os homens de ferro.
A cor de pele da pele de Moqorro pode gerar duas reações. Uma demonstração simples de racismo, como ocorreu com os primeiros Ghiscari a chegarem às Ilhas do Verão (TWOIAF, As Ilhas do Verão). Ou a cor pode realmente vir de algo que lembre “um homem que foi tostado nas chamas até que sua carne carbonizou e caiu soltando fumaça de seus ossos”.
Nesse último caso, a cor da pele de Moqorro denunciaria algum grau avançado de poder místico. O fato de a mulher morena ter percebido isto induz a pensa que ela pode ter tido algum encontro com este tipo de pessoa no passado. Um encontro traumático, claro.
Por fim, se forem as tatuagens, simplesmente a mulher morena tem algo contra sacerdotes de R’hllor.
A parte interessante é que Moqorro não mostra interesse algum na mulher. Mas Moqorro não mostra interesse algum em ninguém, nem mesmo os tripulantes que pediram que Victarion o matasse.
Os homens de Euron são compostos de “mudos e mestiços”. Isso quer dizer que os mestiços não são necessariamente mudos. Vimos, inclusive, que um dos filhos bastardos mestiços de Euron fala. Portanto, cortar a língua da mulher morena foi uma atitude deliberada de Euron. Ou ela era parte da tripulação como os demais mudos?
Por outro lado, diante de tantas possibilidades de origens estrangeiras para a mulher, fica a pergunta: ela fala a língua comum? Sequer entende o que Victarion está falando?

Propósito e futuro

Se a mulher é uma espiã de Euron, então Euron está fazendo uma farta colheita. Mas de que serve toda esta informação agora? Será útil a Euron ou aos Warlocks no futuro saber que Moqorro está com Daenerys? Ou as notícias de que Daenerys está morta já podem ser suficientes?
Em suma, que futuro existirá para a mulher morena se tantas pessoas apostam na morte de Victarion? O próprio Victarion pensa em fazê-la de camareira:
– Ela será minha esposa, e você será minha camareira. – Uma camareira sem língua nunca deixaria escapar nenhum segredo.
Ele poderia ter dito mais, mas foi então que o meistre chegou, batendo na porta da cabine, tímido como um rato.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Há também a possibilidade de que ela carregue um filho de Euron em si. Afinal, o próprio VIctarion suspeita de que Euron já havia se deitado com a mulher antes de passa-la a ele.
Por terminar as especulações sem spoilers, seria a mulher morena uma feiticeira com poderes próprios e um objetivo claro em Meereen?

Especulações com spoilers de Ventos do Inverno

O capítulo de Victarion em Ventos do Inverno não é completo. Ele termina com algumas notas sem transcrição literal dos eventos:
❖ A mulher morena sangra o braço de Victarion em uma bacia. Victarion esfrega o sangue no berrante, murmurando suavemente para ele “​Meu berrante… dragões…”;
❖ Victarion masturba a mulher morena, não há penetração. Ele pensa que não gosta de transar antes da batalha;
❖ A mulher morena o ajuda a colocar a armadura, ele faz um discurso vibrante para a tripulação, e eles velejam em direção a Meereen.
(TWOW, Victarion)
Como a mulher morena é citada em todas as notas finasi, algumas perguntas ficam no ar:
Se Euron ou os Warlocks estão assistindo VIctarion reinvindicar o berrante via mulher morena, eles teriam algo preparado para fazer caso isso acontecesse? Fazia parte dos planos?
Qual é a importância de Victarion masturbar a mulher morena? Teria alguma relação com o braço que ele usa para fazer isso? Victarion usaria seu braço fumacento para fazer algo do tipo? Por que diabos ele faria algo do tipo?
A mulher morena fica para trás no navio quando os nascidos no ferro descem para atacar Meereen. Ela pode sabotar alguma parte dos planos? Teria alguma relação com o Atador de Dragões?
submitted by altovaliriano to Valiria [link] [comments]


2020.01.20 03:58 altovaliriano Arya Stark

Mais uma vez o “sábado de personagens” deslocado para o domingo. E mesmo assim atrasa...
Hoje, Arya Stark é a personagem da semana.
Arya é literalmente a filha do meio de Catelyn e Eddard. A terceira de cinco. A segunda do sexo feminino. Mas é a única criança de Catelyn que se parece com uma Stark. Esta constatação, isoladamente, já revela como Arya se diferencia de seus irmãos.
Porém, o caso de Arya vai mais além. Ela herdou o espírito selvagem da família de Eddard, sendo especialmente parecida com sua falecida tia Lyanna. Talvez por isso que Ned tenha tanta tolerância com Arya e seus ímpetos aventureiros e inclinações marciais. De todo modo, Ned não poderia alegar desconhecer que sua filha não aceita exercer os papéis que são relegados às mulheres nos Sete Reinos:
– E eu posso ser conselheira do rei, construir castelos ou me tornar Alta Septã?
– Você – disse Ned, dando-lhe um suave beijo na testa – casará com um rei e governará seu castelo, e seus filhos serão cavaleiros, príncipes e senhores e, sim, talvez mesmo um Alto Septão.
Arya fez uma careta.
– Não – ela protestou –, esta é a Sansa – dobrou a perna direita e voltou aos exercícios deequilíbrio. Ned suspirou e a deixou ali.
(AGOT, Eddard V)
A natureza diferenciada de Arya, porém, tem seus custos. E o principal custo é sua convivência com sua irmã Sansa. Martin chegou a declarar (vide seção abaixo) que Arya foi criada primeiro, mas que a personagem estava muito bem relacionada com os demais irmãos. Assim, ele sentiu que era necessário criar Sansa para atazana-la.
De fato, o papel de Sansa e Jeyne Poole é apenas o de ridicularizar Arya e fazer com que ela frequentemente sentisse que não tinha competência para desempenhar os papéis que eram esperados dela como mulher. Ao longo dos livros, estes sentimentos parecem não se alterar. De modo que fica cada vez mais evidente que o afeto que as irmãs nutrem uma pela outra é, no máximo, distante:
Sansa era educada demais para sorrir da desgraça da irmã, mas havia o sorriso afetado de Jeyne no seu lugar. (AGOT, Arya I)
Arya saíra ao senhor seu pai. Os cabelos eram de um castanho sem brilho, e o rosto, longo e solene. Jeyne costumava chamá-la Arya Cara de Cavalo, e relinchava sempre que ela se aproximava. (AGOT, Arya I)
Sansa sonhara em ter uma irmã como Margaery; bela e gentil, com todas as graças do mundo às suas ordens. Arya havia sido completamente insatisfatória no que tocava a ser irmã. (ASOS, Sansa II)
A Agulha era Robb, Bran e Rickon, a mãe e o pai, até Sansa. (AFFC, Arya II)
Dentre seus irmãos, Arya somente desfruta de um relacionamento próximo com seu “meio-irmão” Jon Snow. Não é coincidência que Jon seja outra pessoa por quem Sansa nutre um afeto distante. Arya e Jon dividem algumas características. Ambos não se adaptam bem à atual dinâmica familiar de Winterfell e são os parentes de Eddard que mais se assemelham a ele. Estas peculiaridades provavelmente foram as responsáveis por unir Jon e Arya.
Entretanto, muitos leitores enxergam mais do que isso. Há durante toda a saga diversos momentos em que os “meio-irmãos” pensam um no outro em contextos que sugerem inclinações românticas, ainda que platônicas.
GRRM afirma (vide seção abaixo) que tais indícios eram fortes no primeiro livro, quando ainda existia a idéia de tornar Jon e Arya um par romântico, mas que isso foi sumindo dos livros ao longo da saga. Tudo não poderia ser algum tipo de complexo fraterno.
Entretanto, não é o que se verifica nos livros seguintes. A última vez que Arya e Jon se viram foi no começo de A Guerra dos Tronos, mas eles ainda estão pensando carinhosamente um no outro mesmo nos mais recentes volumes da série:
Ygritte trotou para o lado de Jon enquanto este reduzia o passo do garrano. Ela dizia ser três anos mais velha do que ele, embora fosse quinze centímetros mais baixa; qualquer que fosse a sua idade, a garota era uma coisinha rija. Cobra das Pedras chamara-a de “esposa de lança” quando a tinham capturado no Passo dos Guinchos. Não era casada e sua arma favorita era um pequeno arco curvado feito de chifre e represeiro, mas “esposa de lança” ajustava-se a ela mesmo assim. Lembrava a Jon um pouco sua irmã, Arya*, embora esta fosse mais nova e provavelmente mais magra. Era difícil dizer se Ygritte era magra ou gorda, comtodas as*peles que usava.
(ASOS, Jon II)
Ela nunca se incomodara em ser bonita, mesmo quando era a estúpida Arya Stark. Apenas seu pai já lhe chamara daquilo. Ele, e Jon Snow, algumas vezes*. Sua mãe costumava dizer que ela poderia ser bonita se lavasse e escovasse o cabelo e tomasse mais cuidado com suas roupas, do jeito que a irmã fazia. Para a irmã, as amigas dela e todo o resto, ela fora apenas Ary a Cara de Cavalo. Mas estavam todos mortos agora, até mesmo Arya, todos menos seu meio-irmão Jon. Algumas noites, ela ouvia falarem dele nas tavernas e bordéis do Porto do Trapeiro. O Bastardo Negro da Muralha, os homens o chamavam.* Nem mesmo Jon teria reconhecido a Cega Beth, aposto. Aquilo a deixava triste*.*
(ADWD, A Garota Cega)
Em todo caso, qualquer que seja, foi este sentimento que moveu Jon Snow a abandonar seus votos e desertar a Patrulha. Assim, é algo que move Jon em direção à Arya e o leva a aceita-la da forma que ela é.
Tal qual Eddard, Jon não desdenha da aptidões de Arya. Ele foi, em verdade, o primeiro patrocinador delas, antes mesmo do pai. Ao presentar a “irmã” com Agulha, Jon semeou o terreno para que Eddard oferecesse a Arya um treinamento de dançarina da água. É notório que Eddard estava tentando desviar Arya de ambições maiores (como a cavalaria, por exemplo), mas a história de Agulha e o treinamento com a Syrio Forel forem responsáveis por plantar prenúncios frutíferos na história.
O primeiro foi tornar Braavos uma cidade com a qual Arya tinha uma ligeira familiaridade. Assim, quando ela tivesse que ir para lá, não parecesse um total tiro no escuro. A segunda é a frase que Jon Snow diz antes mesmo de presentar a irmã:
Quanto mais tempo ficar escondida, mais severa a penitência. Costurará durante todo o inverno. Quando chegar o degelo da primavera, encontrarão seu corpo ainda com uma agulha bem presa entre os dedos congelados.
(AGOT, Arya I)
Muitos leitores veem nesta frase um prenuncio de que Arya poderia morrer durante a Batalha pela Alvorada. Assim, caso se corpo fosse encontrado com a espada Agulha presa às suas mãos, saberíamos que as palavras inocente de Jon se provaram proféticas. Até mesmo poderia servir para que o corpo de Arya fosse identificado mesmo se ela estivesse com um rosto diferente.
Outro fato de nota que ocorreu a Arya antes de partir para Porto Real e todas as aventuras que se seguiram daí foi a adoção da loba gigante Nymeria. Ainda que soe natural que Arya daria um nome de uma mulher ousada para sua loba, a referência dornesa parece de alguma forma distante demais da realidade nortenha para que não haja algum significado nesta escolha... ou talvez seja apenas um detalhe de construção de mundo.
Qualquer que seja o caso, Nymeria e Arya foram separadas com pouco tempo de criação e adestramento. Este tempo,entretanto, foi suficiente para que o dom como troca-peles de Arya fosse despertado. O fato de que Nymeria conseguiu sobreviver ao ser forçada a fugir foi determinante para o desenvolvimento à distância das aptidões de Arya.
Plantadas estas idéias no leitor, Martin segue até o final de A Guerra dos Tronos fazendo com que Arya passe por horas de treinamento, ocasionalmente usando-a como espectadora de eventos inusitados, como o encontro entre Illyrio e Varys no subsolo da Fortaleza Vermelha. Um fato curioso deste encontro é que Arya observa bem a fisionomia de Illyrio, mas não a de Varys (que está disfarçado). Dessa forma, uma amiga me questionou se isso não seria um indício de que Arya poderia ter que acabar recusando uma missão da Casa do Preto e do Branco para matar Illyrio no futuro, pois o “conhece”. É uma questão a se pensar...
De toda forma, Arya presencia em mais vivacidade o massacre dos homens Stark no momento da prisão de seu pai, assim como está presente quando ele tem sua cabeça cortada. A fuga da Fortaleza Vermelha, inclusive, a provoca a matar uma pessoa pela primeira vez na vida: um cavalariço de sua idade que poderia denunciá-la.
Quando Yoren a extrai de Porto Real para leva-la ao Norte, Arya começa a ter que sobreviver em meio ao luto. Assim como Sansa, Arya é deixada em circunstância hostis. Durante os A Fúria dos Reis, ambas as garotas suportam muitos abusos e humilhações, mas ao menos Sansa pôde contar com relativo conforto. Da parte de Arya, ainda que ela desde pequena se sinta à vontade em meio à plebe, a jornada se prova particularmente árdua. Especialmente porque Arya se vê pela primeira vez vivendo sobre uma nova identidade.
Após a morte de Yoren, não demora para que o grupo de órfãos vire presa de Gregor Clegane e seu bando. Conforme se passam no cárcere, Arya começa a bolar sua famosa lista, com todas as pessoas que ela julga responsável por trazer sofrimento a ela e àqueles ao seu redor. O que é curioso é que, apesar de listar o Rei Joffrey entre os albos, a garota de 9 anos não tenha o discernimento de que sua lista somente mira em capangas e fantoches, mas esquece de vilões de verdade, como Tywin Lannister.
Essa falta de discernimento se repete quando Arya está em Harrenhal e Jaqen a oferece 3 mortes em troca das vidas que ela salvou do incêndio. Novamente, a garota Stark se limita a indicar nomes sem importância. Quando surge a ideia de nomear Tywin Lannister, sentimentos nacionalistas a fazem burlar a barganha de Jaqen para convencê-lo a ajudá-la na libertação dos prisioneiros nortenhos e dos homens Frey. Portanto, Arya não demonstra não empregar seu potencial assassino para grandes causas, atendo-se a pequenas vinganças e revanches.
Ainda assim, Jaqen entrega a Arya a moeda de ferro que mais tarde a levaria a Braavos para o treinamento junto aos homens sem rosto. O que causa curiosidade seria o motivo pelo qual Jaqen selecionou a menina. O perfil dela não combina com o da seita, como vemos ao longo de Festim dos Corvos e Dança dos Dragões. Sem falar que ele a presenciou fazendo uma barganha contra o próprio Jaqen.
Fora de Harrenhal, Arya acaba novamente sendo feita prisioneira alguns dias depois de partir. Mas dessa vez, é reconhecida e fica permanentemente na expectativa de ser levada a sua mãe, não importa se vendida ou simplesmente entregue. Mas o objetivo da viagem que Martin a impõe é conhecer os efeitos da guerra sobre as Terras Fluviais, sob o ponto de vista dos camponeses.
Antes que essa jornada termine, porém, duas coisas ocorrem: Arya é raptada por alguém em sua lista (Sandor Clegane) e Roose Bolton informa que encontrou Arya e vai enviá-la ao Norte.
Como GRRM gosta de lembrar as semelhanças entre Arya e Lyanna, não há como não enxergar em seu rapto ecos do rapto de sua tia por Rhaegar Targaryen. Talvez haja aqui algum paralelismo que estamos deixando de enxergar. Mas as distinções são bem claras. Sandor estava levando Arya de volta pra casa, enquanto Rhaegar estava levando Lyanna para longe do Norte. Um detalhe incidental nesta questão é que Sandor “morre” à beira do Tridente tal qual Rhaegar (ainda que este tenha morrido no vau rubi, local que Arya e Sandor evitaram).
Quanto ao segundo evento, a farsa de Jeyne Poole como a falsa Arya permitiria que a verdadeira se tornasse, de fato, ninguém. A intenção, claro, era fechar uma ponta para resgatar a história dali a 5 anos, quando Jeyne Poole já estivesse estabelecida como Arya. Neste futuro que nunca aconteceu, Arya haveria florescido, o que era a intenção de Martin. Ele sempre cita como as histórias dos adultos não tinha tempo para esperar que “Arya chegasse a puberdade”.
De fato, como Arya é comparada com Lyanna diversas vezes, seria de se esperar que a puberdade lhe avivasse a beleza selvagem e que já a víssemos em Braavos em estado avançado de seu treinamento. Se sabe que o primeiro capítulo de Arya em Os Ventos do Inverno foi escrito antes de Martin abandonar o salto de 5 anos, portanto, as circunstâncias que ela parece que vai viver agora aos 11 anos seriam aquelas que, originalmente, se pensava que ela viveria ao 16 anos (aproximadamente a mesma idade que Lyanna tinha quando morreu).
Porém, o caminho seguido em O Festim dos Corvos e A Dança dos Dragões foi acompanhar o treinamento de Arya desde o começo. Muitos leitores acusam estes capítulos de serem encheção de linguiça, mas eu os entendo apenas como lentos. Há 3 linhas mestras acontecendo neles: 1) modificações na política de Braavos, 2) conflitos internos da própria Arya não querendo abandonar sua herança Stark, 3) revelação de segredos da Casa do Preto e do Branco.
Caso o salto temporal houvesse ocorrido, eu imagino que os 2 primeiros itens poderiam ser contados facilmente via flashbacks, sem necessidade de presenciarmos as sementes serem plantadas (que é o que Martin parece ter feito ao longo de Festim e Dança). Porém, o terceiro item me parece ser o cerne dos capítulos de Arya, como ou sem salto temporal.
Era de se esperar que os sacerdotes não fiquem contando segredos a acólitos tão novos como Arya. Mas o Homem Gentil parece estar estranhamente aberto a instruir uma aprendiz com menos de 1 ano de Casa sobre a história da seita e lhe permitir fazer missões com rostos novos. E Arya não está se provando ser digna dessa confiança.
Bem, na série da HBO, a Casa do Preto e do Branco tentou eliminar Arya, mas ela simplesmente se mostrou superior ninguém sabe como. Em A Dança dos Dragões, Arya demonstrou estar um passo à frente do Homem Gentil entrando na pele de um gato de rua que a seguiu até o templo. Com este truque ela conseguiu descobrir que era o sacerdote quem a surrou quando estava cega.
Muitos leitores especulam que esta habilidade sobrenatural seria uma vantagem que Arya usaria para trapacear nos treinamentos, haja vista que não é uma habilidade pela qual Homens Sem Rosto são famosos. Daí, afirmam esses leitores, quando a convivência na Casa do Preto e do Branco se tornar insustentável e um Homem Sem Rosto for enviado para eliminar a discípula rebelde, os poderes de troca-pele são o diferencial que faria com que Arya sobrevivesse ao ataque do assassino e pudesse escapar de Braavos para Westeros.
O retorno de Arya a Westeros é outra icógnita. Atualmente não sabemos de motivos que a tirariam de Essos. Alguns apontam a morte de Jon Snow como o combustível. Mas eu costumo argumentar que Arya matou o cantor Dareon simplesmente por ele ser um desertor, como Jon. Outros acreditam que Arya saberá sobre o próprio casamento com Ramsay e virá a Westeros para desfazer a farsa. E, por fim, há aqueles que dizem que ela simplesmente voltará para matar Freys, Boltons e o restante de sua lista.
Porém, há um grande consenso que esta volta implicará em um encontro com sua mãe, agora na forma de Senhora Coração de Pedra. Alguns acreditam que este encontro será chocante o suficiente para mudar a cabeça de Arya com relação ao seu desejo de vingança. Outros acreditam que a confluência de objetivos só tornará tudo duplamente letal.
Bem, qualquer quer seja o desfecho da história, ainda não foi publicado. Nos resta especular.

Declarações de GRRM sobre Arya

PERGUNTAS

  1. Jon e Arya têm inclinações românticas reais (ainda que platônicas) um pelo outro? Ou é apenas Freud em ação?
  2. A frase de Jon sobre Arya ser encontrada congelada com agulha na mão é um presságio de que ela morrerá na batalha da alvorada?
  3. O fato de ter nomeado sua loba como Nymeria, revela que Arya teria alguma propensão para viajar a Dorne nos próximos livros?
  4. Os poderes de troca-pele de Arya são alguma forma de trapaça para o treinamento dos Homens Sem Rosto?
  5. O rapto de Arya por Sandor ecoa de alguma forma o rapto de Lyanna por Rhaegar?
  6. Você acha que os capítulos de Arya em Braavos estão mais para encheção de linguiça ou escalada de tensão?
  7. Que diferença você acha que o abandonado “salto temporal de 5 anos” faria na história de Arya pós-A Tormenta de Espadas?
  8. Você acredita que os poderes de troca-peles de Arya a farão uma assassina particularmente perigosa entre os Homens Sem Rosto?
  9. O que você acha que vai levar Arya de volta a Westeros?
  10. Você acredita que Arya se encontrará novamente com seus irmãos, Jeyne Poole ou Senhora Coração de Pedra? Caso positivo, que tipo de reação você espera que ela tenha nestes encontros?
submitted by altovaliriano to Valiria [link] [comments]


2020.01.03 06:49 Doomguy1234 Hoje eu dei uma chance ao amor...

Eu nunca namorei. Tenho 18 anos e nunca namorei. Já tive um total de duas quedas por outras garotas.
Uma delas nasceu em 2018. Foi um tempo depois de ter criado uma página no instagram só pra lançar interpretações de letras de músicas que eu gostava sem que me enchessem o saco. Do nada, uma garota desconhecida, não ligada a música começa a me seguir. Eu fico curioso e mando uma DM pra ela. Conversa vai, conversa vem; os dias passam e ela oferece o WhatsApp para continuarmos conversando regularmente. Encontramos um no outro uma amizade inesperada. Somos ambos de cidades diferentes, nunca nos vimos pessoalmente e ainda assim conversávamos bastante! Eu começo a sentir algo a mais por ela, mas eu acabo sufocando esse sentimento pelo medo que tive de um primeiro relacionamento, ainda mais à longa distância. Eventualmente paramos de nos falar, especialmente depois que entrei na faculdade ano passado. Atualmente ela namora, e eu estou muito feliz por ela, especialmente porque ela se despediu decentemente de mim e nunca me manipulou ou algo assim.
Por falar em faculdade, minha segunda queda também aconteceu à distância. Os vets colocaram todos os bixos num grupo. A gente tava conversando de boa sobre montar banda, o que esperávamos dos cursos, enfim. Quando uma garota me chama para conversar no privado. Lembro como se fosse hoje: “você parece ser um cara legal”. Aquilo fez o meu dia! A gente foi conversando, fez uma aposta (que eu perdi) no duolingo e tudo parecia bem com a gente. Mas daí a faculdade chegou batendo né kkkkkk... Ela era de outro curso, e nossos intervalos muito raramente batiam. As lições acabaram me convencendo a passar a maioria do meu tempo focado somente nos estudos e a gente parou de se falar. Uns tempos depois ela também começou a namorar. Àquela altura, eu estava me sentindo um lixo de pessoa. Eu não conseguia fazer amigos na sala ou na faculdade como um tudo, passava o dia, essencialmente, sozinho. Até mesmo em casa, já que eu não gosto de ficar muito no pé da minha mãe, enfermeira de uma UPA de periferia. Além disso, Engenharia Mecânica MUITO FODA de lição. Puta que o pariu. Foi nesse começo de ano que fiz meu primeiro desabafo aqui e deixei isso virar um hábito por uns 4 meses.
Pula pra novembro. Eu já tinha alguns amigos com quem eu sempre jogo Can-Can nos intervalos mas nunca passou muito disso. Eu já havia desistido de me apaixonar, pelo menos até me ajeitar e cuidar de mim mesmo. Não suporto ser fardo para outra pessoa, ainda mais emocional. Vasculhando o NeedAFriend , eu encontrei um servidor no Discord que prometia ser um refúgio para quem se sente sozinho. E eu, que não consigo socializar quase nada comprei a ideia. Se fosse ruim era só cair fora e obedecer o Coronel Fábio (Esquece essa merda aí porra). Entrei. Honestamente não era assim tão melhor no começo. Mas daí em um dos canais do servidor, voltado para uma atividade contagem (Isso mesmo, vai do 1,2,3,4, até o infinito e além) eu conheci alguém...
Ficamos contando centenas de números que nem um bando de retardados, mas pelo menos nos divertimos kkkkkkkkkkkkk. Não parecia muito de uma interação na hora, mas era a primeira coisa que fiz com alguém lá. Tempos depois fomos nos falando cada vez mais nas conversas de grupo. E mais. E mais. E mais...
Há alguns dias estávamos zoando com o bot do servidor e ela ficou curiosa a respeito de um comando de casamento. Ela se perguntou com quem ela iria testar (estávamos em 3 naquela hora) e eu me ofereci. Não havia nada melhor pra fazer, então que se dane. Ali nos “casamos”. Daí eu me divorciei para ver como era kkkkkkkk. No entanto a gente acabou gostando da ideia de ter mais um casal midiático no servidor e “casamos” de novo. A partir daí, as coisas foram crescendo entre a gente. Começamos a conversar por horas nas DMs. A fazer muitas piadas sobre casais. Até ontem...
Há um canal de flertes no servidor e ela estava de zoeira com outra garota que dizia que não havia com quem flertar. Ela disse “flerte comigo então” e eu mandei abaixo “Mas você não é casada? /s”. Um tempo depois ela me perguntou se eu queria que ela flertasse comigo e eu respondi... “Sim /s”. Nós flertamos com aquelas cantadas de pedreiro. Ela me disse que eu flertava bem melhor que ela. Eu disse que talvez devesse usar os flertes no meu primeiro encontro. Ela disse “Você se casou comigo e nunca tivemos um encontro”. Naquela hora eu comecei a pensar milhões de coisas. Eu realmente estava sentindo algo por aquela garota, mas o medo de manter um relacionamento à distância estava gritando dentro de mim.
Eu não sei da onde arranquei forças para perguntar: “você está pedindo para sair comigo?”
Ela responde: “Não sei. Você quer que eu peça?”
Ali, BEM ALI, eu me senti muito nervoso. Muito medo pesando o peito, muita vergonha de receber uma pergunta daquelas e eu não sabia se ela sentia o mínimo do que eu havia cultivado por ela. Num momento de muita adrenalina eu disse: “Honestamente? Sim”
Nos revelamos tensos e envergonhados um pelo outro, ambos surpresos e perplexos com nossas respostas. Resultado: ela me chamou para o tal “encontro”. Ele aconteceu mais ou menos das 23:40 até 1:50 de hoje.
Sabe o que é louco nisso tudo? Ela é das Filipinas! Eu me fechei a duas garotas do estado de São Paulo, mas escolhi me abrir a uma das Filipinas...
Antes de ela pedir que eu fosse dormir (nós temos essa coisa de querermos dormir não muito tarde para evitar complicações kkk), eu me abri totalmente para ela. Já era óbvio que havia algo entre nós, mas eu resolvi tirar o que eu sentia por ela do meu peito. Escrevi um baita textão me declarando após o “encontro”. Ela também se declarou pra mim: “só saiba que é uma coisa mútua entre a gente”. Eu só não saí gritando e pulando de alegria porque estou dividindo o quarto com outras três pessoas hoje kkkkkkkkkkk. Mas eu me senti extremamente aliviado de finalmente dar uma chance ao amor!
Uma garota das Filipinas e um garoto que estava quase sem esperanças para o amor. Quem diria que assim seria o meu primeiro relacionamento! Pode parecer coisa de nerd, relacionamento via Discord, mas foda-se. Eu não sei ao certo porque vim aqui desabafar (deve ser porque não me abro pessoalmente a ninguém) mas foda-se! Eu sei que hoje eu durmo feliz porque sei que alguém diferente me ama pelo que sou...
submitted by Doomguy1234 to desabafos [link] [comments]


2019.12.01 05:33 Eilish1 O AMOR te assusta?

O amor te assusta?
Minha irmã me mostrou uma amiga dela que ela queria me apresentar. Eu concordei. Um dia elas estavam no shopping e fizemos um facetime, eu estava voltando do trabalho. Conversa vai, conversa vem, e a moça me solta a seguinte frase "eu não sou de brincadeira não, sou pra casar. Você poderia me levar pra jantar um dia desses". E o idiota aqui caiu nessa, igual um cachorrinho pulando na água pra pegar uma bolinha.
Nos vimos no dia seguinte, e assim... não tenho intenção de desrespeitar nenhuma garota, mas com ela foi muito fácil. O jeito que ela veio foi muito fácil. Na hora eu só pensei em duas hipóteses: 1. Ela realmente tá muito interessada // 2. Ela ta muito acostumada com isso.
Conversando com a minha irmã ela me disse que ela sempre diz que quer algo sério, mas fica com todo mundo que vê na frente. Então estamos mais pro lado da segunda opção. Ela não tá errada de maneira nenhuma em ficar com quem ela quer, o que não pode é dar a entender uma coisa séria e na real não ser nada. Parece até o classico estereótipo de homem escroto.
Pois bem. O primeiro "encontro" foi excelente. O problema de fato começou quando ela foi embora, pois não respondia o whatsapp. Eu via ela online e nada. E não era algo de tipo "to ocupada agora, entrei aqui rapidinho pra falar com alguém urgente". Eu relevei isso, ninguém é obrigado a responder ninguém, eu mesmo as vezes não respondo pq não to a fim de ver mensagens. Trabalho com redes sociais o dia inteiro.
Fui relevando esse vácuo. Até que ela percebeu que eu estava curtindo ela, e de fato eu estava, estou. Ela comentou com a minha irmã, e como é a minha irmã, ela me contou. Depois ela me disse que estava confusa, e não sabia o que queria. Se era algo sério, ou não. Falei com ela pra apenas deixar rolar, não se apressar, não tem necessidade. Ela concordou.
Depois de alguns dias ela voltou com essa história de novo. O que me confundia era o fato dela ser uma pessoa totalmente diferente comigo pessoalmente, e no whatsapp parecer que eu estava incomodando ela. Pessoalmente eu nunca cheguei comprimentando ela com beijo, por que eu nunca soube se poderia. Sempre que a iniciativa era minha ela barrava. Após alguns minutos elas sempre me pedia um beijo, e ao final do dia, no whatsapp era a mesma coisa. Até que um dia eu decidi não dar esse beijo. Ela cobrou mais algumas vezes, até a hora que disse "tá bom, desisto" e ficou meio triste. Eu chamei ela pra conversar, disse que de fato eu estava gostando dela, e que não estava saindo com mais ninguém além dela. Eu tentei passar confiança, entende? Porque achei que ela estava confusa, não sabendo se poderia confiar em mim e com medo de se ferrar futuramente. Ela me perguntou se eu namoraria com ela, mas não foi um pedido de namoro, foi só uma pergunta mesmo. Eu disse que claro. Ela sorriu.
Na volta pra casa, eu perguntei pra ela do que ela tinha medo. Ela me disse que tinha medo de eu não ser suficiente pra ela, e nem ela ser suficiente pra mim. Na hora eu juro que não entendi. Depois eu parei pra pensar, e acho que traduzindo isso seria algo do tipo "Não sei se quero você, ou se espero outro cara aparecer". É foda porque ela foi quem falou em relacionamento sério, ela que falou que estava olhando alianças de namoro no shopping com a minha irmã, ela falou. O que ela esperava que eu entendesse? No começo eu só estava deixando rolar, depois eu realmente gostei dela. Doeu as três vezes que ela falou "vamos ser só amigos, o que acha?" as duas primeiras eu discordei, mas na terceira eu achei que eu já estava incomodando. Achei que ela só não tava com coragem de por um ponto final definitivo. Então concordei, mas deixei claro que não era isso que queria.
Em uma conversa eu disse pela milésima vez que ela era linda. Ela printou e postou no status com a legenda "ele é demais!!". Fiquei super feliz quando eu vi. Dias depois ela postou um outro print, de um outro cara que salvou o contato dela como "Vida 💍", e usou a mesma legenda. Me perguntei quantas vezes ela fez isso.
Estou bem pra baixo ultimamente. Meu aniversário está chegando mais uma vez, vou passar natal, ano novo, férias, novamente pensando que eu poderia estar dividindo essas experiências com alguém. Eu sei que temos que curtir nós mesmos, mas um relacionamento realmente é algo que eu queria. Sempre quis ter alguém pra viajar, dividir dias bons e ruins, apresentar pra minha mãe. Esse é outro ponto que ela foi cara de pau. Por ser amiga da minha irmã, foi muito mais fácil ela vir aqui em casa, inclusive quando ela veio eu nem sabia, veio com a minha irmã. Conheceu minha mãe, e minha mãe não é boba, já perguntou "porque vocês não namoram?" eu disse: porque ela não quer. E ela disse: ele que não quer. Eu fiquei igual aquele meme do John Travolta sem entender nada. Minha mãe perguntou se ela gostava de mim, e ela disse que sim. Mas foi um sim meio duvidoso, eu percebi. Acho que só ficou sem jeito. Depois ela me perguntou, e eu não falei nada. E ai sim ela implicou. Ela sabe que eu gosto dela, eu já falei varias vezes.
Agora não temos mais nada. Tem umas três semanas que eu não vejo ela, volta e meia ela manda mensagem como amiga, sem nada de mais. Por experiência, eu sei que não vou conseguir ser amigo dela. Esse foi um breve resumo, eu não me apaixono fácil. Não contei das vezes que fomos andar de skate, comer pizza até não conseguir nem respirar direito, fazer competição de arroto em familia (eu acho que foi nessa hora que ela me ganhou haha), ensinar ela a andar de patins, entre varias outras paradas, momentos que te fazem curtir a pessoa.
Eu amo ela de verdade, mas não gosto mais dela.
submitted by Eilish1 to desabafos [link] [comments]


2019.11.11 02:19 batistalex Minha vida emocional é um fracasso. O amor não é pra mim...

Boa noite, este é meu primeiro desabafo, desculpem o texto longo, tem muita coisa presa na garganta que não confio contar a ninguém do meu círculo. Sei que gastar tempo lendo sobre mim pode não ser tão interessante.
Enfim... Sinto que falhei comigo, estou com 29 anos e me sinto um fracasso ambulante que não consegue lidar adequadamente com suas emoções. Nasci numa família fechada emocionalmente, onde ninguém nunca disse "eu te amo" a ninguém. Nunca vi meu pai beijar minha mãe (brigas eu vi diversas vezes). Meu pai faleceu de câncer no ano passado, e ainda sob essas condições nunca trocamos palavras de afeto (embora não houvessem palavras, as ações por si já diziam muito), e por isso eu não consigo me sentir à vontade com demonstrações de afeto até hoje.
Nunca tive uma namorada fixa, o máximo que tive foram alguns lances casuais que embora eu tivesse me esforçado muito para dar certo, não deu. Por um lado eu sei que não tenho muita habilidade em gerir meus sentimentos, por outro lado acho que tenho a famosa "mão podre" porque parece que só encontro pessoas com uma bagagem tão pesada que fica difícil sair algo de bom.
Exemplo:
Interessante que a exceção da garota 2, eu nunca me afastei de nenhuma devido aos seus problemas, até me dispus a ajudá-las mas não deu.
O mais triste é que eu sou muito "padrão". Desde minha adolescência acreditava que se era pra eu estar com alguém, que fosse pra somar. O problema é que eu nunca me senti capaz de somar, sou estou começando a mudar esse pensamento agora, mas ainda falta chão. Nunca fui de balada ou de contatinhos. Tenho uma boa aparência, treino e me alimento bem. Há 2 anos me graduei, sou Engenheiro, tenho um bom trabalho e amo o que eu faço. No entanto, minha auto-estima está no lixo. Às vezes me pego pensando nas coisas mais simples e triviais para alguns (e que muitas vezes não dão valor): Uma família feliz. Minha esposa, eu, um casal de crianças e um cachorro. Coisa besta mas que eu sempre pensei ter um dia. Mas não apenas isso, eu fantasiava que encontraria alguém cedo, que juntos viajariamos o mundo e foda-se o resto porque estaríamos felizes. Não foi o que aconteceu e me parece que não vai acontecer.
Enquanto escrevo eu literalmente estou chorando porque não consigo acreditar que falhei tão miseravelmente em algo que outros conseguem com facilidade. E não estou falando de sexo, estou falando de encontrar aquele alguém com quem você possa contar todos os dias, dividir os melhores e piores momentos, alguém que não te julgue e esteja com você pra o que der e vier. Alguém pra dividir os projetos. Isso é papo de sonhador, eu sei, as pessoas mudaram, ninguém pensa assim e talvez eu seja um dos últimos da minha "espécie". Não é difícil ver o tanto de divórcios que temos hoje em dia, ficou mais complicado. No entanto, o sentimento de frustação é tão forte que é difícil esquecer. Isso pesa muito principalmente em festas ou eventos onde normalmente meus amigos ou colegas de trabalho levam suas namoradas/esposas e para eu não me sentir mais fracassado ainda, nem apareço. Encontro uma desculpa e fico em casa.
Estou no limite da mudança, mas creio que para pior. Se não encontro o que sempre sonhei, talvez para matar a carência eu vire o tipo de cara que eu sempre critiquei, aquele que sai com uma e outra e não se importa. Sempre me importei demais, sempre me preocupei demais com a outra pessoa e no fim sempre me ferrei. Sei que não vou ser feliz se fizer essa mudança, mas também não estou feliz agora. É difícil apagar algo que sempre considerei de alto valor para mim.
Bom, não quero me prolongar mais. Ainda tinha tanta coisa pra falar mas fica para a próxima. Se você leu até aqui, agradeço a gentileza. Você é um incrível ser humano.
submitted by batistalex to desabafos [link] [comments]


2019.08.31 05:36 1llu5100n Primeira Briga

Ja contei aqui de como comecei a Namorar com uma garota q eu mentia durante a Infancia/Adolescencia....
Bom ambos somos estudantes de Direito e nossas faculdades que são diferentes mas possuem o mesmo padrão resolveram fazer um juri-simulado enfim nesse teatrinho eu fiz o papel de Advogado de Acusação representando a minha faculdade e minha namorada fez representou o Advogado de Defesa...desde o inicio eu falei que iria desistir de participar do juri simulado...não queria enfrentar ela cheguei a conversar com ela sobre mas ela ficou falando que seria legal isso não iria influenciar em nosso relacionamento e nada aconteceria.
Chegou o dia do juri-simulado começamos a fazer nossos papeis todo aquele show...ela mostrando o melhor lado de futura advogada que ela tem(afinal esse e o sonho dela) e eu fazendo meu papel de um possível futuro advogado(não faço o curso pra ser advogado, faço pra outras finalidades) só que meu pai e um excelente Advogado e ele foi pra assistir o tal juri-simulado e quando eu vi ele la sentado assistindo eu resolvi ser "igual a ele" e me vestir de Advogado tanto que exagerei em minhas falas qual eu sei que mesmo sem querer eu Ofendi ela...quando terminei minha fala, ela pediu pra sair...e ai eu percebi que tinha feito algo errado.
Na mesma hora eu fui atras dela pra me desculpar pela forma q tratei ela...encontro ela no hall da faculdade chorando. Acho que nunca me senti tão mal por ver alguém chorar principalmente alguém que eu amo, eu pedi desculpas ela falou q não tinha problema, pq afinal aquela era a finalidade do trabalho...ver dois estudantes de direito se digladiando...voltamos até o auditório pra ver a sentença final qual a minha faculdade ganhou...mas isso nem importava pra mim fiquei bastante triste por ter feito ela chorar depois de dar um tempo por la com os professores elogiando a mim e a ela resolvemos sair pra jantar.
Percebi que ela ficou um pouco distante, resolvi falar sobre uma viagem q eu e ela estávamos planejando, ela continuou distante indo pra casa ainda percebendo q ela ainda estava chateada com o que aconteceu resolvi ficar calado chegamos em casa ela ainda estava distante e resolveu ir pra casa da mãe...isso foi por volta de meia noite...fiquei preocupado pq ela não quis que eu a levasse, e ela parou de me responder no WhatsApp.
Passei a noite toda acordado pensando na besteira que fiz mesmo sabendo que a culpa não era total minha mas mesmo assim fiquei inquieto...amanheceu o dia e nada de responder as minhas mensagens...então resolvi mandar flores pra ela...rosas negras com um cartão que dizia "sei que fui um babaca e não devia ter te tratado como tratei, te amo"
Voltei a focar no meu trabalho...pra ver se tiro isso da cabeça ate que voltei pra casa...e tive uma bela surpresa ela tava la deitada no sofá brincando com o Brian (nosso cachorro) ela levantou me abraçou e também pediu desculpas e parece que meu mundo voltou ao normal...terminamos a noite dividindo Whisky e cigarros ouvindo musicas idiotas na varanda.
Com essa primeira briga do meu primeiro relacionamento...eu aprendi que...por mais q a culpa não seja sua, ou só sua se vc poder pedir desculpas e dar o primeiro passo pra uma conciliação faça isso...assumir culpa não doi.
submitted by 1llu5100n to desabafos [link] [comments]